A Ditadura Democrática da China

O catarinense Felipe Durante mora na China continental há mais de cinco anos. Antes disso, viveu em Hong Kong. Está por lá legalmente, sem problema algum. É engenheiro de produção e trabalha na multinacional chinesa fabricante de eletrodomésticos Haier e vive perto de Guangzhou que, ao lado de Xangai e Pequim, é uma das 5 mais importantes cidades chinesas. Segundo ele, na China você tem uma legislação trabalhista com direitos semelhantes aos brasileiros, com garantias parecidas com as do nosso INSS, do nosso seguro desemprego, além de obrigatoriedade de férias como aqui. Elias Jabbour é o comunista do Dudu Paes, também já esteve na China muitas vezes. Primeiramente como pesquisador e depois trabalhando no Novo Banco de Desenvolvimento, ligado aos Brics. Jabbour tem vários livros sobre o que apurou em suas pesquisas de campo no país da Ásia Oriental. O mais recente deles é “China: o Socialismo do Século XXI” (Boitempo Editorial, 2021). Vejamos o que sai do confronto de perspectivas de duas pessoas que viveram a realidade chinesa. Particularmente no que diz respeito às características do sistema político chinês e o controle sobre a vida do cidadão em contraste com as democracias ocidentais.

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Brasil, Província Chinesa

Imaginem se o Brasil, cujos carros-chefes da economia baseiam-se em commodities (soja, minério, café), vai conseguir competir com países que produzem produtos sofisticados de alto valor agregado. Uma economia que opera produzindo produtos de tecnologia de ponta emprega infinitamente mais gente do que aquela que trabalha com commodities. Estou aprendendo com os chineses e vendo a surra que estamos levando, especialmente por sermos um país que se desindustrializa há quatro décadas. Ciro Gomes já chamava a atenção para estas questões em 2018. Não podemos ter uma economia amparada exclusivamente em commodities e muito menos em serviços (economia nenhuma sobrevive de serviços). Para complicar as coisas, não temos como competir, em termos de escala, com economias que produzem mercadorias em quantidades absurdas. Estamos, pelo visto, condenados a fazer mágica na periferia de todos os capitalismos.

Se falou muito sobre as besteiras ditas por Janja naquela viagem do governo Lula à China, mas negociações muito importantes passaram desapercebidas

Midea, empresa criada em 1968 na China, investindo em produtos de alta tecnologia

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O Futuro Chinês já Chegou

DeepSeek e o Tombo das Big Techs americanas

Investimento pesado em tecnologia de ponta

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Treta na Esquerda em Torno do Capitalismo Chinês

Trump que se cuide, o Dragão Imperialista Chinês não perdoa

O caso da gigante chinesa Huawei

A bolha imobiliária causada pela empresa de construção Evergrande

DR entre Stalinistas e Trotskistas

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Paulo Guedes Dá Aula sobre Economia, História e Karl Marx

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Conversão ao Marxismo

Tomo 50 da Great Books of the Western World, da Enciclopédia Britânica, dedicado a Karl Marx

Estou fazendo uma aproximação do pensamento de Karl Marx. Conheço superficialmente sua obra e não saberia dizer com precisão muita coisa sobre seus estudos pra além do meramente trivial. É verdade que Marx, assim como Shakespeare e Freud, é um daqueles autores/escritores que, mesmo quem nunca leu uma única linha de suas obras, pode comentar sobre várias passagens, expressões e máximas de seu repertório. Há mais frases, conceitos, ideias de Marx mencionadas cotidianamente entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia. Assim como sabemos, mesmo sem nunca ter tocado em uma única obra de Freud, o que é superego, id, complexo de Édipo, ato falho, também podemos discorrer sobre luta de classes, mais-valia, alienação, infraestrutura/superestrutura e outros tantos conceitos trabalhados por nosso Carlos Marques em seus escritos.

Meu guia nessa empreitada tem sido o pesquisador do pequeno Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese, com sede em uma salinha em um edifício no centro de Belo Horizonte) Gustavo Machado, que, há 15 anos, se dedica a investigar a obra do pensador alemão. Me tornei assinante de seu canal no YouTube, o Orientação Marxista, e convido os leitores a apoiarem o seu esforço em popularizar o pensamento de Marx. Ao tornar-se membro de seu canal temos acesso, via Google Drive, a seus fichamentos, estudos e sua tese de doutorado de quase mil páginas. Ela leva o título de “Marx e a Filosofia” e deverá, assim como sua dissertação de mestrado (“Marx e a História”, Editora Sundermann, 2016), ser lançada em breve. Os inscritos podem também ver a gravação de sua defesa de doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um embate cheio de controvérsias até mesmo entre professores entendidos na obra do barbudo alemão.

