Despedida a Miguel Pereira

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Maria Silvia Camargo, colega de turma da PUC-RJ na década de 1980, deu a notícia do falecimento de um dos muitos e queridos professores universitários que tivemos. Miguel Pereira foi especial em minha passagem pela PUC porque respondeu pela orientação de minha monografia de final de curso sobre o cinema de Glauber Rocha. Era um entusiasta do tema. Uma pena que naquela época não tínhamos ainda um banco de monografias, dissertações e teses, caso contrário poderia voltar no túnel do tempo e ver como nos saímos. Depois disso viria a encontrá-lo nos corredores da Cultura Inglesa da Figueiredo Magalhães em Copacabana, ele como aluno e eu como professor. Morava no Bairro Peixoto, se não me engano, e continuava com a conversa despojada e sem afetação de sempre. Não apareço na foto abaixo que reúne outros colegas do período, todos ex-alunos que também tiveram algum contato com o crítico de cinema e, durante muitos anos, coordenador do curso de comunicação da Universidade.

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Dktr. Faustus e a Cachorrada Doentia em Fúria

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Fawcett em Foto de Lucas Henrique

Com alguns parceiros próximos em gosto e sensibilidade performática, fui assistir semana passada ao novo trabalho de Fausto Cardoso, “Cachorrada Doentia”, que passou em duas apresentações relâmpago pela Sala Baden Powell. Um dos integrantes da entourage, perturbado pelos efeitos da tirania da curvatura espaço-tempo, pediu ao taxista que o levasse ao Ricamar e conseguiu mesmo assim, para espanto geral, chegar ao seu destino. Fã de música progressiva ainda que com forte queda por metais pesados, queria ouvir seu hino favorito, “Facada Leite Moça”, que, para sua decepção, não estava no roteiro do espetáculo.

Mas o devoto de um prog-raiz teve certa compensação com a música “The Knife”, do Genesis da fase com Peter Gabriel, que surgiria em versos traduzidos e recitados na companhia de uma animação com a capa do disco “Trespass” em imagens projetadas por Jodele Larcher (responde pela parte visual da performance). Foi uma das muitas e ecléticas referências musicais que pontuaram a apresentação ao lado de “Born to Be Alive”, de Patrick Hernandez, “Staying Alive”, dos Bee Gees, e “Where Have All the Good Times Gone”, dos Kinks.

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Regininha Poltergeist acompanhada por um fã progressivo

Para minha própria surpresa, foi apenas o meu segundo contato ao vivo com a poesia de Fausto, o primeiro aconteceu em uma sala do Edifício Cardeal Leme na PUC, lá pelos idos de 1980. Não havia Kátia Flávia, não havia os Robôs Efêmeros, não havia a Falange Moulin Rouge, não havia as muitas louras que dali a pouco povoariam o palco de seus shows, embora já circulasse por lá a Fernanda Abreu. Ela fazia o curso de sociologia enquanto Fawcett se entregava à sua formação em comunicação social, muito bem orientado por Rosangela Araújo com quem tinha extrema afinidade, cativado, como outros alunos, pelas inspiradas aulas da professora de estética da comunicação. Naquela manhã na PUC, tínhamos Fausto nos vocais, o filósofo José Thomaz Brum nos teclados e dançarinas, entre elas a Claudinha Damasio. A verborragia já era a mesma e prenunciava a classe em criar lisérgicos flashes poéticos que marcaria seus escritos futuros.

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Foto de Lucas Henrique

Dos pilotis da PUC, fui esbarrar com ele nas redações da vida.  Certa vez naquela que segundo seu mais insolente editor, Rogério Durst, foi a pior revista de rock do Brasil. Fausto Cardoso tinha admiração por Robert Fripp e preparou um texto sobre o King Crimson, se não me falha a memória bem ao seu estilo, caótico, anárquico, fragmentário, e levou ao escritório da revista “Roll”, na rua Marechal Floriano, quer dizer, Marielle Franco, para ser publicado. Depois seguiríamos cruzando caminhos, ele divulgando seus shows e eu tentando fazer uns trocados para pagar as contas.

