Dylan Zimmerman

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Entre as artes que lidam com a palavra, a poesia é considerada a sua manifestação mais nobre. Reina acima da prosa, por exemplo, reputada como uma forma de expressão menor. Tanto assim que os grandes romances em qualquer idioma costumam incluir, em algum momento, versos. Escritor que se preze também tem obrigatoriamente que arriscar, uma hora ou outra, um poema. Confesso a minha extrema dificuldade em entender alguns poetas e seus versos. Outros me maravilham de imediato. A razão talvez seja aquela aventada por uma amiga, Sheila Kaplan, que tem um estudo sobre a poesia de Murilo Mendes. Diz ela que um poema deixa na mão de seu autor uma liberdade tamanha que o resultado ou é algo extremamente sublime, ou totalmente desprezível. E ainda assim, a razão por que o julgamos sublime ou desprezível é, de qualquer jeito e como tudo no campo da arte, da ordem do imponderável (alguns talvez preferissem dizer, da ordem do gosto).

Não existe, que eu saiba, crítico, ou mesmo leitor desinteressado e sem qualquer pose de analista literário, que não considere Machado de Assis melhor prosador do que poeta. Os versos de Herman Melville para as “Encantadas”, de forma semelhante, jamais vão fazer qualquer sombra sobre “Moby Dick”, ou mesmo sobre uma das outras obras em prosa do autor norte-americano. Por outro lado, não conheço ninguém que julgue Drummond melhor cronista que poeta, ainda que já tenha esbarrado com pessoas, acreditem, que tentavam lançar um olhar reprovador para a sua poesia. Drummond não chega a ser o poeta de quem eu saiba os versos de cor, mas imagino que aqueles que não vêem profundidade em sua escrita poética vão sempre se restringir a um grupo bem reduzido de pessoas.

Bom, esta volta toda é para chegarmos ao poeta que acaba de ser laureado com o Nobel de Literatura. Incorporando um pouco do espírito de Lima Barreto, devo começar dizendo que não posso ter nenhum apreço por um prêmio para o qual a literatura brasileira inexiste. Para a Academia Sueca, depois de passar mais de um século contemplando o cenário da produção literária planetária, ninguém no Brasil produziu um conjunto de obras relevantes. Mas a falta de sensibilidade parece ser a marca registrada que fez com que fossem esquecidos Tolstói, Valéry, Proust, Joyce, Kafka… a lista é grande. Portanto é melhor que deixemos ela de lado.

Quanto ao Dylan Zimmerman poeta, ele é fonte de sentimentos ambivalentes. Não chego a condição de fã incondicional como o Suplicy-pai e o Eduardo Bueno, ou mesmo à adoração de uma devota que existe aqui em casa e que tem tara pela fase new wave do bardo (é, senhores, não sei se é lenda urbana, mas dizem que essa fase existiu e que foi inspirada em Boy George e seu Culture Club; dúvidas, questionamentos, serão devidamente encaminhados por inbox a quem de direito). Ainda assim gosto muito, e sem saber bem o porquê, de boa parte de sua obra. Especialmente a veia poética que explora a clivagem beat entre o corriqueiro e o surreal, como nos versos que aparecem em “Tangled Up in Blue”:

She lit a burner on the stove and offered me a pipe.

“I thought you’d never say hello,” she said,
“You look like the silent type.”
Then she opened up a book of poems
And handed it to me.
Written by an Italian poet
From the thirteenth century
And every one of them words rang true
And glowed like burning coal
Pouring off of every page
Like it was written in my soul from me to you

Dylan tem incontáveis exemplos como este, que iriam dar no primeiro e provavelmente único exemplar de jornalismo literário escrito em verso com “Hurricane”, como observou de forma pertinente André de Leones no Estadão da última sexta-feira. Mas aprecio especialmente as investidas vazadas na clave estritamente surrealistas, como no clássico “Highway 61 Revisited”:

Oh God said to Abraham, kill me a son
Abe said man you must be puttin me on
God said no, Abe said what
God said you can do what you want Abe but
Next time you see me coming you better run
Well, Abe said where you want this killin done
God said out on highway 61

Ou na abertura de “Subterranean Homesick Blues”:

Johnny’s in the basement
Mixing up the medicine
I’m on the pavement
Thinking about the government
The man in the trench coat
Badge out, laid off
Says he’s got a bad cough
Wants to get it paid off

Há, no entanto, partes de sua obra poética que não fazem sentido algum pra mim. Antes mesmo de pouco ou quase nada me interessar pela trip cristã de Dylan Zimmerman, já achava hits seus como “Blowing in the Wind” tão bons e contagiantes como um comício político. “Knocking on Heaven´s door”, esta talvez pela exposição excessiva, só serviu como uma das primeiras músicas que usei para ensinar a um de meus sobrinhos, que, eu não fazia ideia, viraria músico, a tocar violão.

