Carnaval Itamambuquense

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E deu Brasil na Festa do Oscar

Grande momento para o cinema brasileiro, para nossa literatura autobiográfica e uma oportunidade rara para o Brasil olhar para si mesmo, passar a limpo sua história e dizer que não vai ter volta.

O diretor Walter Salles Jr. na cerimônia em Los Angeles recebendo o prêmio de melhor filme estrangeiro para “Ainda Estou Aqui”

A comemoração pelo Brasil

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Lembrando Rubens Beyrodt Paiva

Semana de manifestações para lembrar e cobrar responsabilidades de militares pelo desaparecimento, assassinato e ocultamento do corpo de Rubens Beyrodt Paiva. Dois dos militares acusados de ligação direta com o caso seguem vivos: José Antônio Nogueira Belham e Jacy Ochsendorf e Souza. Outros, como Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos e Jurandyr Ochsendorf e Souza, têm familiares beneficiados por pensões pagas pela União, ainda que os militares sejam acusados de possível envolvimento em crimes de lesa-humanidade. O julgamento, não custa voltar a mencionar, aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal para sua conclusão, mas o Supremo já formou maioria para que o processo vá adiante.

Em frente à casa de José Antônio Nogueira Belham, manifestantes se reuniram para pedir justiça

A jornalista Juliana Dal Piva entrevistou os irmãos Marcelo e Vera Paiva para o Instituto Conhecimento Liberta, esmiuçando o caso

Reportagem da CNN Brasil dá detalhes sobre os militares acusados que gozam de pensões e daqueles que, mortos, têm familiares gozando de beneficios, ainda que pesem sobre eles acusações

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A Necessária Volta aos Anos de Chumbo

Grande dormida pessoal ter de aguardar todo o hype sobre o filme “Ainda Estou Aqui”, para comprar o livro de Marcelo Rubens Paiva de 2014 e ficar maravilhado com o rebuscamento, desprovido de pose, de sua narrativa. Sem querer colocar de lado as qualidades do filme que está fazendo com que Fernanda Torres, Walter Salles e toda sua equipe cinematográfica ganhem corações e mentes de plateias e de jurados de premiações mundo afora, é importante dizer que o livro tem qualidades muito particulares que acabaram não migrando para a tela.

Vale salientar, para os que já viram o filme, mas desconhecem o livro, que os dois apesar de terem como ponto de partida o foco na trajetória da mãe de Marcelo, Eunice Facciolla Paiva, e no incidente do sequestro e desaparecimento por militares brasileiros de seu pai, Rubens Paiva, têm abordagens bem distintas, especialmente pelo tratamento dado pelo autor de romances como “Blecaute” e “Malu de Bicicleta” à sua obra – um selo em sua capa adverte pertinentemente tratar-se apenas do “livro que deu origem ao filme”, estabelecendo certa distância entre os dois.

Ainda que seja uma narrativa autobiográfica, em que o interesse pelo assunto costuma se sobrepor às preocupações com o estilo, Marcelo Rubens Paiva capricha em sua escrita e entrega um texto apurado e primoroso. Para os que leram “Feliz Ano Velho”, outro relato autobiográfico, escrito por Marcelo quando o escritor e jornalista somava seus vinte anos, em 1980, a diferença em relação à elaboração de seu novo mergulho em seu passado é significativa. Imagino que muitos busquem diante de uma obra que consideram elaborada, tentar entender a partir do prazer que nos traz sua leitura como se deu a tal da arte da escrita. Para estes, deve-se destacar que estamos diante de um fino exemplar prático desta façanha, daqueles que nos arrebatam por completo.

Marcelo Rubens Paiva dá um show variado de descrições refinadas, criando até uma dicção própria como os grandes autores costumam fazer. Não há como não deixar de citar várias passagens. Muitas tratam sobre como trabalhamos com nossa memória, essa nossa companheira, que está aí a nos esclarecer sobre nossas existências e sobre como e por que vivemos. O processo é exemplificado por Marcelo tanto através da convivência com seus filhos, durante o período de crescimento e formação deles, como na maneira como o autor vê a luta de sua mãe com sua condição de paciente do mal de Alzheimer.