Não se trata de pose. Gustavo é leitor dedicado e também dá aulas e disponibiliza em seu canal no YouTube análises explicativas de “O Capital” para quem tem interesse em conhecer o trabalho do filósofo alemão. Já passou a pedreira do tomo 1 (único concluído em vida pelo autor) do título mais conhecido e falado de Marx e promete, assim que tiver tempo, apresentar o restante da obra mais fundamental do pensador.

Além do trabalho sério, suas postagens, que curiosamente surgem às vezes em um português trôpego e farto em solecismos, servem comentários sobre a atualidade política brasileira e internacional. São postagens fertilmente ilustradas por alguém que, além de toda a obra de Marx, leu muito e sabe discorrer com desenvoltura sobre os momentos mais críticos e decisivos da história, assim como discutir consequentemente as ideias de pensadores como Aristóteles, Platão, Hegel, Adam Smith, David Ricardo, Malthus, Durkheim, Weber, ou de um período posterior como Keynes, Harvey e Mises. Além obviamente dos marxistas (ou encarados como tal) como Lenin, Trótski, Rosa Luxembourgo, Adorno (foram os que o ouvi mencionar até o momento), bem como dos comentadores contemporâneos da obra marxiana (termo que ele detesta; assino embaixo), como Fred Mosely e Robert Allbitron (americanos), Christopher J. Arthur (inglês) e Geert Reuten (holandês), entre muitíssimos outros.

Gustavo Machado destaca como um dos traços marcantes da escrita de Marx o seu constante e estilistamente extraordinário uso da ironia. Algo que o pesquisador simbioticamente e talvez de forma inconsciente acabou incorporando à sua oratória e ao seu texto que têm incomodado tanto esquerdistas quanto direitistas. Em discussões em vários podcasts, Gustavo Machado tem dado trabalho a interlocutores conservadores com titulação, como Marco Antonio Costa, comentarista da Jovem Pan (apelidado sarcasticamente de Superman da Shopee pelos críticos de suas falas canhestras), doutor em direito pela PUC de São Paulo, ou pouco preparados, apesar da grande experiência, como escritor, analista político, palestrante, tradutor com passagens pela Jovem Pan, RedeTV!, Gazeta do Povo e Brasil Paralelo, como Flavio Morgenstern. Os esquerdistas como Elias Jabbour e Jones Manoel, examinados nas imprecisões de suas falas por Gustavo, por sua vez, o têm atacado e mesmo se recusado a debater com ele em função de suas posições e críticas firmes frente a algumas políticas praticadas pelo governo Lula e pela China, por exemplo.

Controversa mesmo, no entanto, foi a sua discussão e classificação em um vlogue em seu canal de que a economia (seja a microeconomia ou a macroeconomia) seria uma pseudociência. A argumentação é bastante convincente e não segue a linha daquela balela que levou Natália Pasternak à identificação da psicanálise como tal. Partindo do pressuposto de que o objetivo maior de Marx em “O Capital” foi fazer uma análise cientificista e crítica da economia burguesa e mostrar sua lógica interna, Gustavo argumenta que, de uma perspectiva marxista, é impossível identificarmos em uma análise econômica, seja ela microeconômica ou macroeconômica, uma ciência. Para corroborar suas ponderações, ele dá o exemplo dos vários e possíveis cálculos do PIB, com base em salários, juros, lucros, subsídios, impostos, consumo das famílias, etc. Ainda que tais cálculos tenham sua validade, eles não poderiam, por não trazerem uma avaliação global descolada do momento que retratam de uma economia, mais do que assinalar uma análise pontual e pouco significativa.

Essa perspectiva relativiza as conclusões a que podem chegar os analistas de uma determinada economia. Por isso, imagino, temos que ouvir tantos disparates. Analistas que acham que congelar o salário mínimo por 6 anos pode ser uma alternativa para “ajustar” a economia. Outros que se assustam quando a taxa de desemprego cai, pois enxergam nela uma tendência não salutar para o mercado, entre outros absurdos que ouvimos diariamente. Para analisar um determinado momento, esses parâmetros podem até serem usados, mas, de uma perspectiva científica, eles não valeriam absolutamente nada. Gustavo lembra que, além de números que resultam de levantamentos bastante problemáticos e que escamoteiam dados essenciais (ele mostra exemplos em sua fala), eles nunca conseguem fazer uma análise crítica e ampla sobre a economia que examinam. São recortes em grande medida aleatórios. É verdade que apesar das imprecisões e das conclusões estapafúrdias a que esses dados possam nos levar, o próprio Gustavo e o Instituto em que atua lançam mão deles para preparar o seu “Anuário Estatístico do Ilaese, Trabalho e Exploração”, que reúne informações sobre as principais empresas em atuação no Brasil e no mundo.