Parece que, para justificar a premiação de um ídolo pop, compararam Dylan ao Homero que saía pelas cidades recitando seus versos. E nisso, a contribuição do bardo é única. Além de poeta, Bob Dylan, ainda que possua uma voz de taquara rachada, convence como cantor pela genialidade de suas modulações vocais que fazem suas músicas mudarem de um show para o outro (ou faziam, é melhor dizer, já que há um bom tempo ele não consegue mais cantar decentemente como comprovamos em suas apresentações recentes no Brasil). Suas letras, num caso bastante interessante, mostram ainda que a poesia pode estar em constante transformação, permanentemente alteradas que eram pelo autor de uma apresentação para outra. É o que Dylan sempre faz e o torna um performer singular e merecedor de todas as honrarias.

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Tirada do inspirado Tutty Vasquez,  ou Alfredo Ribeiro, em seu perfil no FB
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O Competidor Estreante

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Um admirador apareceu na sala de controle para desejar boa sorte na prova do Raia Rápida

Depois de passar as últimas semanas namorando a piscina do Parque Olímpico da Barra, não tive como perder a oportunidade de dar minhas braçadas em suas águas azulzíssimas no evento “Raia Rápida”. Uma competição que costuma acontecer na piscina da sede aquática do Botafogo (aquela que fica suspensa no começo do aterro e de cara pro Pão de Açúcar), mas que os organizadores aproveitaram para levar para o palco das disputas olímpicas na Barra este ano.

O evento reuniu nadadores profissionais, iniciantes (com provas nas categorias mirim, infantil e juvenil), ex-atletas e amadores. Primeiro tivemos as competições dos iniciantes, dos atletas amadores/veteranos e depois o show de quatro times profissionais com 4 atletas para cada um dos estilos por equipe. Para a edição de 2016, rivalizaram as equipes da Itália, da África do Sul, dos Estados Unidos e do Brasil. Bruno Fratus comentou apropriadamente que a dinâmica das provas, que acontecem em sequências eliminatórias sucessivas (de 4, de 3 e de 2 competidores, até chegar ao vencedor) para fechar com um revezamento (com pontuação a cada disputa e um peso maior para a vitória no revezamento), pode ser uma maneira de tornar a natação mais atraente como espetáculo para o público espectador. Dos atletas que participaram da Rio 2016, tivemos a presença do americano Anthony Ervin, ouro nos 50 metros aos 35 anos, do italiano Fabio Scozzoli, do sul-africano Douglas Erasmus e dos brasileiros Bruno Fratus, Henrique Rodrigues, Henrique Martins e João Gomes Jr..

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Djan Madruga aos 58 anos e, neste link,  em uma prova na Olimpíada de Montreal de 1976 (400m livres) em que bateu em 4o. lugar e por pouco não subiu ao pódio (clique aqui)

Além de conhecer a piscina de aquecimento, deu ainda para ter, na sala de controle das provas, aquele encontro de fã com os atletas profissionais que iam competir e que apareceram para prestigiar quem saiu da cama cedo para o evento. Teve também a presença dos veteranos Gustavo Borges e Djan Madruga.  Foram 25 baterias amadoras. Gustavo Borges, medalhista em Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Sydney (2000), nadou na 22a., e Djan Madruga, primeiro medalhista da natação brasileira em Moscou em 1980 (competiu ainda em Montreal, em 1976, e em Los Angeles, em 1984), na 24a. e penúltima bateria, da qual também tomei parte.

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O medalhista olímpico Gustavo Borges e seus companheiros de bateria

As provas infantis fizeram lembrar as primeiras tentativas de me aproximar das piscinas aos 10 anos nos treinos matinais do Tijuca Tênis Clube antes de escolher o tênis como prática esportiva predileta. Fez recordar também competições que não via há anos e que são fundamentais para a formação e o surgimento de novos atletas.

