Algumas acham que é um autor misógino, outros que sua obra não tem densidade para rivalizar com a de um Bandeira, um Drummond, um Quintana, um Cabral de Mello Neto. Vou deixar essa e outras discussões, no entanto, para os entendidos na obra do autor de “A Invenção de Orfeu”. Fiquemos apenas com aquele poeminha assinado pelo companheiro de incursões literárias de Murilo Mendes que todo nadador, que se dedica a dar suas braçadas com gosto, não deixará de entender e apreciar plenamente. Especialmente aqueles que estão há quase 3 meses sem ver a cor de uma piscina.
Enquanto a pandemia segue exibindo sua face trágica, sinistra, funesta, ceifando um número inacreditável de pessoas por aqui e pelo mundo, a semana passada tratou de levar três grandes nomes da cultura brasileira. Gregório Duvivier fez uma bela homenagem ao Moraes Moreira em sua crônica de quarta-feira na Folha de São Paulo. O autor da cartografia afetiva do Rio de Janeiro inaugurou mais um espaço em nosso imaginário: o da Panificadora Ilimitada Moraes Moreira, Pães e Sonhos, na Gávea.
Como o Gregório, imagino que muita gente também começou a tocar violão na ilusão de que um dia conseguiria imitar o compositor dos Novos Baianos em sua destreza com o instrumento. Vagamos nessa quimera sem nos darmos conta que Moraes Moreira e João Gilberto são dois dos mais insuperáveis gênios em harmonização de acompanhamento que o Brasil conheceu (Heitor Villa-Lobos, João Pernambuco e Garoto ficam para uma outra categoria de virtuoses ao violão).
Na rádio-vitrola Belair vermelha de minha irmã mais velha, o “É Ferro na Boneca”, disco de estreia do grupo de Moraes, se alternava com o Tom Zé do LP com “Jimmy, Renda-se” e “Guindaste a Rigor”, o “Sgt. Pepper´s”, a Tropicália do “Panis et Circensis” e os álbuns dos Mutantes. Por essa época já devia estar acontecendo o badalado encontro de João Gilberto com Moraes e os Novos Baianos, encontro que marcaria uma mudança radical na sonoridade do grupo e que daria na criação do clássico “Acabou Chorare”.
Moraes Moreira e sua trupe conheceram João Gilberto por conta do poeta Luís Dias Galvão, parceiro constante e exclusivo do começo da carreira do compositor de Ituaçu. Galvão, que como João nasceu na cidade de Juazeiro, ao norte da Bahia quase na divisa com Pernambuco, foi amigo do excêntrico violonista da Bossa Nova durante toda a vida. No show de João Gilberto no Theatro Municipal, em 2008, era possível vê-lo na platéia aproveitando aquela que seria a derradeira apresentação pública do intérprete maior dos clássicos bossanovistas.
Essa conversa toda sobre os baianos me traz à memória a pessoa do Rogê (certamente, Roger no nome de batismo, mas era assim que era tratado). Estamos no ano de 1977, na turma do 2o. ano do Ensino Médio do Colégio Andrews da Praia de Botafogo. O colega de classe Rogê era filho de um cineasta baiano que tinha sido assistente de Glauber Rocha e que produzia na Bahia, não sei se como ocupação de verdade ou por diletantismo, filmes de ficção-científica de baixo orçamento com cenografia improvisada (gravavam nas dunas recorrendo a tudo quanto era quinquilharia para o cenário). Nunca consegui descobrir de quem se tratava.
O Rogê lembrava fisicamente o Caetano Veloso (vejam a capa do segundo disco do compositor, de 1968, depois do LP de estreia com Gal Costa). Tinha o cabelo encaracolado e o usava ao natural, sempre despenteado. Era calado, introspectivo, quase introvertido, e tinha a fala mansa. Sentava na primeira fileira de carteiras e era o melhor aluno da turma em todas as disciplinas, arrancando elogios de todos os professores. Eu sentava na última fileira, tinha as piores notas, mas a amizade com o Rogê fazia com que ele me convidasse para ir à sua casa na Paula Freitas estudar na parte da tarde. Lá, eu conheci sua irmã, que tinha nome de música de Dorival Caymmi (Marina), e sua avó que nos servia bolo no intervalo dos estudos.