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Karl Marx para Iniciantes

Gustavo (Henrique Lopes) Machado é um rapaz de origem humilde que vem da pequena cidade de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais. Em 2007, se formou em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalhou um pouco no setor, mas, depois de algum tempo, decidiu tentar um curso mais afim aos seus interesses e começou a graduação em história. Não chegou a concluir o curso e preferiu partir para um mestrado e depois um doutorado dedicados à trajetória e aos livros de Karl Marx. “Marx e a História, das Particularidades Nacionais à Universalidade da Revolução Socialista” (Editora Sundermann, 2016) registra em livro parte de seus estudos feitos na mesma UFMG de sua graduação. Gustavo prova que para se dominar algum assunto consequentemente basta isso mesmo, dedicar horas e horas de pesquisa ao tema. Foi o que fez. Hoje é expert no pensamento e na trajetória de Karl Marx e tem feito depoimentos em muitos podcasts e palestrado em universidades como a USP e a federal de Santa Catarina, oportunidades em que demonstra seu profundo conhecimento de história e economia. Trabalha atualmente no Instituto Latino Americano de Estudos Sócio-Econômicos (Ilaese) que edita um catálogo com o ranking de empresas brasileira e estrangeiras, com seus respectivos balancetes, peça fundamental para se compreender como anda a economia a nível local e internacional. Tem polemizado com representantes da esquerda brasileira como Elias Jabbour e Jones Manoel por sua convicção de que a China desde as reformas de Deng Xiaoping é um país que segue o receituário das piores práticas dos piores governos capitalistas.

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O Comunista do Dudu Paes e a Conservadora Liberal

O debate não é recente, mas é instrutivo. De um lado, Renata Barreto, influenciadora, empresária, sócia da empresa de investimento Faz Capital e co-fundadora do aplicativo O Exército (“uma verdadeira comunidade de agentes de informação”). Economista formada pela PUC de São Paulo, ela comanda também a plataforma Cursology e já ministrou aulas sobre “Capitalismo e Socialismo” por conta de seu interesse por história, política e economia. Diz que começou a ler “O Capital”, de Karl Marx, mas achou um livro “muito chato, inclusive”. E olha que ela nem sabia que a obra vinha em três volumes. Deixa claro, no entanto, que se afina mais com as ideias de Ronald Reagan, ainda que ele não seja exatamente conhecido por ter escrito uma única linha sobre história, política ou muito menos sobre economia, mas sim por ser o ator hollywoodiano que chegou à presidência dos Estados Unidos. Liberal e conservadora por convicção, ela se mostra radicalmente crítica a todas as iniciativas do Partido Democrata americano a qualquer tempo (do período Bill Clinton ao de Joe Biden). Cultuadora dos fundadores dos Estados Unidos, ficou surpresa ao receber de presente o volume “Cartas da Economia Nacional Contra o Livre Comércio”, de Alexander Hamilton (com Friedrich List e Henry Carey), que, como outros founding fathers, é uma pessoa que ela admira e que conhecia de documentários e do musical da Broadway – “Cartas da Economia Nacional”, como o título insinua, pregava o protecionismo como política de estado para o desenvolvimento da indústria. Do outro lado da mesa está Elias Jabbour, o comunista que atualmente integra a equipe de Dudu Paes. Elias voltou da China no final do ano passado. Foi tirado do cargo de diretor de pesquisa do Novo Banco de Desenvolvimento, ligado aos Brics, onde havia chegado pelas mãos da presidenta Dilma Rousseff, para comandar o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos da administração do prefeito carioca. Formado em geografia com mestrado e doutorado pela USP, é professor licenciado dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Econômicas e em Relações Internacionais da UERJ e especialista em assuntos que dizem respeito à República Popular da China. Integrante do Partido Comunista do Brasil, ele já visitou e fez pesquisas in loco no país asiático e teve que explicar à defensora do estado mínimo que “capitalismo de estado” é um pleonasmo. Com visões divergentes sobre política, num ponto os dois parecem concordar: não simpatizam com Thomas Piketty.