Só faltou mesmo a presença de Coelho Neto para tirar do bolso um discurso como aquele que proferiu por ocasião da abertura daquela que talvez tenha sido uma das primeiras piscinas construídas para competição no Rio de Janeiro, a do Fluminense Football Club, inaugurada em 1919. Um dia falo com mais calma sobre o pai de Preguinho (ou João Coelho Neto, multi-esportista, campeão como nadador, cestinha recordista de arremessos no basquete e o primeiro jogador a marcar um gol pela equipe brasileira em uma Copa do Mundo, em 1930), de Mano (ou Emmanuel Coelho Neto, jogador do Fluminense como Preguinho, falecido em um incidente durante uma partida contra o São Cristóvão) e de Violeta Coelho Neto de Freitas (exímia nadadora e soprano que encantaria o público fazendo a Cio-Cio-San de “Madame Butterfly”, de Puccini, na primeira temporada lírica com cantores nacionais no Municipal, em 1937).

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“A solenidade que aqui nos reúne e para a qual foram convocados os poderes do Céu e da Terra, e o mar, é de tanta magnitude que a não podemos avaliar senão rastreando, através das sombras do Tempo, a sua projeção no Futuro.” (Coelho Neto. Discurso na inauguração da piscina do Fluminense F.C., em 1919)
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 Preguinho (ou João Coelho Neto) e sua irmã Violeta, dois dos 14 filhos de Coelho Neto com sua mulher Maria Gabriela Brandão

Voltemos desta viagem no tempo. Todas as provas do Raia Rápida foram disputadas em estilo livre em 50m apenas. Na categoria infantil, impressionou o garoto Leandro Odorici, que aos 13 anos nadou com o tempo de 25.43. O tempo de Fratus e de Erwin nas muitas provas que fizeram durante o evento, por exemplo, oscilou entre 22 e 23 segundos. O recorde para esta prova é de Cesar Cielo, conseguido em 2009 em Roma com a marca de 20.91, nunca batido desde então. O tempo do veterano Gustavo Borges, com 44 anos hoje, foi de 24.91 no Raia Rápida. Ao encontrar com ele no vestiário antes da entrada na sala de controle, perguntei qual a dica que daria para quem nunca tinha saltando de um bloco de competição na vida, meu caso. Aconselhou que saísse de dentro d´água. Ao que eu retruquei que ele estava sendo duplamente desleal.

A saída é muito importante e a tecnologia na altura e inclinação do bloco de partida é o que tem ajudado a baixar os tempos, especialmente em provas muito rápidas. É também o que traz mais problemas para os competidores neófitos. Cheguei em 5o. lugar com o tempo de 37.18, nadando tranquilo e aproveitando a beleza da piscina ao reparar pelos retardatários e companheiros de faixa otária que não faria tão feio assim. O vencedor da bateria, Roberto Carlos Carvalho, ganhou com o tempo de 27.60. Djan Madruga fez o tempo de 28.36.

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Foi a segunda competição de natação da qual tomei parte, mas a primeira em piscina. Em 2012, participei da “Travessia dos Fortes”, cruzando a praia de Copacabana do Posto 6 ao Leme. Enjoei muito. Aliás, desde pequeno foi o enjoo dentro d´água que me afastou até mesmo das piscinas. Durante a travessia e na altura do hotel Rio Othon Palace, a ondulação me fez ficar completamente mariado e tive que fazer o restante da prova até o Leme nadando peito no tempo de 1h19. Para quem sofre de enjoo n´água, recomendo o aprendizado e prática da alternância de lado na respiração. O hábito afasta o mal.

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Parceiros da Travessia dos Fortes. A professora Janaína (que também enjoou feio) e Bruno Florentino

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Inclusão Olímpica

daniel-dias-2Para uma sociedade que vive diariamente um sentimento de desprezo absoluto por manifestações mínimas de civilidade, as Paraolimpíadas, que acabam de se encerrar no Rio de Janeiro, se mostraram um evento extremamente educativo. Os jogos cumpriram a simpática missão de mobilizar um número significativo de pessoas e levá-las a um exercício raro de prática inclusiva que, tenho certeza, terá consequências para a elevação do grau de tolerância e de respeito mútuo. Todos aqueles que lidam com a realidade educacional brasileira sabem o quanto isto é importante.