Nossas aulas de sábado no Andrews iam até o meio-dia. Às 15h eu já estava na Concha Acústica da UFRJ para assistir aos shows de Moraes Moreira. No anfiteatro da Universidade com o charme dos lugares a céu aberto, Moraes passava as composições que preparava para seu terceiro disco solo, “Alto Falante”, músicas que assinava com seus novos parceiros-letristas, os poetas Abel Silva, Fausto Nilo e Chacal. Tinha o acompanhamento do violão de Pepeu Gomes e do bandolim de Armandinho, que improvisavam solos acrescentando beleza às músicas. Levava meu gravador portátil à pilha e registrava todos esses shows em fita cassete. Encontrava frequentemente a Marina por lá, mas o Rogê nunca deu as caras.
Além de Moraes Moreira, a semana passada levou o escritor Rubem Fonseca. Gosto bastante da prosa do autor juiz-forano, mas não chego a ser um dos devotos que rezam diariamente na Igreja de São Rubem Fonseca, como os dedicados fãs Arthur Dapieve, Toni Belloto e Sérgio Rodrigues. Implico com o fato de os protagonistas do autor estarem sempre no seu canto, esquecidos de tudo, quando uma personagem gostosona bate, toda oferecida, à porta deles querendo conhecê-los.
Confesso que não li em profundidade a obra do escritor, mas concordo com a avaliação do artigo de quinta-feira passada do Sérgio Rodrigues que chamou a atenção para o fato de que os escritos de Zé Rubem não são apenas obras de um autor de “romances policiais”. Têm, por suas inovações narrativas, importância bem maior que esta. De qualquer jeito, como o “romance policial” não é o meu filão predileto, não posso falar muito. Não tenho nem leitura das obras de Luiz Alfredo Garcia-Roza, por exemplo. Os artigos de Raphael Montes em O Globo e de Ubiratan Brasil no Estadão, sobre a pessoa do ficcionista temporão e sua trajetória, funcionaram como um convite irresistível. Preciso começar por “O Silêncio da Chuva” e ver até aonde vou pelas ruas de Copacabana em companhia do detetive Espinosa.
Da dissidência aqui em casa vem o comentário de desdém acompanhado por ar de enfado:”É sempre a mesma coisa”. Não custa, no entanto, tentar argumentar com as vozes que protestam. Dos discos lançados na última década pelos Strokes, “Angles” (2011) foi bem razoável assim como o EP “Future Present Past” (2016). “Coming Down Machine” (2013) talvez tenha sido o único e categórico tiro n´água. Tudo bem, nenhum deles conseguiu se equiparar ao “First Impressions of Earth” (2006) e sempre que aparece um disco novo dos Strokes temos vontade de fazer aquela pergunta fundamental: “Is this it?”. Vale lembrar porém que o Julian Casablancas andou desperdiçando talento tanto em carreira solo como apostando no The Voidz. “The New Abnormal” segue com a pegada eletrônica das últimas apostas do grupo em mais um mergulho do quinteto nova-iorquino no pop oitentista (parece ser uma obsessão de Casablancas) e dá com folga pro gasto, especialmente para quem está procurando o que fazer em tempos de confinamento.
Há muitas dúvidas em relação aos reais números da pandemia do coronavírus na China com possíveis subnotificações, mas os documentários que se seguem mostram como as medidas restritivas e de controle em um país com governo central forte parecem ter funcionado de maneira muita mais eficaz do que aquelas tomadas em Estados com democracias plenas, onde a liberdade do cidadão não permite que o submetam a restrições rigorosas. O jornalista francês Sébastien Le Belzic, nascido em 1971, que vive na China desde 2007, casado com uma chinesa e morador de Pequim, nos apresenta, em “China: Diário de uma Quarentena”, o regime de cerceamento por que sua família passou durante o período de confinamento na capital do país desde meados de janeiro.
Repassando a cronologia, sabemos que, no dia 31 de dezembro, a China comunicou à Organização Mundial da Saúde sobre o surgimento da doença causada pelo coronavírus identificada semanas antes pelo doutor Li Wenliang, que foi de início desacreditado pelas autoridades chineses – Wenliang viria a contrair o vírus e morreria da doença em fevereiro, aos 33 anos. No mês de janeiro, surgiu o primeiro caso de morte como consequência do coronavírus, ocorrido em Wuhan no dia 7. A ele se seguiram a identificação de ocorrências do vírus na Tailândia (dia 13), Japão (dia 16), Coréia do Sul (dia 20) e Estados Unidos (dia 21).
