De Nossas Origens às Pandemias com Darwin

Aos que gostam de ciência e literatura, uma recomendação: não percam. Darwin, sua trajetória, sua viagem ao redor do globo e seus escritos. Um passeio por sua obra mais famosa, por suas anotações e cartas, com um levantamento minucioso de suas fontes de inspiração (científicas, literárias) e seus achados. É longo, mas tem produção caprichadíssima e não dá pra perder. Siga a playlist com os 17 podcasts dedicados ao naturalista em realização da QuatroCincoUm, com criação de Fernanda Diamant e roteiro e apresentação de Leda Cartum e Sofia Nestrovski.

O Vinte Mil Léguas dedicado a Charles Darwin

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Retrospectiva Livresca de 2020

Vamos a alguns dos títulos com os quais me ocupei durante esse ano de confinamento. Acompanhando a chegada da pandemia, adentrei março imerso nas memórias de Patti Smith (“Just Kids”, Audible, 2011; narração da própria autora; “Só Garotos”, Cia das Letras, 2010) como se estivesse em outro planeta, sem nem de longe imaginar o que viria pela frente. Andava frivolamente pra cima e pra baixo ouvindo este livrinho da Patricia Lee Smith em meu ipod. Trata especialmente do período que marca a sua convivência com o pra lá de talentoso Robert Mapplethorpe. Smith é um pouco afetada ao registrar seu namoro e amizade com o Sebastião Salgado do underground nova-iorquino, mas o interesse pela trajetória dos dois faz com que sigamos com a narrativa até o final. 

Um outro título (“O Rio antes do Rio”, Relicário, 2020) que adquiri pouco antes do começo da quarentena. Se alguém ainda acha que o gentílico “carioca” surgiu por designar etimologicamente a “casa do homem branco” (a oca do caraíba), como queria Varnhagen e aqueles que o leram, precisa passar os olhos no livro de Rafael Freitas da Silva para saber que o nome surge por assinalar a oca dos índios kariós (carijós). Foi assim que ele aprendeu com o francês Jean de Léry. Léry veio conhecer a França Antártica em 1556 e conviveu com os tupinambás (grupo que dominava vastas regiões do território brasileiro, inclusive o Rio de Janeiro) registrando tudo para seu livro “Viagem à Terra do Brasil”. Essa é uma das boas passagens colhidas pelo redator de esportes da Globo e pesquisador nas horas vagas que dá destaque às histórias das populações nativas ao retratar o período de chegada e ocupação da América por portugueses e europeus.

“Todos os Contos” (Rocco, 2015) estava aqui na estante há um bom tempo. Fui conferir o que havia nele e que ainda desconhecida da escritora que adotou a vizinhança do Leme, onde morei com gosto em um quarto e sala na rua Anchieta por uns dois anos, como seu endereço de residência na volta ao Brasil depois do fim de uma casamento que a levou a uma peregrinação pelo mundo. Sua fruição se deu em gravações em audiolivro e na leitura da cuidadosa coletânea organizada pelo mais famoso biógrafo da autora, Benjamin Moser. Reunindo todos os 85 contos escritos por Clarice Lispector em vida, o volume vem com prefácio e comentários do organizador. Impressionou bastante os contos que a escritora escreveu por encomenda, algo que detestava, sob o título de “A Via Crucis do Corpo”. Particularmente, o desprendimento e as ousadias de Ruth Algrave, Aurélia Nascimento e da sapeca da sessentona Maria Angélica de Andrade. Uma Clarice bem diferente.

Comecei “A Hora da Estrela” (Rocco, 2008) desta vez em audiolivro e fui terminá-lo voltando ao livrinho que aparece em um exemplar novíssimo que adquiri para a seção dedicada à autora aqui em casa. “Água Viva” (Nova Fronteira, 1978), livro favorito de Cazuza, foi mais um a marcar esse reencontro com a autora preferida da minha pós adolescência. Cheguei a ele por uma gravação em audiolivro. Tenho aqui na estante uma edição velhinha dele de um ano antes de eu entrar na faculdade de comunicação da PUC/RJ. Era um período em que lia muito Clarice. Comecei com “A Paixão Segundo GH”, ainda no ensino médio (segundo grau à época), e segui com tudo o que aparecia. “A Maça no Escuro”, “Perto do Coração Selvagem”, “Onde Estivestes de Noite?” e por aí afora. Algumas dessas edições, assim como a de “Água Viva”, guardo até hoje. Anos depois uma acadêmica comentou um pouco maldosamente, mas acho que com certa propriedade, que Clarice é uma autora que desperta os instintos latentes da juventude.

