Lineu, quer dizer, Marco Nanini, em “O Traidor”, com texto e direção de Gerald Thomas
Agostinho, quer dizer, Pedro Cardoso, em “O Autofalante”, texto do autor com cenografia de Gringo Cardia e fotos de Marcelo Tas
Lineu, quer dizer, Marco Nanini, em “O Traidor”, com texto e direção de Gerald Thomas
Agostinho, quer dizer, Pedro Cardoso, em “O Autofalante”, texto do autor com cenografia de Gringo Cardia e fotos de Marcelo Tas
Inacreditável ter que aguardar a posse do representante do Partido Republicano nos Estados Unidos para ver o fim da matança na Faixa de Gaza. Já é a uma grande e promissora notícia pra 2025, mas vejamos se ela será temporária ou permanente e quais as surpresas que o fanfarrão guarda na manga.
The Electronic Intifada explica o cenário por trás do anúncio
O historiador Mouin Rabbani, em depoimento ao jornalista inglês Owen Jones (The Independent, The Guardian), pondera o que podemos ter à frente
Ele já foi tema de várias postagens por aqui como se pode comprovar recorrendo ao nosso índice onomástico ao lado. Desta vez o assunto é a nova guinada em sua trajetória pessoal. Desde o início do ano, Ian Sá Freire Birkeland está fazendo licenciatura em música na Uni-Rio, ali na Urca. Vem também ensaiando um repertório de composições autorais e uma seleção de canções favoritas com seus companheiros da Banda Bicho. Estão com ele no grupo os amigos Tomás Werneck Viana (bateria), João Pedro Mafra (baixo e voz) e Ricardo Kaplan (guitarra). Eles fizeram recentemente um pocket show num bar bem legalzinho, o TLT (Times Like These), em Botafogo, na Visconde Silva, 14, quase esquina com Real Grandeza. Como não poderia deixar de ser, estivemos por lá, registramos tudo e não resistimos a criar, ainda que antecedendo qualquer movimento do grupo, um espaço de e para fãs no YouTube. Atende pelo nome de Banda Bicho F.C.. Bom divertimento.
“O Dano”, uma das músicas do disco que chega ano que vem
Uma versão de canção do Tremendão, que está trilha do filme “Ainda Estou Aqui”, escolhida para o repertório do grupo
“Não Vai Voltar”, composição do EP solo do guitarrista Ricardo Kaplan
“Maré”, mais uma música autoral do grupo
Achei que foi pequeno e muito restrito o ciclo da Academia Brasileira de Letras dedicado a uns poucos clubes do Rio de Janeiro. Ficou faltando, por exemplo, a fundamental história do Bangu, a origem de tudo e que poderia contar com o relato precioso de Carlos Molinari autor do livro “Nós é que Somos Bangueneses” (obra esgotada e que só pode ser encontrada em centros de referência como a biblioteca do Museu do Futebol em São Paulo).
Ruy Castro e o Mengão
Hélio de la Peña e o Time da Estrela Solitária
Pedro Bial e o Tricolor das Laranjeiras
João Carlos Eboli e Fernanda Abreu e o Gigante da Colina
O livro “Nós é que Somos Banguenses”, de Carlos Molinari, pode ser encontrado na biblioteca do Museu do Futebol em São Paulo (aqui)

Contra todos os secadores, o Fogão foi pra cima (sempre com algum sofrimento, pois isso não pode faltar) e, registrando um acachapante 3X1 sobre o Atlético Mineiro (com um jogador a menos desde os instantes iniciais de jogo e gol decisivo apenas no finalzinho), levou a Taça Libertadores da América de 2024. Uma grande e inédita conquista para o Time da Estrela Solitária, de Nilton Santos, de Garrincha, de Jairzinho, de Gérson e de João Saldanha. Para completar, o nosso Mengão acabou com as chances de o Internacional conquistar o Brasileirão. Agora, restão apenas dois jogos, ou seis pontos, e o Botafogo lidera com três de vantagem o campeonato. Basta mais uma vitória e derrota do Palmeiras para colecionar mais um título brasileiro. Desde 1995 com o craque Túlio, o Botafogo não ganha um Brasileirão e a torcida está seca pelo título. Junto com ela, está a banda os Helenos, que homenageia o craque irreverente Heleno de Freitas, e mantém viva a paixão pelo alvinegro carioca frente a todas as adversidades. A escalação dos músicos reúne uma legião de ilustres botafoguenses: Marcos Muller, André Paixão (Nervoso), Pedro Serra, Gabriel Thomaz, Nelson Milesi, Robson Riva, Marcelo Callado, Arnaldo Brandão, Henrique Badke, Nilton Cerqueira, Demétrius, Maurício Barros, Mauro Berman e Renato Massa. Hora de celebrar com eles.