O confinamento no epicentro da crise em Wuhan, na província de Hubei, começou no dia 23 de janeiro, quando foram também cancelados vôos e serviços de trem, ônibus e barco. Agora sabemos que por essa época o vírus já dera ensejo a deflagração de uma pandemia que havia se espalhado pelo mundo. O vírus intensificou logo em seguida a contaminação ao redor do globo.
O que impressiona nos documentários é a maneira como a sociedade chinesa está à frente, comparativamente com outros países, no domínio e uso das novas tecnologias para fazer o controle e enfrentamento dos desafios de uma pandemia que se alastra com rapidez impressionante, algo que o mundo só tinha experimentado na história recente com a Gripe Espanhola de 1918. George Orwell entraria em desespero e teria chiliques com a fiscalização exercida por forças de segurança chinesas que, de forma policialesca, cuidam da vigilância através de códigos e documentos que identificam, fazem o monitoramento e acompanham cada cidadão. Mas há talvez um lado positivo nos sensores de temperatura disseminados que tem o papel fundamental de assinalar eventuais pessoas com sinais do vírus e nos apps em rede que compartilham e apontam os acometidos pela doença e o grau em que ela se encontra na vizinhança.
A construção daquele hospital gigante em três dias em Wuhan, deixou o mundo sem entender o que estava acontecendo. Hoje ficou claro que era fundamental e que todos os países deveriam ter seguido o exemplo. Impressionou no começo da pandemia da mesma forma, a preocupação com os médicos e enfermeiros, que surgiram com vestimentas sofisticadas, invólucros que os protegiam por completo. Vendo os profissionais de saúde europeus, a diferença se mostraria gritante ainda que possamos admitir que as imagens da China não mostrem a realidade nas emergências dos hospitais.
As coletivas da Força Tarefa dos Estados Unidos tem me passado a impressão de dois profissionais, os doutores Fauci e Birx, que lideram a equipe, assustados com a situação que estão encarando e com as perspectivas do que virá em poucas semanas. As coletivas brasileiras trazem dados muito pouco confiáveis e se perdem em considerações desnecessárias para o entendimento real e um ataque de maneira prática ao problema.
Nos Estados Unidos, o engajamento de prefeitos e governadores na tomada de decisões e apresentação de considerações pertinentes ao andamento do que está sendo feito contrastam com o alheamento das autoridades brasileiras, mesmo aquelas que pareciam engajadas no começo. Tudo deu a impressão de ser mais jogo de cena político do que interesse real pela gravidade da situação. O quadro que se desenha será difícil nos Estados Unidos e talvez catastrófico no Brasil. Resta torcer para que a aclimatação do vírus em zonas tropicais se mostre desfavorável à sua disseminação ou que ele perca força de alguma maneira. Hoje já passamos de 1 milhão de casos e mais de 50 mil mortos no mundo.
Muito boa e rica em perspectivas a entrevista do Atila Iamarino no Roda Viva desta semana. Não supunha que pudéssemos ir tão longe, pois, ainda que tivesse visto e gostado de suas postagens sobre o coronavírus em seu canal de divulgação científica no YouTube, imaginei que, por ser muito jovem (concluiu sua graduação em 2006) e ter publicado apenas textos avulsos e não possuir nenhum livro editado, isso fosse ser uma limitação. Não foi, no entanto, o caso. Resta saber o que a comunidade científica e os doutores Anthony Fauci e Deborah Birx têm a dizer sobre o cenário que foi desenhado em detalhe pelo noviço pesquisador.
Depois da coletiva da Força Tarefa na Casa Branca hoje, ficou claro que houve pelos menos uma avaliação débil e inábil por parte das autoridades americanas em relação ao surto quando ele começou na China. Chamar de “vírus chinês” e proibir a entrada de visitantes do país asiático nos Estados Unidos não resolveu nada. Seria melhor levar a sério os alertas das entidades sanitárias chinesas e ter tentado entender junto com elas o que estava acontecendo. Quanto a Força Tarefa Brasileira, ela segue batendo cabeça com o demente mentecapto e tendo que trabalhar com números nada confiáveis.