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Fausto, Carlos Laufer, Fabio Caldeira e Gabriela Camilo em Foto de Lucas Henrique

Desde então e até o “Cachorrada Doentia”, acompanhei Dkrt. Faustus portanto à distância através de suas mensagens enviadas pelo rádio, pelo toca disco, pelo CDplayer, pela tv, pelos livros e, mais recentemente, pelas suas manifestações naqueles que ele denomina como coliseus digitais, em que festejamos ou mandamos à degola, com nossos polegares pra cima e pra baixo, os partidários daquilo que aprovamos/repudiamos.

Para efeito dos registros da ciência da literatura, é o próprio autor no programa do espetáculo que qualifica a sua prosa eloquente e difusa como “ficção-científica psicodélica”, informada por um aqui e agora que é atacado de maneira implacável e sem misericórdia (compaixão ali, só pelo diabo). Não por acaso é o poeta que nos alerta durante uma passagem do show: “O Brasil é um abismo que nunca chega. Um lugar cheio de vertigens sociais e mentais crônicas”. É o que constata ao lado de seus personagens, como o Pedagogo Fantasma,  que aparece como um dos muitos gnósticos movidos pelo pentagrama da desova esotérica a participar da já em curso quarta guerra mundial, depois de duas guerras quentes e uma fria, como nos informa o performer.

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Gabriela Camilo em Foto de Lucas Henrique

Além do Pedagogo, há os Monges do Funk Interior, que atuam em vagãos de trem do subúrbio, assim como a Garota Fugitiva, ambos reclusos em seus mundos com fones de ouvido, representantes que são da geração y. Junto com eles estão também aqueles que Fausto identificou planeta afora como  praticantes de um baile comandado por veteranas do pole dance (do Crazy Horse, do Moulin Rouge,  das discotecas) em busca de um prêmio qualquer (green card, cirurgia, emprego). E ainda,  o Videogamer Xamã, a líder banguense de uma Jihad da Zona Oeste, Patricinhas Vorazes e as Damas do BigData, estas últimas dedicadas ao viciante e danoso consumo do “crack Vuitton”.

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Fabio Caldeira em Foto de Lucas Henrique

Fausto esteve acompanhado em cena por dois novos parceiros, o casal de músicos Gabriela Camilo e Fabio Caldeira, que assinaram junto com Carlos Laufer as composições. Sempre tive como termo de comparação para o tom recitativo de suas intervenções no palco a pessoa de Mark E. Smith. A qualidade das narrativas de Fausto supera de longe as de Mark Smith, embora o ex-líder do The Fall se saia melhor como cantor. Com Fernanda Abreu, vimos como a alternância de vocais torna mais vigorosa a plataforma de lançamento para a deflagração da prosa de Fausto Fawcett e a intercalação com outras vozes talvez tornasse tudo ainda mais arrebatador. É uma sugestão.

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Os temas das performances de Fausto Fawcett têm sido sempre retrabalhados por sua escrita e apresentados de forma mais elaborada em edição para o mercado livreiro. Isso aconteceu com “Santa Clara Poltergeist” (Editora Eco, 1990), “Básico Instinto” (Relume Dumará, 1992) e “Favelost” (Martins Fontes, 2012), a mais bem acabada de suas apostas no campo literário. Parece que o mesmo se repetirá agora. Aguardemos.

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Mapa do amigo João Bastos de Mattos, pra ninguém se perder em Favelost

Ps. Fotos do show “Cachorrada Doentia” gentilmente cedidas por Lucas Henrique para esta postagem.

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O Vício em Jane

“Been Caught Stealing” com muito groove

Nunca fui um admirador de primeira hora do Jane´s Addiction. Só comecei a gostar do trabalho de Perry Farrell, quando ele partiu para formar o Porno for Pyros, a quem fui apresentado pelo amigo Beto Fae. O impacto de seu domínio de voz em um dos especiais da MTV em clima acústico foi arrebatador. Anos depois surgiria um disco pesado da segunda fase do Jane´s Addiction que me tornou fã. Chamava-se “Strays” e é até hoje uma das minhas trilhas favoritas de verão. Estão com Farrel, o parceiro e guitarrista Dave Navarro, o baixista Chris Chaney e o baterista Stephen Perkins. Todos afiadíssimos.