Excluindo os interesses econômicos que movem as disputas esportivas, não consigo compreender a razão de as duas competições não terem ainda se transformado em um único e mesmo acontecimento olímpico. Especialmente quando se sabe que muitos atletas paraolímpicos tiveram desempenho que rivaliza com aquele dos esportistas olímpicos. Além disso, é perfeitamente possível se reduzir o número de baterias seletivas para se ter competições mais enxutas. Seria uma atitude que ajudaria a dar mais importância às provas paraolímpicas e a equiparar em prestígio as duas competições.

Como de costume, acompanhei com atenção especial as provas do parque aquático onde o Brasil teve a chance de festejar o seu maior atleta paraolímpico na pessoa do nadador Daniel Dias. Talvez pareça simples o que o mais destacado medalhista brasileiro faça dentro da piscina. Aos que imaginam se tratar de coisa simplória, desafio a completar apenas 25 metros, ou metade de uma raia olímpica, em nado borboleta.

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Outro nadador que impressionou muito foi o chinês Tao Zheng. Ele vem se distinguindo desde a paraolimpíada de Londres. Enfrentando a limitação que tem como consequência da amputação dos dois braços, ele tira proveito do seu trabalho de pernas, especialmente na impulsão da virada no nado submerso. Consegue com isso trabalhá-las com uma eficiência excepcional, o que o leva a liderar com ampla margem de vantagem suas provas e, na competição dos 100m no estilo costas, o fez bater o recorde paraolímpico durante a competição. Quem pratica este balé dentro d´água que é a natação (por favor, leitores, sem risinhos, sim?), passa a observar estas coisas. Os chineses, tanto na Olimpíada quanto na Paraolimpíada, vêm dominado as competições e liderando o quadro de medalhas a cada edição do evento. Nas disputas aquáticas então nem se fala. A razão, ficamos sabendo, é que todos os seus atletas medalhistas são agraciados com uma pensão vitalícia por seus feitos.

Para um país em que escolas e universidades devotam pouca, ou mesmo nenhuma, atenção às práticas esportivas e em que se olha com desconfiança projetos de mínima justiça social de programas como o Bolsa Família, até que nos saímos melhor do que o esperado. É verdade que desde 2004 houve a criação do Bolsa Atleta, o que foi um primeiro paliativo. Vejamos se ela terá continuidade passada a febre olímpica. Ao fim das competições, nossa colocação geral ultrapassou de longe o desempenho que deveríamos cobrar de nossos atletas. Dos esportistas paraolímpicos nem se fala, já que o investimento nesta categoria ficou bem aquém daquele feito na equipe olímpica.  

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Indagações sobre a Verdadeira Face da Imprevisível e Dissimulada Dama

img_1828-001O assunto poderia ter sido discutido no conjunto de vime composto por um sofá e por quatro poltronas no espaço entre as duas estantes à esquerda de quem adentrava a livraria e casa editorial Garnier, na rua do Ouvidor no centro do Rio de Janeiro, há um século. Os convivas na livraria do editor de Machado de Assis seriam Olavo Bilac, Lima Barreto, João do Rio, Gilka Machado, Coelho Neto e seus muitos amigos e conhecidos. Ele foi, no entanto, inquirido, perscrutado, perquirido, na mais nova filial da Livraria da Travessa que fica em frente às salas de cinematógrafo do antigo cinema Estação Botafogo (agora, Estação Net).

Ao invés de pisarmos a calçada da Ouvidor, com seu ladrilhado vermelho, branco e amarelo, e subirmos os degraus da loja do livreiro Baptiste Louis Garnier (ou, para os maldosos, do Bom Ladrão Garnier), passamos pelo piso quadriculado em verde e branco da entrada da nova livraria da Voluntários da Pátria, vencemos sua vitrine com janelas avermelhadas e percorremos seu sinuoso labirinto. Lá, bem no fundo, no acolhedor recinto dedicado às crianças, nos entregamos a uma tarefa inglória: a de tentarmos entender aquela com a qual convivemos diariamente, estejamos satisfeitos, seduzidos, fascinados ou aborrecidos, chateados, agastados com ela.

