O Abril Negro do Capetão

Foto de Marcio França (trainee na escola de Lucas Landau)

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Parceiros da Fauna e da Flora

William Menq, ornitólogo, mestre em Zoologia pela Universidade Estadual de Londrina

Deve haver uma teoria e certamente nós simplesmente ainda não nos demos conta dela de tão evidente, manifesta e incontestável que deva ser. Devemos estar aguardando apenas que surja um naturalista para dizer que a explicação está diante de nossos olhos, nós é que não a vemos pois nos falta desprendimento para constatar o que é por demais óbvio (óbvio ululante, diria o outro). Tão palpável e perceptível quanto a teoria da origem das espécies por meio da seleção natural. Refiro-me a uma teoria que explique a razão pela qual todo biólogo é gente boa. Durante a pandemia, por exemplo, surgiu do nada a pessoa do Atila Iamarino, um completo desconhecido, um ilustre anônimo. E em dois minutos, ele se tornou o queridinho de todos. No YouTube, na TV convencional, nos canais pagos, nos jornais, nos podcasts do Xadrez Verbal. Aonde quer que ele fosse, virou a voz da razão, informada, tranquila, despojada, que todos queriam ouvir.

O primeiro biólogo que conheci atendia pelo nome de Paulinho McCartney. Era assim tratado, imagino, única e exclusivamente por causa da coincidência do nome já que, ainda que também se interessasse por besouros, não se tratava particularmente de nenhum fã dos Beatles. O encontrava todo dia às 6h50 da manhã na Leopoldo Miguez em Copacabana a caminho do cursinho pré-vestibular. O encontro acontecia cedo, porque o Paulinho precisava fumar o seu baseado antes do começo de cada turno de aula. Era um adepto das drogas alucinógenas, assim como o Bruno Torturra. Mas sem pose, sem maiores explicações. Era assim, porque era assim e ponto final. Eu não compartilhava o interesse pelas drogas que ele consumia, mas a companhia do Paulinho era inspiradora. Gostava de poesia e tinha Fernando Pessoa e Pablo Neruda como seus autores favoritos.

Nas areias do posto cinco, durante as peladas de sábado à tarde, seu passe vivia sendo disputado pelos donos dos times, pois era um craque do futebol sem chuteiras. Discreto e reservado, nas férias gostava de ir pra Saquarema colher papoulas, cogumelos e preparar seus chás que consumia ao som de Jimmy Hendrix, Allman Brothers e que tais. Foi pai muito jovem, aos 17 anos. Aos 35, já tinha partido. Sofria como sua mãe, com quem morava na rua Souza Lima, de uma doença degenerativa que a levou cedo e depois se manifestaria e consumiria seu único filho.

Depois do Paulinho, vim a conhecer alguns outros exemplares típicos dessa classe nobilíssima dos entendidos em assuntos da natureza. Um deles era o Fred, professor de um cursinho onde trabalhei. Dedicadíssimo, visitou o Museu de História Natural em Nova York e voltou com um álbum de fotografias em que documentava tudo o que viu, literalmente, da entrada até a saída. Além de seu campo de estudo, prestava reverência a uma outra paixão: o rock regressivo paleontológico dos primitivos e descabelados homens das bandas de heavy metal. Era receber o salário e correr para a Headbanger, a Subsom, a Darklands, na Praça Saez-Peña, e voltar com uma pilha de cds barulhentos que levavam todo o seu vencimento. Quando visitou a Tower Records em Nova York, confessou que, ao passar ao fim de suas compras o cartão de crédito, chegou a sair fumaça da maquininha.

Também companheiro de lida diária como professor de um período mais recente, cito a pessoa do Edson Vollotão. Morador de Botafogo, fez amizade e conviveu com os artistas do Cinema Novo. Foi morador do prédio em que vivia a irmã de Glauber Rocha, a atriz Anecy Rocha, do antológico “Lira do Delírio”. Conheceu também artistas plásticos que frequentavam seu bairro como Iberê Camargo, cujo estúdio bagunçado chegou a visitar algumas vezes.

Finalizo a minha lista com mais dois exemplares da espécie com os quais travei conhecimento. Um deles é o Arapinga, que retratei em um conto que escrevi há alguns anos. Vivia nas pistas da Doutor Smith, na rua da passagem, e na Basement, na Galeria Alaska, antes de se mandar para o interior do país para pesquisar uma espécie rara de morcego. De lá seguiu para a Amazônia, onde veio a falecer repentinamente. Parte de sua história registrei ficcionalmente em um escrito publicado no site Overmundo e já republicado por aqui.