Uma das boas faixas do ótimo “Strays” 

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GeribArpex, GeribaNema, GeribaCopa

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A temporada em Búzios este ano aconteceu mais cedo. Aos viajantes que procuram o destino das praias da região dos lagos, a recomendação é evitar o período logo depois das festas de fim de ano. Geribá, por exemplo, estava cheia e com rescaldo dos eventos do período do réveillon com direito a show e festas no Fishbone a partir das 3 horas da tarde. Pela manhã bem cedo era possível ver a contrariedade e irritação dos moradores com a quantidade inacreditável de lixo e sujeira deixados.

Comparativamente com Le Relais Laborie e Maravista, a pousada Corais e Conchas, distante uns 200 metros da praia e dedicada aos veranistas que viajam com crianças, fica devendo às outras duas que estão localizadas de frente para o mar. A qualidade das acomodações porém é semelhante em todas as pousadas. O diferencial é o serviço de restaurante da Corais e Conchas. Imbatível, supera de longe em sua variedade de pratos, servidos com o máximo de capricho.

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Typographia Caseira

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Saindo a edição artesanal de meu livrinho “O Lacan da Lapa e Outras Histórias”.  Aos assinantes interessados em ter a sua cópia, pede-se que mandem mensagem por e-mail com endereço e CEP. O livrinho será enviado à sua residência sem custo algum. Cortesia de fim de ano deste blogue. Boas entradas e um excelente ano de 2019 para todos.

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Hora de Desejar Feliz Natal e Boas Festas aos Leitores

A teoria do mais velho de meus dois sobrinhos, músico por formação, é que John Lennon é sempre melhor e mesmo insuperável com John Lennon. Apesar disso, vale a pena abrir espaço com alguma condescendência para a versão de Miley Cyrus para uma das célebres composições do inglês de alma nova-iorquina. A licença acontece porque Miley Cirus se encontrou como cantora e vem acompanhada pelo queridinho da Carolina Landi, Sean Ono Lennon.

Happy Xmas (War is Over) — Miley Cyrus feat. Sean

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Tempestade Brasuca

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Jessé Mendes e o troféu da Tríplice Coroa

Foi o ano da consagração definitiva do surfe brasileiro. Das onze etapas da Liga Mundial, nove foram ganhas por atletas brasucas e Gabriel Medina fechou a temporada vencendo finalmente, depois de ser vice por duas vezes (em 2014 e 2015), a rodada mais cobiçada do circuito, o Pipe Masters, disputado em Banzai Pipeline, costa norte da ilha de Oahu no Havaí. O mais importante feito de Medina, no entanto, foi o bicampeonato Mundial, sendo o primeiro brasileiro a gozar desta honraria. Também fizeram bonito Filipe Toledo e Ítalo Ferreria (3o. e 4o colocados em todo o tour), além de Willian Cardoso, Michael Rodrigues, Adriano de Souza e Yago Dora, que ficaram entre os 22 melhores ranqueados, garantindo assim vaga para a temporada de 2019.

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E tivemos também Jessé Mendes, faturando a tríplice coroa havaiana depois de ser vice na praia de Sunset e conseguir ficar melhor posicionado no Pipe Masters, superando assim Joe Parkinson (o outro candidato ao título). Dando mais força ao swell da Brazilian Storm, Peterson Crisanto e Deivid Silva passaram pelo qualifying e também estarão no tour do ano que vem. O novato Mateus Herdy, de apenas 17 anos, que acabou em segundo lugar atrás do veterano Joe Parkinson no Hawaii Pro, segundo evento da tríplice coroa havaiana (o terceiro é o Pipe Masters), se sagrou de qualquer jeito o campeão Mundial Pro junior e é uma promessa para o ano de 2020.

Passeio no North Shore com Ítalo Ferreira

As ondas de Pipeline estão entre as mais fotografadas do planeta, contemplá-las já é um passatempo e tanto, mas ver o que Gabriel Medina, “cool as a cucumber” segundo os narradores da WSL, faz com elas, bem como Kelly Slater, que aos 46 anos chegou à seminfinal, é de surpreender qualquer um.