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De início, procuraram passar a imagem de uma criatura que, ainda que muito conhecida e falada, é simpática, envolvente, simples e fácil no trato, não só com os próximos, mas também com aqueles que se relacionam com ela à distância. Aos poucos porém fomos descobrindo o quanto estes traços aparentemente afáveis, amáveis, amoráveis, afetuosos, podem esconder uma figura geniosa, cheia de caprichos, veleidades, cismas, desvarios. Capaz mesmo de ensejar brigas homéricas. Percebemos, assim, como temos na verdade uma fonte de permanente dissenso entre todos aqueles que a cortejam.

Alguns chegando mesmo a se arvorar a criadores de leis, punições, sanções, multas, para os que tentarem se engraçar com ela. Das discussões genéricas, avançamos sem demora para as considerações pontuais. Nosso espaço de debate ganhou a partir daí ares de tribunal, uma corte comandada pelo escritor Arthur Dapieve e pelo expert em crimes de lesa-língua, bem como autor de livro sobre o tema, em lançamento naquela noite (“Viva a Língua Brasileira!”, Companhia das Letras, 2016), Sérgio Rodrigues. Procedeu-se assim à análise de alguns dos muitos litígios envolvendo a polêmica figura. Comentou-se, por exemplo, sobre a existência de alguns que juravam que ela jamais poderia aceitar ver algum cidadão a “correr risco de vida”. Para estes, ela só poderia vir a testemunhar, sem incorrer em ilogicidade, uma pobre e infeliz pessoa a passar por “risco de morte”.

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Da mesa, Sérgio Rodrigues, e, da platéia, Arnaldo Bloch, não deixaram de externar suas contrariedades. O primeiro afirmou que, ainda que aceitável, o “risco de morte” não pode ser admitido como uma forçosa contrapartida à exclusão do “risco de vida”, sem que, com isso, seus adeptos fossem reconhecidos como néscios clamorosos. O segundo foi mais direto na desqualificação de semelhante perspectiva e disse que se alguns autores pensam assim, “problema deles”. Ainda que acompanhemos esta opinião, a defesa intransigente de um Ferreira Gullar ao “risco de morte”, em artigo publicado em jornal, e a adoção em seu mais novo livro, “A Noite do Meu Bem”, desta expressão por um escritor mordaz como Ruy Castro, crítico sempre ferino dos que fazem mau uso de nossa querida companheira, faz vislumbrar por quantos caminhos tortuosos vagueia nossa controvertida musa.

Outro capricho de nossa prima-dona envolve o uso de mais uma expressão que tem deixado insatisfeitos os defensores de sua imperiosa e necessária lógica. Para estes, não poderíamos ter “dois pesos e duas medidas”, mas simplesmente “um peso e duas medidas”. A polêmica poderia ganhar curso, caso a expressão não vicejasse desde tempos imemoriáveis, bíblicos, por assim dizer. Quase recorremos a um especialista em aramaico para afastar pra bem longe este embaraço injustificável.

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Encerrada a conversa, inquiri aos que tinham defendido a simplicidade de nossa sábia dama, o porquê de pessoas, que se movem, comunicam e se mostram tão desenvoltas em recorrer a ela para expressar suas ideias, anseios, fascinações, acabarem por tropeçar ao tentar colocar em registro escrito seus inspirados lampejos confabulatórios. Como exemplo, citei o caso do muito falante, articulado e imbatível debatedor de mesas da Flip, Benjamin Moser. O diagnóstico sagaz não tardou a eclodir: levantaram a hipótese de o autor de “Clarice,” ter transitado em excesso pela literatura de sua biografada.

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No final do encontro e no frenesi pela busca de um autógrafo para o volume de “Viva a Língua Brasileira!”, belamente ilustrado por Francisco Horta Maranhão e com capa primorosa de Alceu Chiesorin Nunes, acabou faltando tempo para conversar mais com os presentes. Com Pedro Doria, sobre a troca de um iPhone por um celular-android e ainda sobre o tenentismo. Com o quieto Ronaldo Bastos (sinal de que a poesia observa de longe estas discussões), sobre letras e a Nuvem Cigana. Com Fernando Molica, sobre a mais completa falta de decência política de que se tem notícia na história deste país. Com Mànya Millen, sobre os caminhos da literatura contemporânea. Com Heloisa Fischer (conversa que poderia ser compartilhada com o neo-erudito Dapieve) sobre a escolha de repertório de Yo-Yo Ma e Yuja Wang. E de, finalmente, dar os parabéns ao Álvaro Costa e Silva pelas colunas na prestigiada segunda página da Folha de São Paulo.