Há uma analogia particularmente interessante que vai e volta em seu texto surpreendendo o leitor. Ela tem sua origem em um incidente casual ocorrido com o autor. Marcelo bateu de carro próximo da rua Turiaçu. Em tupi-guarani essa palavra quer dizer “facho grande”. Esse “facho de luz” funcionava para alguns como uma fogueira que ajudava aos pescadores em seu trabalho noturno para coneguirem retornar à terra firme. Mas, segundo Marcelo, para alguém com Alzheimer, essa fogueira orientadora para os que estão no mar como que “se apaga com o tempo” não permitindo que eles voltem pra casa.

Vejamos mais um trecho descritivo sobre o papel de nossa memória exemplificado com o caso de sua mãe: “Foi advogada de ilustres e desconhecidos, foi consultora do governo federal, do Banco Mundial, da ONU. Para onde foi todo esse conhecimento?”. Marcelo faz um paralelo com o Major Tom, o personagem estelar de David Bowie, “num voo às cegas, na porta de sua nave, que parece uma lata fina. E que só pode concluir: “Planet Earth is blue, and there´s nothing I can do””. Pesquemos outra passagem que me impressionou especialmente e que vai na íntegra: “A memória não é apenas uma pedra com hieróglifos entalhados, uma história contada. Memória lembra dunas de areia, grãos que se movem, transferem-se de uma parte a outra, ganham formas diferentes, levados pelo vento. Um fato hoje pode ser relido de outra forma amanhã. Memória é viva”. Os spoilers ficam por aqui.

Pra além dos aspectos de virtuosismo narrativo e estético, temos a importância, que o livro compartilha com o filme, de ter reavivado, os tenebrosos anos de chumbo da ditadura militar brasileira alertando a todos para o perigo de um retorno de governos de inclinações ditatoriais. Depois de ter feito um mestrado, no início dos anos 1990, em que entrevistou pessoas que viveram os dois lados daquele momento, Marcelo esteve próximo e participou ativamente com sua mãe das muitas iniciativas que buscavam o esclarecimento e a reparação de crimes cometidos durante o período ditatorial iniciado em1964 e até mesmo antes dele.

De início acompanhando o desenrolar da Comissão de Mortos e Desaparecidos, criada por um admirador de seu pai, o presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1996. FHC teve, no entanto, que receber um empurrão de Eunice Paiva, para seguir adiante e criar a comissão. Depois Marcelo viu o surgimento da imprescindível Comissão da Verdade, no começo do govermo de Dilma Roussef, que investigou mais a fundo a bandalheira militar engendrada pelos governos militares de 64. É educativo, neste sentido, repassar todo o trabalho da Comissão da Verdade que se encontra disponível em site da Comissão e em seu canal de divulgação no YouTube.

O livro e o filme tiveram o papel de, ao que parece, também movimentar no STF o processo para condenação dos militares vivos (e dos herdeiros descendentes dos militares já falecidos que seguem recebendo pensões do governo brasileiro). Entre eles, estão os militares que tiveram participação na morte de Rubens Paiva. Processo que desde 2014, por uma suspensão determinada pelo ministro Teori Zavascki, não anda. Ao lado disso, O busto de Rubens Paiva, em frente ao espaço aonde funcionaram as instalações do DOI-Codi, no Rio de Janeiro, lugar em que o político e engenheiro foi torturado e morto, viraram ponto de visitação. O mesmo aconteceu com a estação de metrô Rubens Paiva, em que há outro busco do pai de Marcelo. Ela fica na Pavuna, nas vizinhanças de onde Rubens Paiva passava fins de semana ajudando com seus conhecimentos de engenharia os moradoradores de baixa renda a construirem suas casas. O próprio Marcelo, quando bem garoto, chegou a trabalhar nos mutirões qua aconteciam por lá.

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A Grande Família Vai ao Teatro

Lineu, quer dizer, Marco Nanini, em “O Traidor”, com texto e direção de Gerald Thomas

Agostinho, quer dizer, Pedro Cardoso, em “O Autofalante”, texto do autor com cenografia de Gringo Cardia e fotos de Marcelo Tas

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Fim da Carnificina em Gaza

Inacreditável ter que aguardar a posse do representante do Partido Republicano nos Estados Unidos para ver o fim da matança na Faixa de Gaza. Já é a uma grande e promissora notícia pra 2025, mas vejamos se ela será temporária ou permanente e quais as surpresas que o fanfarrão guarda na manga.

