Natal do Confinamento

Torneio Aberto Natalino

A festa natalina deste ano foi passada jogando um torneio de xadrez virtual organizado pelo Raffael Chess. Sempre ajudado pela cara-metade Jenny, o anfitrião convocou a vó Chica, o pai Bobby Ficha, além da legião de seguidores que acompanham suas lives para jogarem durante 90 minutos. Estavam lá muitos dos 150 mil inscritos arrebanhados por seu canal ao longo de um ano de existência. Assinantes que seguem seus jogos comentados, seus desafios amalucados nas aberturas “Grob” e “Bobby”, e se divertem com as birutices do rei da fuzarca enxadrística do YouTube. Gente como o Capivarabond, o Allvim Chess e aquele que se autodenomina Chefe do Krikor (em referência ao Grande Mestre brasileiro Krikor Mekhitarian). O torneio foi promovido pelo boa praça portoalegrense junto com outros streamers como passatempo para esse que entrou para a história como o Natal do confinamento. Compareci transvestido do Grande Mestre Duchamp (ou GMDuchamp), um de meus perfis no site Chess.com.

A cara de surpresa e de medo de Bobby Ficha quando vó Chica lança a grobilda g4 no tabuleiro

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Joe Biden, 46o. Presidente dos Estados Unidos

John King coloca em perspectiva o cenário para hoje à noite

Assim como Ciro Gomes, sou um parlamentarista convicto. Entendo que dar poder a um sujeito para sair fazendo o que lhe vem à cabeça não é exatamente das ideias mais brilhantes. Sei que o presidente tem que negociar com o legislativo, mas no parlamentarismo, essa negociação, dentro de um congresso nacional, se torna bem mais dinâmica e evita arroubos personalistas. O que temos assistido nas ditas democracias presidencialistas comprovam que este não é (e nunca será) um sistema de governo decente. Especialmente em um país como os Estados Unidos em que, por questões de regramento, um presidente pode perder no voto popular e ainda assim assumir o comando da nação. Foi o que vimos com Donald Trump em 2016. Perdeu no voto para Hillary Clinton, repetindo o que aconteceu na disputa entre Al Gore e Bush filho, mas acabou eleito por conta do colégio eleitoral.  

Tenho admiração pelos Clintons. Hillary sempre foi uma candidata extremamente capacitada, diligente, assertiva. Confesso que a minha predileção era por sua candidatura frente a de Barak Obama. Considerava suas falas muito mais convincentes e persuasivas. Obama depois se transformaria em um grande líder, mas, quando disputou com Hillary a indicação do partido democrata às eleições, era ainda bem jovem e dava a impressão de não ter o mesmo preparo da concorrente. 

 Sou tão fã dos Clintons que li com gosto a muito interessante autobiografia que Hillary escreveu. É uma tradição de família que eles prezam e que admiro. Ainda lembro de Bill Clinton dizendo, quando do lançamento de sua autobiografia e em entrevista no programa de David Letterman, que julgava uma obrigação de todos aqueles que rompem a barreira dos 50 anos se sentarem para colocar no papel suas memórias. Em seguida, o político do Arkansas mostrou os muitos cadernos em que redigiu de próprio punho suas reminiscências. Os Clintons se formaram por Yale, em cujo campus se conheceram. Com alma mater por Havard, Obama, encerrados seus dois mandatos em Washington, seguiria os passos de seus companheiros de partido (e de políticos cultos de uma maneira geral) e escreveria narrativas sobre sua trajetória pessoal e sua experiência como ocupante do posto mais importante do país.

Para a eleição que se encerra hoje, minha preferência era pela candidatura de Bernie Sanders, que é até mais velho do que Joe Biden, mas infinitamente mais articulado. Bernie tem a verve fervorosa e convincente dos melhores políticos. É, da mesma maneira que Ciro Gomes, um ativista consequente e cujo discurso traz sempre uma perspectiva nova e desafiadora. Os dois estão muito distantes de todos os políticos com os quais temos que nos ocupar e que nos oferecem discursos, falas, propostas, que são um convite a desistir de uma prática cidadã.  

Com Biden, pelo menos e ao contrário do que não se daria com Sanders, temos a certeza que vamos colocar pra correr mais um traste a surgir na triste história de nossa vida institucional em âmbito planetário. Espero que sirva de exemplo e inspiração para os eleitores brasileiros. Fernanda Torres, assim como nós todos, pode dormir tranquila essa noite. Trump vai perder feio e corre o risco de não conseguir nem levar o colégio eleitoral da Geórgia, da Flórida, da Carolina do Norte e talvez até de Iowa. Tenho convicção que daqui a dois anos algo idêntico se repetirá por aqui.