Uma obra que estava terminando de ler quando da chegada da infausta criatura. Nunca tinha lido os “Tristes Trópicos” (Cia das Letras, 2019) de Lévi-Strauss e foi uma surpresa descobrir a maneira casual como ele chega ao Brasil para conviver com os nossos índios e depois abrir um caminho inédito dentro da história da antropologia como ciência.

Como um livro puxa o outro, “Tristes Trópicos” me levou a “O Rio antes do Rio”, que por sua vez me conduziu à “Brasil: uma Biografia” (Cia das Letras, 2015), que Lilia Mortiz publicou ao lado da historiadora Heloisa Starling. Taí um volume ótimo que deveria ser obrigatório nas escolas de ensino médio brasileiras. Um resumão caprichado de nossa triste história.

De Lilia Moritz li também o interessante “O Sol do Brasil – Nicolas-Taunay e as Desventuras dos Artistas Franceses na Corte de D. João” (Cia das Letras, 2008), que ajuda a ter uma compreensão precisa sobre a tão falada “Missão Francesa”, que nada mais era do que um grupo de artistas franceses que trabalhavam dentro da lógica emulatória napoleônica e que se acharam abandonados depois de sua queda.

Uns a tratam como a socialista de iPhone, mas quero ver ter a disposição da apresentadora do canal Tese Onze no YouTube Sabrina Fernandes para sentar a chunda na cadeira e cruzar de fio a pavio a pedreira que são os 4 tomos de “O Capital”, de Karl Marx. Durante seu doutorado no Canadá, esta foi uma de suas tarefas, além do letramento nas obras de Gramsci, Benjamin, Lukács, Marcuse e do queridinho Florestan Fernandes. Sua tese de doutorado é o seu livro de estreia, “Sintomas Mórbidos – a Encruzilhada da Esquerda Brasileira” (Autonomia Literária, 2019), cuja leitura já tinha iniciado e que tive de voltar por tratar do assunto que encerra o livro “Brasil: uma Biografia”, de Lilia Moritz e Heloisa Starling, as manifestações de rua de junho de 2013. Uma pena que faça muita falta à bibliografia de Sabrina as obra de Thomas Piketty, o pensador progressista mais importante da atualidade.

Com Eduardo Bueno, cruzei pela segunda vez o Oceâno Atlântico quinhentista no seu “A Viagem do Descobrimento” (Objetiva, 1998), fazendo todo o percurso. A leitura foi complementada pelas postagens do autor no canal Buenas Ideias no YouTube e pela “Carta de Pero Vaz de Caminha” (Martin Claret, 2002), registro comentado por Jaime Cortesão da carta fundadora do país. Peninha já concluiu a gravação de própria voz de um de seus mais conhecidos livros que estará disponível em audiolivro. Fiquei tão entusiasmado com essa segunda visita que ganhei de presente de aniversário a coleção completa do autor sobre o tema e mais o “Duas Viagens ao Brasil”, de Hans Staden.

Intercalando com alguns dos títulos anteriormente comentados, tenho lido há alguns meses o “Aparência do Rio de Janeiro” (José Olympio, 1952), livro assinado por Gastão Cruls que sobrou dos pertences de meu avô materno (é o que imagino pelo menos). A obra de Cruls não consta, para surpresa minha, da bibliografia de “O Rio antes do Rio”, de Rafael Freitas da Silva. Cruls especula várias possibilidades para o nome da tal “Casa de Pedra”, a Carioca, que deu origem ao gentílico dos moradores do Rio de Janeiro. Nenhuma das suas hipóteses, no entanto, é mencionada por Rafael Freitas para quem Carioca era, como vimos, a “Casa dos Carijós”. Por sua importância, Cruls merecia ter feito pelo menos parte das leituras do noviço pesquisador, inclusive para que suas afirmações fossem confrontadas com o que já se especulou sobre o passado de nossa cidade e seus habitantes.