Antes de falarmos dos Grandes Mestres (GMs) do xadrez brasileiro, deve-se fazer uma deferência especial a Julio Lapertosa, que criou em Belzonte a Casa do Xadrez para incentivar a garotada a se iniciar no jogo e para acolher os que têm gosto pelo assunto. Julio é um Mestre Nacional, mas tem pontuação no chess.com, onde joga com o apelido de Monstertube (com o ícone ilustrativo de seu gatinho Ozzy), de Mestre Internacional. Está à frente de enxadristas desta categoria como Anna Rudolf, por exemplo. Rompeu a barreira dos 2100 pontos, o que é um feito.
A pontuação do chess.com não tem obviamente a autoridade e o respaldo legal daquele registrado pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE, de Fédération Internationale des Échecs), mas não deixa de ser bem fidedigno. O americano Hikaru Namura, que está entre os 10 melhores do mundo e que é o 2o. melhor jogador de xadrez em modo blitz, lidera a lista do site, na qual Magnus Carlsen não aparece por ser jogador exclusivo do chess24.com.
No ranking da imagem abaixo, vemos aqueles que aceitaram minha solicitação de amizade, como o americano Hikaru Nakamura, o canadense Eric Hansen e o brasileiro Krikor Mekhitarian (tem ascendência armênia e já foi treinado por Levon Aronian), todos com pontuação FIDE bem acima de 2500. Nakamura tem 2736, Hansen, 2606, e Mekhitarian, 2548. Mestres Internacionais como John Bartholomew (Fins0905) e Daniel Rensch, que comanda o chess.com, aparecem em seguida e apresentam rating FIDE abaixo de 2500.
Possuo 5 perfis, que estão todos enfileirados entre o 12o. e 16o. lugares de minha lista de amigos. Sou o GMDuchamp, em homenagem à paixão do artista plástico francês pelo jogo, GMPedroPinto, para poder enfrentar o meu sobrinho, o único na família que tem um pouco de gosto por partidas, e GMGodart/Godart, em respeito ao Deus de todas as artes. Fico na casa dos 1500 pontos e nunca consegui romper a barreira dos 1600. O colega dos tempos de redação Luciano Trigo já adentrou a margem dos 1600 e segue lutando para chegar aos 1700.
Passemos aos Grandes Mestres brasileiros. São 14 no total. Uma grande parte deles como Rafael Leitão, o já mencionado Krikor Mekhitarian e Evandro Barbosa, com sites na Internet e canais no YouTube. Em seu site, o enxadrista número 1 brasileiro, Rafael Leitão, enumera e conta um pouco da história dos 13 companheiros que como ele conseguiram alcançar o título de Grandes Mestres. Krikor e Evandro estão com canais no YouTube com postagens educativas e “lives” semanais em que jogam com seus assinantes e com jogadores bem colocados no chess.com, lichess.org e ICC. Krikor responde ainda pela administração do canal em português do chess.com. Recentemente, Mekhitarian comandou a cobertura do torneio de candidatos que irá escolher qual o adversário de Magnus Carlsen na disputa pelo título mundial no final deste ano. O torneio foi interrompido na terça-feira passada na 7a. rodada por causa do Coronavírus e não se sabe quando e como retornará.
Para finalizar falemos de um jogador divertidíssimo que não é GM, mas joga muito xadrez e poderia chegar a pelo menos Mestre Internacional se quisesse. Trata-se do Raffael Chess, um sulista que domina o jogo a ponto de conseguir enfrentar vários opositores sem estar olhando para o tabuleiro e que nos entretem com suas capivaradas, seus “mates com tomates”, suas “grobildas”. Uma de suas séries está tentando ver até aonde ele consegue ir usando a Grob, uma abertura marota que nenhum jogador se atreveria a recorrer. O desafio é testar até que nível de rating ela funciona.
Ps. Para que não haja confusão, informou que o título da postagem passada, “Mister Simpatia”, se referia ao John Bartholomew, como imagino o leitor tenha concluído sem titubear.