Dana Carvey, antes mesmo de Adnet, tentando nos ajudar a achar graça de tudo

Trump e Sanders por Dana

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Seguem os Cuidados com a Hedionda Criatura

Com a piscina da BT do Città América fechada, não se sabe o por quê, a solução foi recorrer à raia do condomínio da Barra que é, a bem da verdade, até mesmo mais arejada. Fica ainda totalmente vazia nos dias de chuva como os que tomaram conta da cidade neste fim de semana prolongado. Teve até o incentivo do guarda vidas Bruno que disse que o treino foi “show de bola”.

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Flexibilização com Cautela

As recentes notícias de contaminação pela covid de pessoas prudentes como Cora Rónai e Mariliz Pereira Jorge, que acreditam no vírus, o respeitam, seguem os rituais de higienização, distanciamento social e uso de máscara, acendeu o sinal de alerta. Especialmente porque Mariliz faz parte do muito unido time dos abnegados devotos da natação, que estavam sofrendo horrores com a abstinência do período de quarentena e não viam a hora de cair na água. O problema é que a colunista da Folha e jornalista dos programas do canal MyNews pratica natação, assim como o Hélio de La Peña, em águas abertas, o que parece ser uma opção mais segura do que a daqueles que dão suas braçadas nas piscinas fechadas das academias de ginástica. Como medida de precaução, a opção tem sido comparecer à filial da BT do Città América, que possui mais raias e é bastante arejada por conta de extensas portas de correr que dão para uma área externa. Tem sido possível até cumprir uma metragem maior do que a que faço normalmente. Tomara que o caldeirão de água sanitária seja de fato eficaz na prevenção.

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Quem Lê tanta Resenha?

Por conta da pandemia uma vizinha se mandou daqui. Ao revirar a caixa de correio, veio a pergunta: quem lê tanta resenha opinativa?

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All You Need is Science

Charlotte e Sean em um Tiny Desk Concert na National Public Radio (NPR)

Sempre comentei com os professores de física que conheci que um caminho, a meu ver interessante, para despertar o gosto dos alunos que têm certa aversão à cadeira que cuida de questões espinhosas e aparentemente desprovidas de razão de ser como a propagação de ondas, a relação espaço/tempo e a troca de energia entre corpos, seria propor a leitura de um livrinho diminuto que é uma delícia. A obra “Uma Breve História do Tempo”, além de nos explicar aonde estamos e por que, de uma perspectiva cosmológica, chegamos aqui, esclarece uma série de conceitos complexos enquanto nos instrui sobre alguns aspectos fundamentais da física. Me lembrei disso ao conhecer algumas composições de Sean Lennon e de sua mulher e parceira Charlotte Kemp Muhl e ser informado que o filho de John e Yoko frequentou escolas de excelência na Suiça, nos Estados Unidos e chegou mesmo a cursar antropologia na Universidade de Columbia. Se fosse vivo, Lennon estaria com toda certeza contente com o talento musical do filho (muito distinto do seu) e feliz da vida por saber que valeu a pena bancar o estudo em instituições renomadas. “Shröedinger´s Cat”, “Dark Matter and White Noise”, não parecem título de música, mas foram os escolhidos para designar algumas das composições da dupla Sean/Charlotte que falam sobre Sócrates, Aristóteles, Freud e, claro, Stephen Hawking. Com instrumentos simplórios que lembram brinquedos de criança, a dupla se sai muito bem explorando a ciência como espaço lúdico e de quebra ainda nos levam em visita ao Jardim de Luxemburgo, pertinho ali da Sorbonne.

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Febre Paralâmica

A Homenagem dos Integrantes da União Brasileira dos Compositores

Um outro fã-clube que está em alta aqui em casa, mais até do que o de Sean e John Lennon, é aquele dedicado aos Paralamas do Sucesso. Isso significa ter de assistir a todas as apresentações remotas que os PDS têm feito. E são lives que eu conheço bem, pois as venho acompanhando desde que se iniciaram lá na Souza Lima no apartamento de uma ex-funcionária do Banco do Brasil que, agora sabemos, levava sempre o Bi Ribeiro como companhia para checar o saldo de sua conta bancária na agência da Primeiro de Março do BB (hoje CCBB) em que trabalhou e em cujo belo hall de entrada o grupo se apresentou no último domingo.

As lives na casa da vovó Ondina apresentavam um repertório incipiente ao lado das músicas dos amigos (“Veraneio Vascaína”, a preferida, entre elas) e obviamente as versões do Police, a banda predileta da turma paralâmica desde sempre. Aliás, a primeira vez que ouvi alguma coisa do grupo foi através das covers que haviam gravado para as músicas da banda de Andy Summers e que tocavam sem parar no toca fitas do fusca do quarto Paralama, o então estudante de arquitetura José Fortes.