O último exemplar a cruzar o meu caminho foi um tipo raro de biólogo, pois se consagrou como dublê de jornalista e DJ. Carlos Albuquerque, ou Calbuque, como é chamado pelos amigos, sempre deixou, pela desenvoltura com que exerce a ocupação de crítico musical, estupefatos àqueles aos quais confessou a primeira e talvez maior de suas inclinações na vida. Seu falar baixo, tranquilo, sussurrado, é, no entanto, um sinal a nos revelar o seu pertencimento à classe dos biólogos-gente-boa.

William Menq esclarece tudo sobre os Tucanos

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As Teorias de Dom Carlos

“A Origem das Espécies” em audiolivroParte I

“A Origem das Espécies” em audiolivroParte II

“A Origem das Espécies” em audiolivroParte III

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Bon Voyage

A Viagem do Beagle — Parte I

A Viagem do Beagle — Parte II

A Viagem do Beagle — Parte III

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Chuck e seus Besouros e Pombos

O irmão de John Green explica tudo sobre o mais importante naturalista que o planeta conheceu

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Tá Difícil Acreditar nas Teorias de Charles Darwin

O “Segunda Chamada” e a luta contra a burrice e a desinformação

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De Nossas Origens às Pandemias com Darwin

Aos que gostam de ciência e literatura, uma recomendação: não percam. Darwin, sua trajetória, sua viagem ao redor do globo e seus escritos. Um passeio por sua obra mais famosa, por suas anotações e cartas, com um levantamento minucioso de suas fontes de inspiração (científicas, literárias) e seus achados. É longo, mas tem produção caprichadíssima e não dá pra perder. Siga a playlist com os 17 podcasts dedicados ao naturalista em realização da QuatroCincoUm, com criação de Fernanda Diamant e roteiro e apresentação de Leda Cartum e Sofia Nestrovski.

O Vinte Mil Léguas dedicado a Charles Darwin

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Retrospectiva Livresca de 2020

Vamos a alguns dos títulos com os quais me ocupei durante esse ano de confinamento. Acompanhando a chegada da pandemia, adentrei março imerso nas memórias de Patti Smith (“Just Kids”, Audible, 2011; narração da própria autora; “Só Garotos”, Cia das Letras, 2010) como se estivesse em outro planeta, sem nem de longe imaginar o que viria pela frente. Andava frivolamente pra cima e pra baixo ouvindo este livrinho da Patricia Lee Smith em meu ipod. Trata especialmente do período que marca a sua convivência com o pra lá de talentoso Robert Mapplethorpe. Smith é um pouco afetada ao registrar seu namoro e amizade com o Sebastião Salgado do underground nova-iorquino, mas o interesse pela trajetória dos dois faz com que sigamos com a narrativa até o final. 

Um outro título (“O Rio antes do Rio”, Relicário, 2020) que adquiri pouco antes do começo da quarentena. Se alguém ainda acha que o gentílico “carioca” surgiu por designar etimologicamente a “casa do homem branco” (a oca do caraíba), como queria Varnhagen e aqueles que o leram, precisa passar os olhos no livro de Rafael Freitas da Silva para saber que o nome surge por assinalar a oca dos índios kariós (carijós). Foi assim que ele aprendeu com o francês Jean de Léry. Léry veio conhecer a França Antártica em 1556 e conviveu com os tupinambás (grupo que dominava vastas regiões do território brasileiro, inclusive o Rio de Janeiro) registrando tudo para seu livro “Viagem à Terra do Brasil”. Essa é uma das boas passagens colhidas pelo redator de esportes da Globo e pesquisador nas horas vagas que dá destaque às histórias das populações nativas ao retratar o período de chegada e ocupação da América por portugueses e europeus.

“Todos os Contos” (Rocco, 2015) estava aqui na estante há um bom tempo. Fui conferir o que havia nele e que ainda desconhecida da escritora que adotou a vizinhança do Leme, onde morei com gosto em um quarto e sala na rua Anchieta por uns dois anos, como seu endereço de residência na volta ao Brasil depois do fim de uma casamento que a levou a uma peregrinação pelo mundo. Sua fruição se deu em gravações em audiolivro e na leitura da cuidadosa coletânea organizada pelo mais famoso biógrafo da autora, Benjamin Moser. Reunindo todos os 85 contos escritos por Clarice Lispector em vida, o volume vem com prefácio e comentários do organizador. Impressionou bastante os contos que a escritora escreveu por encomenda, algo que detestava, sob o título de “A Via Crucis do Corpo”. Particularmente, o desprendimento e as ousadias de Ruth Algrave, Aurélia Nascimento e da sapeca da sessentona Maria Angélica de Andrade. Uma Clarice bem diferente.