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David Byrne de Volta com Todo Mundo

Para aqueles que achavam que David Byrne estava com nostalgia dos Talking Heads, pelo empenho com que ele se entregou ao relançamento do rockumentário “Stop Making Sense”, tem sido uma boa surpresa saber que ele segue produzindo músicas inéditas. Desde o “American Utopia”, de 2018, que foi seguido por turnê que passou pelo mundo e pelo Brasil, ele não lançava nada de novo. Então vieram recentemente as ótimas composições em parceria com Arnaldo Antunes e agora chega a primeira composição do álbum “Who is the Sky?”, que entra nas playlists das plataformas digitais em setembro, seguido de excursão, segundo ele, nos moldes do conceito das apresentações de “American Utopia” com muita mobilidade no palco. A nova composição que abre os trabalhos é “Everybody Laughs”. Alguém próximo a Byrne chamou a sua atenção para o fato de ele usar “everybody” com muita frequência. Byrne decidiu então dedicar mais uma faixa ao assunto. O novo projeto do dono dos selos nova-iorquinos Todo Mundo e Luaka Bop (que lançou discos de Tim Maia, Tom Zé e Mutantes) tem produção de Kid Harpoon (Harry Styles, Miley Cyrus) com participações de St. Vincent e de Hayley Williams, do grupo Paramore. A partir de setembro e até o final do ano, os shows correm os Estados Unidos e Canadá. Ano que vem, David Byrne começa por Nova Zelândia, Austrália e depois segue para a Europa. O Brasil ainda não entrou na rota de shows, o que é compreensível depois que a participação no Lollapalooza em 2018 em São Paulo, foi seguida por um show no Rio com público minguado. Mais detalhes do novo projeto no site de Byrne (https://whoisthesky.davidbyrne.com/).

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Talento Portenho

Uma violonista e cantora argentina no Jardin du Luxembourg, cantando, com aquele charme dos falantes de espanhol ao interpretar canções em português, “Sampa”, de Caetano Veloso. Foi assim que conheci pela primeira vez a musicista Inés Adam. Em seguida, ela me apareceu ao lado da futura parceira, Dolores Grosz, com inesperadas versões para músicas dos Tribalistas e de Toquinho e Vinícius. Surgiu ainda em números autorais com Dolores, no duo Aglo, cantando composições próprias em francês e castelhano. Apesar do ecletismo do repertório inicial de covers, Inés, a partir de certo momento, e agora de novo sozinha em seguida ao fim do Aglo, logo se fixaria com fervor de fã na interpretação de músicas dos Strokes. Uma extensa lista de versões foram feitas. Sua playlist para as composições da banda de Julian Casablancas em seu canal no YouTube começa com “Threat of Joy”, passa por “Meet me in the Bathroom” e chega a “Automatic Stop’, “What Ever Happened” e “Selfless”. A partir dessas versões se deu a transição para a parceria com Martina Nintzel, que Inés conheceu através de contato via redes sociais em 2021. Martina, uma garotinha na época, saindo da adolescência (ela é nascida em junho de 2003), também era siderada pelos Strokes, o que acabou facilitando a aproximação. Gravadas de forma bem rudimentar, as versões das duas com guitarra e baixo para as composições da banda norte-americana, logo se esprairam para covers de Arctic Monkeys, Charly Garcia e até Abba. Algumas dessas gravações sairiam futuramente no EP coletânea “Not a Cover Band”. Apesar de falantes de espanhol, elas passaram a compor apenas em inglês para o projeto em dupla a que se dedicam e que deram o nome de Pacifica (marca da guitarra de Inés). As músicas autorais resultaram no excelente disco de estreia “Freak Scene”. Agora o Pacifica, depois de shows de relativo sucesso para uma banda iniciante pelos Estados Unidos, pelo Europa e no Brasil (estiveram em São Paulo este mês), prepara em Londres seu segundo disco de músicas inéditas, sempre assinadas pela dupla Inés/Martina.

Sampa por Inés Adam

Tribalistas no duo com Dolores Grosz

Vinícius e Toquinho

Música autoral do Aglo reunindo Inés e Dolores cantando em francês

Ida”, mais uma do Aglo, agora em castelhano

Inés Adam começando a conhecer a futura parceira Martina Nintzel

Show rooftop da banda Pacifica com o repertório de “Freak Scene”, disco de estreia

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