Os frequentadores deste blogue talvez não saibam, mas venho há 10 anos frequentando um clube de leitura que se reúne todo mês para conversar sobre um título qualquer e degustar iguarias. Esse foi obviamente um ano off para o grupo. Mas tivemos pelo menos dois encontros virtuais para ouvirmos a amiga Sheila Kaplan falar sobre Sérgio Sant`Anna e para conversarmos sobre os poemas e a trajetória de vida de Arthur Rimbaud. Os três volumes com a obra completa do poeta de Charlestown, traduzida e editada por Ivo Barroso, foram passados em revista. Desde a poesia do gênio adolescente, até a prosa de “Uma Estação no Inferno” e “Iluminações”, com o crivo novidadeiro do inquieto rapaz, bem como toda a sua correpondência. Para contextualizar tudo, recorri também à biografia de Graham Robb (“Rimbaud”, Picador, 2000).

Ao longo do ano passeei ainda pelo livros de Pedro Doria. Desde aquele que tem como assunto a fundação do país (“Enquanto o Brasil Nascia”, Nova Fronteira, 2012) até o que trata do Tenentismo (“Tenentes – a Guerra Civil Brasileira” Record, 2016). Este último esclarece muito sobre as raízes das interferências militares na vida política brasileira. O início do livro parece meramente narrativo por um capricho estilístico de Doria, mas vale a pena aguardar pelas conclusões do final. Uma discussão muito oportuna para o momento que vivemos e que pode ser aprofundada com “Sobre o Autoritarismo Brasileiro” (Cia das Letras, 2019), mais um de Lilia Moritz, a escritora com quem mais convivi.

Estou fechando o ano com “A Bailarina da Morte – a Gripe Espanhola no Brasil” (Cia das Letras, 2020), que acabei de encerrar, e com “Fascismo à Brasileira” (Planeta, 2020), que está na cabeceira. A Gripe Espanhola talvez tenha sido tão cruel quanto o covid-19, mas foi mais breve. Chegou em setembro de 1918 no navio Demerara. Ele vinha de Liverpool com parada em Lisboa e saiu contaminando as populações ao atracar no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro (faria escalas ainda em Montevideo e Buenos Aires, espalhando o vírus). Mas, no carnaval de 1919, a gripe já tinha deixado de matar e acumular cadáveres na ruas e ido embora como conta Ruy Castro em “Metrópole à Beira-Mar”. Por isso mesmo, o carnaval no início de 2019 seria muito festejado. Um detalhe importante sobre o período lembrado por Castro: Rodrigues Alves, que tomaria posse na época para seu segundo mandato como presidente, não morreu como consequência da epidemia como pensam muito historiadores, mas vítima de uma anemia perniciosa que o levou a uma parada cardíaca.

Com a Espanhola, houve também o negacionismo por parte de autoridades como com o corona vírus. O depreparo, coisa indesculpável hoje, era, no entanto, uma contigência de uma país que ainda não tinha um Ministério da Saúde, nem um Sistema Único de Saúde. Já sabemos que 2021 vai ainda se mostrar um ano difícil, não custa porém desejar algo de melhor para todos nós, o que a chegada das vacinas parece prenunciar. Um bom ano portanto para vocês, leitores e assinantes.

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O “Lança Perfume” de AFE e Ava Rocha

“Mulher Homem Bicho” com direito a sampler de Gainsbourg

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“Boas Festas” no Brasil Profundo e na Prisão

Caetano Veloso rivaliza com Pedro Nava quando o assunto é recordar, com riqueza de detalhes, passagens de sua vida. O Natal de sua infância em Santo Amaro da Purificação tinha, nas rústicas residências da cidade, presépio, areia de praia, folha de pintaga, cheiro de pitangueira, fontes de água que imitavam riachos, e, como trilha, uma música marcante da época que falava de um papai Noel que morreu, assinada pelo suicida Assis Valente. Em sua live, Caê mostrou que sabe até mesmo espontaneamente fazer essas rememorações como poucos, o que já havia demonstrado de maneira demorada na narrativa de “Verdade Tropical” (Companhia das Letras, 1997), em que, no capítulo “Narciso em Férias” (recém-lançado como um livro autônomo), fala sobre um outro período de festas, aquele em que esteve preso no quartel da Polícia do Exército na rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Por sua participação em happenings tropicalistas, pela aparição em um programa da TV Record em que cantava a mesma “Boas Festas” com uma arma apontada para a cabeça e pelo clima repressivo do AI-5, o compositor seria “sequestrado” em casa pela Polícia Federal e entregue ao Exército no Rio de Janeiro em dezembro de 1968. Fez com Gilberto Gil uma música que adoro e que trata daquele momento. Está em um de seus discos londrinos (um disco do qual ele não gosta).