Comecei “A Hora da Estrela” (Rocco, 2008) desta vez em audiolivro e fui terminá-lo voltando ao livrinho que aparece em um exemplar novíssimo que adquiri para a seção dedicada à autora aqui em casa. “Água Viva” (Nova Fronteira, 1978), livro favorito de Cazuza, foi mais um a marcar esse reencontro com a autora preferida da minha pós adolescência. Cheguei a ele por uma gravação em audiolivro. Tenho aqui na estante uma edição velhinha dele de um ano antes de eu entrar na faculdade de comunicação da PUC/RJ. Era um período em que lia muito Clarice. Comecei com “A Paixão Segundo GH”, ainda no ensino médio (segundo grau à época), e segui com tudo o que aparecia. “A Maça no Escuro”, “Perto do Coração Selvagem”, “Onde Estivestes de Noite?” e por aí afora. Algumas dessas edições, assim como a de “Água Viva”, guardo até hoje. Anos depois uma acadêmica comentou um pouco maldosamente, mas acho que com certa propriedade, que Clarice é uma autora que desperta os instintos latentes da juventude.

Uma obra que estava terminando de ler quando da chegada da infausta criatura. Nunca tinha lido os “Tristes Trópicos” (Cia das Letras, 2019) de Lévi-Strauss e foi uma surpresa descobrir a maneira casual como ele chega ao Brasil para conviver com os nossos índios e depois abrir um caminho inédito dentro da história da antropologia como ciência.

Como um livro puxa o outro, “Tristes Trópicos” me levou a “O Rio antes do Rio”, que por sua vez me conduziu à “Brasil: uma Biografia” (Cia das Letras, 2015), que Lilia Mortiz publicou ao lado da historiadora Heloisa Starling. Taí um volume ótimo que deveria ser obrigatório nas escolas de ensino médio brasileiras. Um resumão caprichado de nossa triste história.

De Lilia Moritz li também o interessante “O Sol do Brasil – Nicolas-Taunay e as Desventuras dos Artistas Franceses na Corte de D. João” (Cia das Letras, 2008), que ajuda a ter uma compreensão precisa sobre a tão falada “Missão Francesa”, que nada mais era do que um grupo de artistas franceses que trabalhavam dentro da lógica emulatória napoleônica e que se acharam abandonados depois de sua queda.

Uns a tratam como a socialista de iPhone, mas quero ver ter a disposição da apresentadora do canal Tese Onze no YouTube Sabrina Fernandes para sentar a chunda na cadeira e cruzar de fio a pavio a pedreira que são os 4 tomos de “O Capital”, de Karl Marx. Durante seu doutorado no Canadá, esta foi uma de suas tarefas, além do letramento nas obras de Gramsci, Benjamin, Lukács, Marcuse e do queridinho Florestan Fernandes. Sua tese de doutorado é o seu livro de estreia, “Sintomas Mórbidos – a Encruzilhada da Esquerda Brasileira” (Autonomia Literária, 2019), cuja leitura já tinha iniciado e que tive de voltar por tratar do assunto que encerra o livro “Brasil: uma Biografia”, de Lilia Moritz e Heloisa Starling, as manifestações de rua de junho de 2013. Uma pena que faça muita falta à bibliografia de Sabrina as obra de Thomas Piketty, o pensador progressista mais importante da atualidade.

Com Eduardo Bueno, cruzei pela segunda vez o Oceâno Atlântico quinhentista no seu “A Viagem do Descobrimento” (Objetiva, 1998), fazendo todo o percurso. A leitura foi complementada pelas postagens do autor no canal Buenas Ideias no YouTube e pela “Carta de Pero Vaz de Caminha” (Martin Claret, 2002), registro comentado por Jaime Cortesão da carta fundadora do país. Peninha já concluiu a gravação de própria voz de um de seus mais conhecidos livros que estará disponível em audiolivro. Fiquei tão entusiasmado com essa segunda visita que ganhei de presente de aniversário a coleção completa do autor sobre o tema e mais o “Duas Viagens ao Brasil”, de Hans Staden.

Intercalando com alguns dos títulos anteriormente comentados, tenho lido há alguns meses o “Aparência do Rio de Janeiro” (José Olympio, 1952), livro assinado por Gastão Cruls que sobrou dos pertences de meu avô materno (é o que imagino pelo menos). A obra de Cruls não consta, para surpresa minha, da bibliografia de “O Rio antes do Rio”, de Rafael Freitas da Silva. Cruls especula várias possibilidades para o nome da tal “Casa de Pedra”, a Carioca, que deu origem ao gentílico dos moradores do Rio de Janeiro. Nenhuma das suas hipóteses, no entanto, é mencionada por Rafael Freitas para quem Carioca era, como vimos, a “Casa dos Carijós”. Por sua importância, Cruls merecia ter feito pelo menos parte das leituras do noviço pesquisador, inclusive para que suas afirmações fossem confrontadas com o que já se especulou sobre o passado de nossa cidade e seus habitantes.