Fora da água, Medina tem ainda mostrado maturidade profissional aliada a responsabilidade social. Um surfista como Filipe Toledo, por exemplo, optou por fazer carreira fora do Brasil e vive, ainda que modestamente com todos os familiares na mesma casa, na California. Medina escolheu seguir por aqui mesmo e abriu em 2017 o seu instituto em Maresias, onde recebe crianças com aptidão para o esporte para praticarem natação, ginástica, inglês e surfe, naturalmente, com vistas a prepará-los para  competirem. Detalhe fundamental: tudo feito com o apoio de empresas que acreditam na iniciativa.

Há dois anos estava em Geribá, Búzios, em janeiro, e por lá apareceu o padastro de Medina, Charles Saldanha, que acompanhava atletas que competiam em provas para iniciantes. Toda a entourage de Medina parece portanto estar se dedicando ao projeto. Quando possível, o próprio Medina afirma fazer questão de treinar nas instalações de sua academia, situada de frente para o mar e próxima à sua casa, para estar ao lado dos atletas novatos, mostrando a importância de uma boa preparação. Outro que mantém raízes fortes por aqui é o potiguar Ítalo Ferreira. Ainda que não tenha alcançado a projeção de Medina, apesar de ter ganho 3 das etapas do circuito esse ano, retorna sempre à sua cidade natal, Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, em qualquer brecha do tour.

O Instituto Gabriel Medina em Maresias

A turma do “broadcast yourself” realizou uma cobertura abrangente de todas as competições que aconteceram no Havaí neste mês de dezembro fechando o calendário do esporte. O canal Off entrou ao vivo com drone e câmeras na praia levando os interessados pelo esporte a poder acompanhar as competições e seus bastidores de perto. Os canais Woohoo e Série ao Fundo também ajudaram com imagens e coberturas exclusivas e fora das transmissões da WSL, embora precisem entender que a instantaneidade da comunicação pede imperativamente hoje as “lives”. Vejamos como eles se saem em 2019.

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Os Desocupados que Não têm Funcionários Pendurados em Gabinete no Rio de Janeiro e em Brasília

Tese Onze — Vlogue de Sabrina Fernandes

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Rindo para Não Chorar…

GregNews Especial de Fim de Ano

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Música, Quando Vozes Punk Desaparecem, Vibram na Memória

Captura de tela inteira 06122018 230335Redes socias (através do twitter oficial dos Buzzcocks) e a mídia digital (na página do New Musical Express) anunciam a morte, hoje pela manhã, na Estônia, onde vivia, do queridíssimo Pete Shelley. Tinha 63 anos apenas e sofreu um ataque cardíaco ao que tudo indica. Além da carreira à frente dos Buzzcocks, fui entusiasta de suas investidas solo. Cheguei a vê-lo com os Buzzcocks em 1995 na rua Ceará (ou Searattle, como preferia a nação grunge de então) entre a Praça da Bandeira e a região do Mangue. Pete Shelley e Steve Diggle chegaram para o show espremidos com sua entourage em uma van. Desembarcaram na porta da especulanca em que não cabiam 100 pessoas e fizeram um showzaço. No Rio, viriam em uma segunda oportunidade em 2001 para mais uma apresentação, desta vez no Cine Íris. Essa, infelizmente, só pude ver em um especial da DirecTV (programadora favorita da época).

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Depois da interrupção da trajetória dos Buzzcocks para arriscar uma carreira solo, Pete Shelley voltaria sempre à ativa com seu grupo de toda a vida de forma improvisada como pede o espírito de toda banda punk. Em 2014, lançaram o álbum “The Way”, com a mesma pegada característica. Fizeram seu último show no dia 25 de agosto em Belfast, na Irlanda do Norte. Vai deixar muita saudade obviamente. Os dois primeiros álbuns dos Buzzcocks estão programados para sair em uma edição de aniversário de 40 anos em janeiro de 2019.

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Pete Shelley Solo

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