Tio Rei e o que podemos esperar de uma segunda administração de sua excelentíssima excrescência humana
Monica de Bolle, a vitória das pautas de direita e os possíveis descaminhos da economia americana
Safatle no Universo On Line
A esquerda está em polvorosas com o resultado das eleições municipais, especialmente em São Paulo, a cidade mais populosa do país. Na avaliação de Vladimir Safatle em depoimento ao UOL, endossado por Bruno Torturra e Gregório no programa “Calma Urgente!”, a esquerda precisa ser mais esquerda. E foi um erro para eles, ela vir conversar sobre empreendedorismo como Guilherme Boulos fez. Confesso que não entendi nada. A forma mais segura de empreendedorismo é investir em estudo e em sua formação pessoal, como bem sabem os três intelectuais e outros ativistas culturais ditos de esquerda. Todos os três, Safatle, Torturra e Duvivier, por sinal, conseguiram, em graus distintos, projeção investindo em seus estudos e formação. A aposta de Boulos na educação em tempo integral, portanto, apontava para a preparação de jovens que vão poder empreender em suas carreiras tanto em áreas da cultura como no esporte, no teatro, no streaming, nos projetos com novas tecnologias. A ideia de dar apoio aos jovens que vivem de aplicativos, seja como moto boys ou motoristas autônomos, era uma questão circunstancial e objetiva da plataforma de Boulos que não tem nada a ver com investir em empreendedorismo. Imagino que ninguém pense que vai ter algum futuro seguro fazendo exclusivamente entregas ou dirigindo carro (pelo menos não da maneira como isso é feito hoje no Brasil dos aplicativos sem responsabilidades empregatícias). Quanto a fazer negócios lucrativos e ganhar dinheiro, seja investindo na cultura, na educação, nos esportes, com um estado que dê respaldo para uma população que paga pesados impostos, é a aposta certa como todos comprovadamente sabemos. Thomas Piketty é um intelectual de esquerda que aponta um caminho para termos uma sociedade mais igualitária e muito mais competitiva, diferente deste arremedo canhestro de projeto selvagem, individualista e destrutivo que caracteriza as correntes iniciativas liberais. A esquerda está precisando ler Piketty com mais atenção. E Boulos fez a campanha certa. Se teve rejeição tão grande contra um adversário sem propostas e que, detalhe, é tão limitado intelectualmente que nunca conseguiu terminar seus estudos universitários, é um assunto a ser discutido. A esquerda está perdendo terreno e precisa corrigir seu discurso em lugar de radicalizá-lo.
Torturra e Duvivier no Estúdio Fluxo

Para ser um empreendedor na vida, a primeira coisa que você deve aprender a fazer são contas. Nas últimas eleições à Prefeitura de São Paulo, surgiu a figura de Pablo Marçal. Um empreendedor que, aos 37 anos de idade, acumula uma riqueza de 169 milhões em bens, segundo declarou à Justiça Eleitoral. Desde que começou atuando para um grupo de estelionatários, serviço pelo qual Marçal, de origem humilde, dizia ganhar uma remuneração irrisória, e pelo qual acabou sendo preso em 2005 e condenado em 2010, ele teve 20 anos para construir essa fortuna. O maior salário público no Brasil é, como todos sabem, o de ministro do STF. Seu atual presidente, Luís Roberto Barroso, recebe um montante de 44 mil reais como salário bruto, que, com os descontos, dá quase 32 mil em termos líquidos por mês. Ao longo de 20 anos, se Barroso não gastasse dinheiro com absolutamente nada, ele teria acumulado uma fortuna em bens financeiros de 8 milhões e 320 mil – estou incluindo na conta o 13o salário, embora tenha deixado de lado os penduricalhos. Ou seja, para chegar a uma fortuna próxima a de Marçal, sem gastar nada, ele teria que trabalhar 210 anos. Gregório Duvivier, 38 anos, e Fábio Porchat, 41 anos, são um pouco mais velhos do que Pablo Marçal, e como ele, são empreendedores. São muito bem sucedidos com seus projetos na área cultural com a empresa do Porta dos Fundos e com seus respectivos trabalhos de atores, apresentadores, escritores e roteiristas. Ganharam bastante dinheiro ao longo de suas carreiras até aqui, mas pegunte a qualquer um deles se possuem uma fortuna de 169 milhões. A resposta certamente será não. Ou seja, acho que temos repórteres que precisam explicar para a população como se constrói uma fortuna dessas. Aliás, a nação brasileira inteira quer saber como isso acontece pra entrar urgentemente para esse ramo.