Boas festas”

“In The Hot Sun of a Christmas Day”

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Natal do Confinamento

Torneio Aberto Natalino

A festa natalina deste ano foi passada jogando um torneio de xadrez virtual organizado pelo Raffael Chess. Sempre ajudado pela cara-metade Jenny, o anfitrião convocou a vó Chica, o pai Bobby Ficha, além da legião de seguidores que acompanham suas lives para jogarem durante 90 minutos. Estavam lá muitos dos 150 mil inscritos arrebanhados por seu canal ao longo de um ano de existência. Assinantes que seguem seus jogos comentados, seus desafios amalucados nas aberturas “Grob” e “Bobby”, e se divertem com as birutices do rei da fuzarca enxadrística do YouTube. Gente como o Capivarabond, o Allvim Chess e aquele que se autodenomina Chefe do Krikor (em referência ao Grande Mestre brasileiro Krikor Mekhitarian). O torneio foi promovido pelo boa praça portoalegrense junto com outros streamers como passatempo para esse que entrou para a história como o Natal do confinamento. Compareci transvestido do Grande Mestre Duchamp (ou GMDuchamp), um de meus perfis no site Chess.com.

A cara de surpresa e de medo de Bobby Ficha quando vó Chica lança a grobilda g4 no tabuleiro

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Joe Biden, 46o. Presidente dos Estados Unidos

John King coloca em perspectiva o cenário para hoje à noite

Assim como Ciro Gomes, sou um parlamentarista convicto. Entendo que dar poder a um sujeito para sair fazendo o que lhe vem à cabeça não é exatamente das ideias mais brilhantes. Sei que o presidente tem que negociar com o legislativo, mas no parlamentarismo, essa negociação, dentro de um congresso nacional, se torna bem mais dinâmica e evita arroubos personalistas. O que temos assistido nas ditas democracias presidencialistas comprovam que este não é (e nunca será) um sistema de governo decente. Especialmente em um país como os Estados Unidos em que, por questões de regramento, um presidente pode perder no voto popular e ainda assim assumir o comando da nação. Foi o que vimos com Donald Trump em 2016. Perdeu no voto para Hillary Clinton, repetindo o que aconteceu na disputa entre Al Gore e Bush filho, mas acabou eleito por conta do colégio eleitoral.  

Tenho admiração pelos Clintons. Hillary sempre foi uma candidata extremamente capacitada, diligente, assertiva. Confesso que a minha predileção era por sua candidatura frente a de Barak Obama. Considerava suas falas muito mais convincentes e persuasivas. Obama depois se transformaria em um grande líder, mas, quando disputou com Hillary a indicação do partido democrata às eleições, era ainda bem jovem e dava a impressão de não ter o mesmo preparo da concorrente. 

 Sou tão fã dos Clintons que li com gosto a muito interessante autobiografia que Hillary escreveu. É uma tradição de família que eles prezam e que admiro. Ainda lembro de Bill Clinton dizendo, quando do lançamento de sua autobiografia e em entrevista no programa de David Letterman, que julgava uma obrigação de todos aqueles que rompem a barreira dos 50 anos se sentarem para colocar no papel suas memórias. Em seguida, o político do Arkansas mostrou os muitos cadernos em que redigiu de próprio punho suas reminiscências. Os Clintons se formaram por Yale, em cujo campus se conheceram. Com alma mater por Havard, Obama, encerrados seus dois mandatos em Washington, seguiria os passos de seus companheiros de partido (e de políticos cultos de uma maneira geral) e escreveria narrativas sobre sua trajetória pessoal e sua experiência como ocupante do posto mais importante do país.

Para a eleição que se encerra hoje, minha preferência era pela candidatura de Bernie Sanders, que é até mais velho do que Joe Biden, mas infinitamente mais articulado. Bernie tem a verve fervorosa e convincente dos melhores políticos. É, da mesma maneira que Ciro Gomes, um ativista consequente e cujo discurso traz sempre uma perspectiva nova e desafiadora. Os dois estão muito distantes de todos os políticos com os quais temos que nos ocupar e que nos oferecem discursos, falas, propostas, que são um convite a desistir de uma prática cidadã.  