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Conversa sobre a Pérfida, a Traidora, a Desalmada Criatura

Língua BrasileiraGrande expectativa pelo encontro em setembro entre dois craques da escrita na Livraria da Travessa em Botafogo para uma conversa sobre esta prima-dona sem coração, esta senhora vaidosa que gosta de fazer e acontecer comigo.  Já se vão aí mais de 50  anos de convivência e a arrogante sempre me maltratando, sem dó, nem piedade. Faz tantas que, invariavelmente, me pego a conjecturar se ela não teria amantes em cada bairro da cidade. Enamorados, amásios,  concubinos que, como eu, posso antever, também são maltratados, ludibriados, pela pérfida figura. Estamos, ao que tudo indica, condenados por gosto e por destino a procurá-la na triste esperança de uma vida serena em sua companhia. Por vezes suplicando, implorando, nos humilhando em público ou nos remoendo em auto-flagelação no recesso do lar, em busca de um pouco de compreensão. Carentes eternos de sua presença, não conseguimos deixar de pedir que nos trate bem. E ela, invariavelmente, faz justo  o oposto. De nariz em pé, fica debochando, desdenhando, fazendo pouco caso de nós. No próximo dia 5, me dirigirei à Livraria da Travessa para saber se, de fato, existem homens felizes no mundo que se dão em completa harmonia com esta desalmada criatura. E caso tal hipótese se confirme, vou querer entender como fazem para conviver com este tipo arrogante, cuja única atribuição em sua maldosa existência parece ser o desejo de espezinhar e menosprezar os que não conseguem passar um dia sequer sem tê-la por perto.

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O Rei Slater de Volta

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Kelly Slater dando entrevista para Peter Mel depois de vencer em Teahupoo

Ainda não havia se encerrado a maratona olímpica e a temporada de surfe já tinha retomado seu curso com as sessões deste ano nas ondas de Teahupoo na Polinésia Francesa.  Gabriel Medina conseguiu chegar à semi-final para ser desbancado pelo havaiano John John Florence em uma bateria acirradíssima em que perdeu por muito pouco. Os dois seguem brigando pelas primeiras posições na temporada junto com o australiano Matt Wilkinson. Mas a grande figura do evento foi Kelly Slater que do alto dos seus 44 anos continua dando aula para a garotada. Slater teve sua 55a. vitória no surfe mundial, marca que o deixa ainda mais distante de qualquer surfista em qualquer tempo. Surfou com a classe usual em Teahupoo naquelas que são as ondas mais perigosas e desafiadoras de todo o circuito. Ainda que esteja participando apenas de algumas das 11 fases da competição, já conseguiu com sua pontuação se posicionar entre os 10 primeiros mais bem colocados e pode dar trabalho até o fim da temporada que acontece em dezembro em Pipeline. Antes disto, os surfistas voltam aos Estados Unidos (à praia de Trestles, na Califórnia), em setembro, e depois vão a França (Seignosse/Soors-Hossegor) e a Portugal (Peniche), estas duas competições em outubro.

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Duas Semanas de Celebração Esportiva

Captura de tela inteira 14082016 150555As olimpíadas sobreviveram aos piores vaticínios e para quem nunca esteve próximo de um evento desta magnitude, acompanhar tudo de perto foi deleite puro. Duas semanas de contendas esportivas non-stop. Ora pagando ingresso para ver as competições junto a entusiasmados torcedores (alguns, poucos felizmente, mais entusiasmados do que o necessário, é bem verdade) que apoiavam as delegações brasileira e estrangeiras no Parque Olímpico, ora simplesmente dando um pulo até a praia de Copacabana ou até a Lagoa Rodrigo de Freitas para assistir como mero curioso às maratonas no mar e às competições de remo. Ou ainda pela televisão com a excelente cobertura do Sportv, que fez o mais amplo televisionamento da Rio 2016 e que teve nos programas “Bom Dia Sportv” e “Extraordinários” duas de suas melhores atrações.