A história de John Bartholomew (ou Fins) é um pouco diferente da de Sean Godley. Ele é americano de Minnesota, faz apresentações em jogos simultâneos e trabalha ensinando xadrez para jovens enxadristas em colônias de férias nos Estados Unidos. Conseguiu se tornar um Mestre Internacional (IM) e tem aquela habilidade rara que todo jogador de xadrez com algum talento possui que é a de jogar contra vários oponentes de olhos vendados. Aos 33 anos, não tendo completado sua norma para se tornar um Grande Mestre (GM), o que não é fácil, John acabou desistindo do assunto, opção recomendável pois pouco acrescenta ter esse título quando nos aproximamos dos 40 anos. Com mais de 100 mil seguidores em seu canal inaugurado em 2014 no YouTube, John montou um site para quem gosta de criar, estudar e se especializar em repertórios de aberturas, bem como treinar situações de meio e fim de jogo. O Chessable foi uma grande sacada e uma novidade. Fez tanto sucesso que foi comprado pelo Chess24.com, o site que tem Magnus Carlsen, número 1 do mundo há anos, como seu garoto propaganda. John passou também a jogar com exclusividade com os assinantes do site, uma maneira de trazer os inscritos em seu canal no YouTube e que o acompanhavam no chess.com para a concorrência.
Diante das restrições exigidas pelo confinamento, pela quarentena, pela reclusão, nada como nos ocuparmos com um joguinho de xadrez comentado. Vamos a alguns daqueles que são os melhores dos quais dispomos para nos servir. Há uns anos gravei um vlogue no que imaginava seria a postagem inaugural de uma série dedicada ao mais desafiador dos jogos pensados (sei que tem gente que vai dizer que o Bridge é que merece essa honra, mas, entre os jogos de cartas, prefiro o displicente “Bridge de botequim”, também conhecido como King). Diante de tantos e interessantes comentadores de xadrez com seus canais no YouTube, no entanto, acabei desistindo da ideia. Dentre os primeiros que acompanhei, e ao qual volto com frequência, está aquele do irlandês Sean Godley.
Ele é poeta, seguiu a carreira acadêmica, mas, agora vejo, atualmente mora no Canadá e trabalha como escritor técnico com foco em programas para computador. Godley é um aficcionado por xadrez e comentou o assunto com uma classe sem igual em seu canal entre abril de 2009 e novembro de 2014. Encerrou suas postagens, imagino, porque todos temos que cuidar da vida uma hora ou outra. Quando parou, seu canal somava 11 mil inscritos, se não me falha a memória, o que hoje não é nada, mas na época era muito.
Uma das razões para ele se distanciar do xadrez (ele tentou, sem sucesso, criar um site, o “Killegar Chess”) é que, ainda que seja um excelente comentador capaz de fornecer bem pesquisados históricos e informações apuradas para cada partida que comenta, Sean jogava apenas em clubes pequenos e nunca se tornou um jogador profissional. Difere portanto de Mestres Internacionais e Grandes Mestres que vivem disso e que, seguindo a trilha inaugurada pelo irlandês, também partiram para a abertura de canais ou para trabalharem com sites de xadrez como o chess.com, o International Chess Club (ICC) e o chess24.com.
Suas postagens estão de qualquer maneira disponíveis em seu canal que hoje soma 13 mil seguidores depois de estar há 6 anos parado e sem nenhuma nova postagem. São do tempo em que cada vídeo não podia durar mais do que 15 minutos, o que levava Godley às vezes a dividir suas observações sobre cada partida comentada em duas, três partes. Para suas análises recorria ao Fritz, um programa de computador que seria superado por Komodo, Stockfish e AlphaZero. Vou indicar duas séries de suas muitas e ótimas playlists: a dedicada às obras primas do americano Bob Fischer e às do cubano José Raúl Capablanca. Godley tem séries curtas sobre armadilhas que funcionam em jogos descompromissados em modo blitz e uma dedicada ao sistema de Aron Nimzowitsch, autor de “Meu Sistema” e introdutor entre profissionais de uma abertura hipermoderna, a “defesa nimzoíndia”.
Com fontes mais fidedignas e restritas, a Universidade de Johns Hopkins na cidade de Baltimore em Maryland apresenta seu mapa do COVID-19 em tempo real com números mais modestos sobre o avanço da doença. Suas fontes são a Organização Mundial da Saúde, os Centros Norte-Americano e Europeu para Controle e Prevenção de Doenças e a Comissão Nacional de Saúde da República Popular da China.
Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.