Com Biden, pelo menos e ao contrário do que não se daria com Sanders, temos a certeza que vamos colocar pra correr mais um traste a surgir na triste história de nossa vida institucional em âmbito planetário. Espero que sirva de exemplo e inspiração para os eleitores brasileiros. Fernanda Torres, assim como nós todos, pode dormir tranquila essa noite. Trump vai perder feio e corre o risco de não conseguir nem levar o colégio eleitoral da Geórgia, da Flórida, da Carolina do Norte e talvez até de Iowa. Tenho convicção que daqui a dois anos algo idêntico se repetirá por aqui.

Dana Carvey, antes mesmo de Adnet, tentando nos ajudar a achar graça de tudo

Trump e Sanders por Dana

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Seguem os Cuidados com a Hedionda Criatura

Com a piscina da BT do Città América fechada, não se sabe o por quê, a solução foi recorrer à raia do condomínio da Barra que é, a bem da verdade, até mesmo mais arejada. Fica ainda totalmente vazia nos dias de chuva como os que tomaram conta da cidade neste fim de semana prolongado. Teve até o incentivo do guarda vidas Bruno que disse que o treino foi “show de bola”.

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Flexibilização com Cautela

As recentes notícias de contaminação pela covid de pessoas prudentes como Cora Rónai e Mariliz Pereira Jorge, que acreditam no vírus, o respeitam, seguem os rituais de higienização, distanciamento social e uso de máscara, acendeu o sinal de alerta. Especialmente porque Mariliz faz parte do muito unido time dos abnegados devotos da natação, que estavam sofrendo horrores com a abstinência do período de quarentena e não viam a hora de cair na água. O problema é que a colunista da Folha e jornalista dos programas do canal MyNews pratica natação, assim como o Hélio de La Peña, em águas abertas, o que parece ser uma opção mais segura do que a daqueles que dão suas braçadas nas piscinas fechadas das academias de ginástica. Como medida de precaução, a opção tem sido comparecer à filial da BT do Città América, que possui mais raias e é bastante arejada por conta de extensas portas de correr que dão para uma área externa. Tem sido possível até cumprir uma metragem maior do que a que faço normalmente. Tomara que o caldeirão de água sanitária seja de fato eficaz na prevenção.

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Quem Lê tanta Resenha?

Por conta da pandemia uma vizinha se mandou daqui. Ao revirar a caixa de correio, veio a pergunta: quem lê tanta resenha opinativa?

Publicado em Ana Maria Pedrosa, London Review of Books, Piauí, QuatroCincoUm, The New Yorker | Deixe um comentário

All You Need is Science

Charlotte e Sean em um Tiny Desk Concert na National Public Radio (NPR)

Sempre comentei com os professores de física que conheci que um caminho, a meu ver interessante, para despertar o gosto dos alunos que têm certa aversão à cadeira que cuida de questões espinhosas e aparentemente desprovidas de razão de ser como a propagação de ondas, a relação espaço/tempo e a troca de energia entre corpos, seria propor a leitura de um livrinho diminuto que é uma delícia. A obra “Uma Breve História do Tempo”, além de nos explicar aonde estamos e por que, de uma perspectiva cosmológica, chegamos aqui, esclarece uma série de conceitos complexos enquanto nos instrui sobre alguns aspectos fundamentais da física. Me lembrei disso ao conhecer algumas composições de Sean Lennon e de sua mulher e parceira Charlotte Kemp Muhl e ser informado que o filho de John e Yoko frequentou escolas de excelência na Suiça, nos Estados Unidos e chegou mesmo a cursar antropologia na Universidade de Columbia. Se fosse vivo, Lennon estaria com toda certeza contente com o talento musical do filho (muito distinto do seu) e feliz da vida por saber que valeu a pena bancar o estudo em instituições renomadas. “Shröedinger´s Cat”, “Dark Matter and White Noise”, não parecem título de música, mas foram os escolhidos para designar algumas das composições da dupla Sean/Charlotte que falam sobre Sócrates, Aristóteles, Freud e, claro, Stephen Hawking. Com instrumentos simplórios que lembram brinquedos de criança, a dupla se sai muito bem explorando a ciência como espaço lúdico e de quebra ainda nos levam em visita ao Jardim de Luxemburgo, pertinho ali da Sorbonne.

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