Luiz Carlini, grande guitarrista do rock brasileiro, partiu ontem deixando suas melodias, seus riffs, seus solos inesquecíveis que nos marcaram tanto e em diferentes momentos de nossas vidas. Foi se juntar a sua companheira, dos tempos do Tutti-Frutti, Rita Lee e virar poeira de estrela. É uma hora mais do que apropriada para nos voltarmos para as obras de Freud e Lacan com assombro e constatar que uma coisa tão imaterial como a música também poder nos chegar através dos sonhos.
O roqueiro com cara de bandido e seu célbre solo para o hit de Rita Lee
Já escrevi um longo texto neste blogue sobre a pessoa de Lindbergh Farias (em 2016, vejam só), especialmente pelo nível de conhecimento e de seriedade que demonstra sobre os assuntos a serem debatidos com seus pares tanto no Senado, no passado, como agora na Câmara dos Deputados. A despeito de não me agradar o tom de sua militância, não há como negar a maneira bem informada e consequente com que enfrenta os questionamentos de jornalistas. Me digam algum outro deputado ou senador que tenha uma conversa de gente grande como a que vemos abaixo. Notem como foi necessário a ele lembra e corrigir uma repórter tarimbada como Malu Gaspar sobre assuntos que ela deveria dominar. Tentou também reiteradamente cobrar dos jornalistas um atitude mais ativa atrás de informações que ficaram encobertas no caso do Banco Master.
O território de terras raras rico em metais pesados da República do KazaGastão recebeu recentemente a visita ilustre de Tony Bellotto. Na agenda de Gastão Moreira, VJ aposentado com o fim da MTV, temas multilaterais como a excursão de 40 anos do lançamento do disco “Cabeça Dinossauro” dos Titãs, que está sendo celebrado pelos três integrantes remanescentes do grupo (Branco Mello, Sérgio Britto e o próprio Bellotto), a fatura por parte de Bellotto de um Jabuti por seu mais recente romance (“Vento em Setembro”) e a vida pessoal do escritor pós cirurgia e tratamento para combater um câncer que o acometeu o ano passado. Foi interessante a conversa, mas uma pena que o cicerone conheça pouco da extraordinária trajetória literária de Bellotto que já foi assunto de uma postagem extensa aqui nesse blogue. Felizmente, essa falha pôde ser preenchida por outra conversa recente de Bellotto, desta vez com o repórter Roberto D’Ávila.
Bellotto em conversa com Roberto D´Ávila
O Guitarrista dos Titãs no canal de Gastão Moreira (ex-VJ da MTV) no YouTube
Chama a atenção como as universidades paulistas têm tido um papel de destaque na divulgação do conhecimento acadêmico para o grande público. É um serviço importantíssimo e que as universidades, que vivem de dinheiro e investimento público, deveriam ser compulsoriamente obrigadas a fazer. Mas, ao que tudo indica, apenas as paulistas têm assumido esse compromisso com empenho. As demais parecem que produzem conhecimento apenas para a comunidade restrita dos alunos que frequentam suas salas de aula, se mostrando muito acanhadas no uso dessa ferramenta importante que é a Internet para a divulgação de seus cursos, de suas atividades e, o mais importante, de sua produção intelectual.
Uma universidade paulista como a USP, por exemplo, chega a postar em seu canal no YouTube aulas dos cursos que oferece. A Unicamp faz o mesmo e, pelo visto, para o seu Instituto de Economia ao menos, essa preocupação vem de longa data, já que existem mesmo gravações de aulas da década de 1990. Registros que ficaram e que foram e seguem sendo disponibilizados. Entre as já postadas estão as aulas notáveis de Maria da Conceição Tavares, que ficaram como registros históricos, podendo ser agora revistas. Impressiona a atualidade das verdadeiras palestras com que essa portuguesa, que fugindo do fascimo imigrou na década de 1950 para cá, nos brindou ao longo de sua brilhante atividade docente. Já postei aulas da professora, mas há poucos dias, saiu um registro especialíssimo em que a economista faz um resumo de sua trajetória e das mudanças economicas e políticas a que assistiu. Ela foi proferida em novembro de 2008, quando Barak Obama chegava ao poder nos Estados Unidos.
Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.