Os frequentadores deste blogue talvez não saibam, mas venho há 10 anos frequentando um clube de leitura que se reúne todo mês para conversar sobre um título qualquer e degustar iguarias. Esse foi obviamente um ano off para o grupo. Mas tivemos pelo menos dois encontros virtuais para ouvirmos a amiga Sheila Kaplan falar sobre Sérgio Sant`Anna e para conversarmos sobre os poemas e a trajetória de vida de Arthur Rimbaud. Os três volumes com a obra completa do poeta de Charlestown, traduzida e editada por Ivo Barroso, foram passados em revista. Desde a poesia do gênio adolescente, até a prosa de “Uma Estação no Inferno” e “Iluminações”, com o crivo novidadeiro do inquieto rapaz, bem como toda a sua correpondência. Para contextualizar tudo, recorri também à biografia de Graham Robb (“Rimbaud”, Picador, 2000).

Ao longo do ano passeei ainda pelo livros de Pedro Doria. Desde aquele que tem como assunto a fundação do país (“Enquanto o Brasil Nascia”, Nova Fronteira, 2012) até o que trata do Tenentismo (“Tenentes – a Guerra Civil Brasileira” Record, 2016). Este último esclarece muito sobre as raízes das interferências militares na vida política brasileira. O início do livro parece meramente narrativo por um capricho estilístico de Doria, mas vale a pena aguardar pelas conclusões do final. Uma discussão muito oportuna para o momento que vivemos e que pode ser aprofundada com “Sobre o Autoritarismo Brasileiro” (Cia das Letras, 2019), mais um de Lilia Moritz, a escritora com quem mais convivi.

Estou fechando o ano com “A Bailarina da Morte – a Gripe Espanhola no Brasil” (Cia das Letras, 2020), que acabei de encerrar, e com “Fascismo à Brasileira” (Planeta, 2020), que está na cabeceira. A Gripe Espanhola talvez tenha sido tão cruel quanto o covid-19, mas foi mais breve. Chegou em setembro de 1918 no navio Demerara. Ele vinha de Liverpool com parada em Lisboa e saiu contaminando as populações ao atracar no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro (faria escalas ainda em Montevideo e Buenos Aires, espalhando o vírus). Mas, no carnaval de 1919, a gripe já tinha deixado de matar e acumular cadáveres na ruas e ido embora como conta Ruy Castro em “Metrópole à Beira-Mar”. Por isso mesmo, o carnaval no início de 2019 seria muito festejado. Um detalhe importante sobre o período lembrado por Castro: Rodrigues Alves, que tomaria posse na época para seu segundo mandato como presidente, não morreu como consequência da epidemia como pensam muito historiadores, mas vítima de uma anemia perniciosa que o levou a uma parada cardíaca.

Com a Espanhola, houve também o negacionismo por parte de autoridades como com o corona vírus. O depreparo, coisa indesculpável hoje, era, no entanto, uma contigência de uma país que ainda não tinha um Ministério da Saúde, nem um Sistema Único de Saúde. Já sabemos que 2021 vai ainda se mostrar um ano difícil, não custa porém desejar algo de melhor para todos nós, o que a chegada das vacinas parece prenunciar. Um bom ano portanto para vocês, leitores e assinantes.

Publicado em Benjamin Moser, Clarice Lispector, Lilia Moritz Schwarcz, Pedro Doria, Rafael Freitas da Silva | 1 Comentário

O “Lança Perfume” de AFE e Ava Rocha

“Mulher Homem Bicho” com direito a sampler de Gainsbourg

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“Boas Festas” no Brasil Profundo e na Prisão

Caetano Veloso rivaliza com Pedro Nava quando o assunto é recordar, com riqueza de detalhes, passagens de sua vida. O Natal de sua infância em Santo Amaro da Purificação tinha, nas rústicas residências da cidade, presépio, areia de praia, folha de pintaga, cheiro de pitangueira, fontes de água que imitavam riachos, e, como trilha, uma música marcante da época que falava de um papai Noel que morreu, assinada pelo suicida Assis Valente. Em sua live, Caê mostrou que sabe até mesmo espontaneamente fazer essas rememorações como poucos, o que já havia demonstrado de maneira demorada na narrativa de “Verdade Tropical” (Companhia das Letras, 1997), em que, no capítulo “Narciso em Férias” (recém-lançado como um livro autônomo), fala sobre um outro período de festas, aquele em que esteve preso no quartel da Polícia do Exército na rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Por sua participação em happenings tropicalistas, pela aparição em um programa da TV Record em que cantava a mesma “Boas Festas” com uma arma apontada para a cabeça e pelo clima repressivo do AI-5, o compositor seria “sequestrado” em casa pela Polícia Federal e entregue ao Exército no Rio de Janeiro em dezembro de 1968. Fez com Gilberto Gil uma música que adoro e que trata daquele momento. Está em um de seus discos londrinos (um disco do qual ele não gosta).

Boas festas”

“In The Hot Sun of a Christmas Day”

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