Os ensaios, com a participação esporádica de um segundo baixista, o fotógrafo Maurício Valladares, aconteciam em um quarto na lendária residência da vovó do Bi Ribeiro entre uma sessão e outra de clipes na sala de TV da família Vianna que ficava a poucos passos dali. A MTV ainda estava ligando seus transmissores nos Estados Unidos, seu foguete decolando para fixar a bandeira com o logo da emissora na lua, e nunca se imaginava que ela fosse chegar um dia ao Brasil. Mas já tínhamos o nosso VJ na pessoa do Hélder, o caçula entre os irmãos Vianna, que nos servia tudo aquilo que vinha gravando durante a semana: “Rock the Casbah”, do The Clash, “Save it for Later”, do The Beat, “Come on Eillen”, do Dexy´s Midnight Runners, “Rio”, do Duran Duran, “Never Say Never”, do Romeo Void (muitos entendidos achavam que essa era “a banda”; devaneios da juventude).

Tinha também os clips dos Sex Pistols, o grupo de Malcolm McLaren de acordo com um noviço antropólogo que, antes mesmo do funk, estava interessado no mundo punk carioca do Coquetel Molotov, da pista de skate de Campo Grande e do Dancy Méier. O futuro seguidor de Lévi-Strauss e Gilberto Velho, depois de revelar para a revista Pipoca Moderna de Ana Maria Baiana o “rock de Brasília”, vinha preparando um texto sobre os punks do subúrbio do Rio de Janeiro. Punks raiz, bem diferentes dos punks da Zona Sul encarnados por exemplo na figura do Pedro Ribeiro que frequentava a Feira Hippie de Ipanema para adquirir seus adereços punkófilos e rivalizar com o topete stray cats do irmão.

Num mini casiotone Herbert Vianna registrava suas primeiras melodias para trabalhar suas composições que um dia o consagrariam como compositor. Consagração que chega agora com o reconhecimento da própria classe no prêmio deste ano da União Brasileira de Compositores. Hermano Vianna prestou a justa homenagem ao irmão mais famoso na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo há algumas semanas. Não esqueceu também de lembrar da Maria Rolo, que esteve sempre presente junto à família e que faleceu há poucos meses. Ela achava uma graça danada nas coreografias do David Byrne para o clipe de “Once in a Lifetime” e, cotam, tietou muito durante uma visita do líder dos Talking Heads, em sua primeira passagem pelo Brasil. Hoje tem mais uma live dos Paralamas, às 19h estarão todos a postos por aqui.

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Festa para Lennon

O fã-clube aqui em casa avisa que sexta-feira John Lennon estaria completando 80 anos e que, para comemorar a data, a BBC Radio 2 preparou um show especial com Sean Ono Lennon ciceroneando um programa dividido em duas partes em que conversa sobre o pai com seu padrinho Elton John, com o irmão Julian e com Paul McCartney. Elton John lembra como foi a pessoa que teve o privilégio de reaproximar o casal John e Yoko, sendo indiretamente responsável pela chegada do afilhado ao mundo. Com Julian, Sean trata das alegrias e dificuldades de serem filhos de pessoa tão talentosa e tão idolatrada. E com Macca encerra-se a celebração com recordações sobre como os dois Beatles se conheceram. Há uma palinha de uma música inédita escrita pela dupla quando estava começando e intitulada “Just Fun” e com a qual os beatlemaníacos já estão em polvorosas. O programa pode ser ouvido no site da emissora inglesa durante o mês de outubro (no YouTube já existem cópias do programa, mas devem sumir em breve)

Link para a BBC Radio2

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Felinos da Gatolândia Petropolitana

“Olá, eu sou o Mish, filho da PiriCat com o Temer”

“E eu sou a Rapeize, meio-irmã do Mish. Sou filha da PiriCat com o Raposão”

“Aqui estamos, eu e a Marcellinha, ela tá levando uma bronca da mamãe PiriCat. Tínhamos só 2 meses. Marcellinha é uma irmãzinha que se mudou daqui. Ao fundo, está o Mish, bem pequenininho ainda.”

“Olha a Marcellinha já grande e a Olívia, filhas do Temer e do Bello Antônio. Nasceram em Petrô, mas hoje moram na casa da Isabel no Rio”

“Essa é a Kiki, outra filha do Bello Antônio. Ela também mora no Rio, na casa da Martinha”

“Eu sou a Chiquitita-Bardot. Não nasci aqui. Fui deixada no jardim muito machucada e fraquinha.

“Agora estou bem melhor. Eu sou a namorada do Mish”

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Chegaram pelo Correio (Combo: Livro e CD)

O livro veio com um bilhete como posfácio, assinado por uma das professoras de meu doutorado, que merece que se lance mão da liberdade de reproduzi-lo aqui.

(Posfácio de Heloísa Buarque de Hollanda para “Escoliose – Paralelismo Miúdo”, Garupa Edições (Modinhas, Baladas & Sonetos), 2020)

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