Boulos conversa com os eleitores nas ruas na sua Caravana da Virada
Que exemplo de campanha política o candidato à prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos apresentou neste segundo turno. Habituado a frequentar a periferia onde atuou junto ao Movimento dos Trabalhadores sem Teto, bem como no projeto de cozinha solidária do mesmo movimento, ele abriu mão de ficar debatendo em estúdios de rádio e televisão climatizados e foi para a rua encontrar o eleitor. Nunca vi um candidato partir para o embate direto com a população com o objetivo de conhecer melhor sua realidade e suas demandas. Com sua iniciativa, Boulos surge como uma autêntica e íntegra novidade na corrupta e degradada cena política brasileira.
O mais importante, no entanto, é que Boulos se mostrou extremamente preparado e firme ao longo da sua campanha. Revelou seu projeto de administração baseado nas informações conseguidas com sua vice Marta Suplicy e com outros integrantes de sua equipe que participaram e participam da corrente administração da capital do estado de São Paulo. Com dados concretos, passou a corrigir repórteres sobre os números da prefeitura. Por ter a vivência das ruas, deu também a maior volta em todos os outros candidatos que mal conheciam a situação real da cidade que querem administrar. Apresentou desde o início ainda, e pra além das propostas para aquelas áreas como saúde, educação e segurança, que são responsabilidade de um município que cobra pesados tributos aos cidadãos, iniciativas para apoiar aqueles que querem empreender e projetos para revitalizar áreas abandonadas da cidade de São Paulo.
Parece que os comentadores de política seguiram sem prestar a devida atenção ao que está acontecendo e se mostraram obtusos em suas podenrações. Para uma mesa do Canal Meio, por exemplo, a esquerda nunca encampou como sua pauta o empreendedorismo. Segundo eles, esta é uma agenda apenas dos candidatos de direita. Se aplicar golpes digitais como estelionatário virou empreender, então, está perfeitamente entendido. E vejamos, tente lembrar de um único projeto da direita brasileira que visasse estimular ou ajudar o cidadão que quer empreender.
E chega a parecer mesmo que o empreendedorismo é uma novidade que não faz parte da vida do cidadão comum e que só se dá no Vale do Silício. Visão típica de quem nunca esteve nas periferias como as que Boulos tem visitado. Se esses observadores saissem de suas residências e dessem um pulo até a Via Ápia, na entrada da Rocinha, iriam ver quantas pessoas estão empreendendo e quantos negócios estão sendo feitos e acontecendo dia e noite. Achar que a única coisa que funciona em uma favela é o comércio de drogas é típico de quem nunca esteve por lá.
Entre os moradores desta comunidade, por exemplo, temos esteticistas, varejistas de produtos para celular, computador, vestuário, eletricistas, técnicos de informática, cozinheiras, profissionais da construção civil, diaristas, a grande maioria trabalhando por conta própria. Muitos deles ainda correm atrás de sua formação escolar buscando estudar em suas horas vagas. É verdade que nenhum herdou, como Elon Musk, dinheiro de família, nem, como Bill Gates, se beneficiou de um monopólio de mercado e outras vantagens circunstanciais.
Talvez por isso não sejam vistos pelos jornalistas e cientistas políticos que frequentaram o meio acadêmico de universidades americanas como Stanford, em Palo Alto, e a Universidade de Nova York. Curioso também que pessoas conectadas com o mundo high tech e que passaram por Stanford tenham demorado tanto tempo para colocar de pé uma tentativa de projeto jornalístico não alinhado. Muito antes deles, o Mídia Ninja já vinha se notabilizando por suas reportagens nada convencionais em coberturas ao vivo iniciadas nos protestos de rua de 2013 e que seguem até hoje. Um jornalismo combativo, bem longe dos estúdios, dos espaços institucionais, dos discursos oficiais.
Cobertura do Mídia Ninja para a campanha do candidato do PSOL