The Electronic Intifada explica o cenário por trás do anúncio

O historiador Mouin Rabbani, em depoimento ao jornalista inglês Owen Jones (The Independent, The Guardian), pondera o que podemos ter à frente

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Celebrando o Nascimento do Filhinho do Deus Metal

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Estreia da Banda Bicho

Ele já foi tema de várias postagens por aqui como se pode comprovar recorrendo ao nosso índice onomástico ao lado. Desta vez o assunto é a nova guinada em sua trajetória pessoal. Desde o início do ano, Ian Sá Freire Birkeland está fazendo licenciatura em música na Uni-Rio, ali na Urca. Vem também ensaiando um repertório de composições autorais e uma seleção de canções favoritas com seus companheiros da Banda Bicho. Estão com ele no grupo os amigos Tomás Werneck Viana (bateria), João Pedro Mafra (baixo e voz) e Ricardo Kaplan (guitarra). Eles fizeram recentemente um pocket show num bar bem legalzinho, o TLT (Times Like These), em Botafogo, na Visconde Silva, 14, quase esquina com Real Grandeza. Como não poderia deixar de ser, estivemos por lá, registramos tudo e não resistimos a criar, ainda que antecedendo qualquer movimento do grupo, um espaço de e para fãs no YouTube. Atende pelo nome de Banda Bicho F.C.. Bom divertimento.

“O Dano”, uma das músicas do disco que chega ano que vem

Uma versão de canção do Tremendão, que está trilha do filme “Ainda Estou Aqui”, escolhida para o repertório do grupo

“Não Vai Voltar”, composição do EP solo do guitarrista Ricardo Kaplan

“Maré”, mais uma música autoral do grupo

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Futebol e Clubismo Carioca em Quatro Relatos Afetivos

Achei que foi pequeno e muito restrito o ciclo da Academia Brasileira de Letras dedicado a uns poucos clubes do Rio de Janeiro. Ficou faltando, por exemplo, a fundamental história do Bangu, a origem de tudo e que poderia contar com o relato precioso de Carlos Molinari autor do livro “Nós é que Somos Bangueneses” (obra esgotada e que só pode ser encontrada em centros de referência como a biblioteca do Museu do Futebol em São Paulo).

Ruy Castro e o Mengão

Hélio de la Peña e o Time da Estrela Solitária

Pedro Bial e o Tricolor das Laranjeiras

João Carlos Eboli e Fernanda Abreu e o Gigante da Colina

O livro “Nós é que Somos Banguenses”, de Carlos Molinari, pode ser encontrado na biblioteca do Museu do Futebol em São Paulo (aqui)

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A Festa do Glorioso

Contra todos os secadores, o Fogão foi pra cima (sempre com algum sofrimento, pois isso não pode faltar) e, registrando um acachapante 3X1 sobre o Atlético Mineiro (com um jogador a menos desde os instantes iniciais de jogo e gol decisivo apenas no finalzinho), levou a Taça Libertadores da América de 2024. Uma grande e inédita conquista para o Time da Estrela Solitária, de Nilton Santos, de Garrincha, de Jairzinho, de Gérson e de João Saldanha. Para completar, o nosso Mengão acabou com as chances de o Internacional conquistar o Brasileirão. Agora, restão apenas dois jogos, ou seis pontos, e o Botafogo lidera com três de vantagem o campeonato. Basta mais uma vitória e derrota do Palmeiras para colecionar mais um título brasileiro. Desde 1995 com o craque Túlio, o Botafogo não ganha um Brasileirão e a torcida está seca pelo título. Junto com ela, está a banda os Helenos, que homenageia o craque irreverente Heleno de Freitas, e mantém viva a paixão pelo alvinegro carioca frente a todas as adversidades. A escalação dos músicos reúne uma legião de ilustres botafoguenses: Marcos Muller, André Paixão (Nervoso), Pedro Serra, Gabriel Thomaz, Nelson Milesi, Robson Riva, Marcelo Callado, Arnaldo Brandão, Henrique Badke, Nilton Cerqueira, Demétrius, Maurício Barros, Mauro Berman e Renato Massa. Hora de celebrar com eles.

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