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Tudo em uma edição especialmente feliz para a delegação brasileira que encerrou o evento com duas partidas que coroaram os jogos. No ex- Maracanã, quebramos o tabu do ouro olímpico no futebol e, no ex-Maracanãzinho, confirmamos o favoritismo que tem levado o Brasil a invariavelmente fazer as finais dos jogos olímpicos no voleibol desde a histórica participação na olimpíada de Barcelona de 1992.

No Estádio Mario Filho, e depois de um início titubeante e com um vergonhoso empate com o Iraque, Neymar Bolt, Renato Augusto, Gabigol, Weverton e uma jovem e promissora seleção resolveram mostrar serviço e apresentar um futebol que ajudou a apagar da memória o fiasco das equipes comandadas por Dunga. São ainda muito marrentos a meu ver para um time que é apenas uma promessa e receberam também um absurdo prêmio individual por atleta de 500 mil de uma entidade corrupta, o que não é bom sinal. Mas inegavelmente conseguirem um feito inédito e jogaram bem, particularmente nas partidas contra Honduras e Alemanha. Foi de se lamentar que um Müller, um Ozil, um Lahm, um Manuel Neuer, não tenham participado do time da Alemanha para que tivéssemos um jogo mais relevante para o público. A presença de craques da seleção campeã da Copa de 2014 do outro lado do campo no jogo final poderia ter tornado a partida ainda mais disputada e interessante.

No Gilberto Cardoso, ginásio que tem o nome de um destes dirigentes esportivos que merecem ser sempre lembrados, a estrela de Bernardinho seguiu brilhando no comando de uma equipe que misturou os veteranos Serginho e Bruninho com  o estreante Lucarelli em uma time afiadíssimo que conseguiu fechar a semi-final e a final com o resultado surpreendente de 3 sets a zero sobre adversários fortes como os russos e os italianos.

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Mas as olimpíadas colecionaram imagens de grande impacto nos cenários que privilegiaram os encantos naturais do Rio de Janeiro. Pela TV era possível ver logo cedo as tomadas belíssimas, ajudadas por amanheceres ensolarados na maioria dos dias. Práticas esportivas que têm a vocação do sublime, como as competições náuticas e aquáticas, fizeram a festa do espectador. Como aquelas, por exemplo, protagonizadas por Isaquias Queiroz, este índio-caboclo que dá a impressão de ser um personagem saído de um livro que José de Alencar nunca escreveu. Vimos Isaquias ser flagrado em imagens de evocação épica montado em sua canoa a singrar as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, sozinho e ao lado do parceiro medalhista Erlon de Souza Silva.

São cenas de impacto equivalente àquelas proporcionadas pela final das equipes dos barcos de oito das corridas de remo que aconteceram no primeiro sábado de competições e que puderam ser vistas nas muito bem organizadas raias da Lagoa. Repetíamos naquele dia, 60 anos depois, algo que aconteceu neste mesmo cenário em julho de 1956.
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Naquela ocasião, o Jornal dos Sports de Mario Filho trouxe uma guarnição de remo da Universidade de Cambridge para competir contra equipes brasileiras. Todos os jornais da época registraram aquela que, mais do que uma disputa, se transformou em uma belíssima apresentação dos renomados representantes da conhecida universidade inglesa. O público lotou as arquibancadas do Estádio de Remo para prestigiar o evento que deve ter sido um espetáculo tão bonito como o que aconteceu dentro das Olimpíadas do Rio. Assim como a equipe do oito da Grã-Bretanha dominou a prova olímpica final nesta categoria, os remadores do oito de Cambridge deixaram para trás as guarnições do Flamengo, de Aldo Luz (de Florianópolis), do Vasco e do Tietê paulista em 1956.
Na Marina da Glória a vitória de Martine Grael e Kahena Kunze na regata da classe 49er foi uma surpresa, mas não de todo inesperada se nos lembrarmos da tradição de velejadoras que vem de duas famílias ligadas a este esporte. Com uma baía de águas limpas, nenhum dos vitoriosos se privou do seu mergulho para comemorar a conquista. Havia toda a expectativa em relação a participação de Robert Scheidt que saiu muito mal em todo o evento. O comentarista João Bulhões esclareceu que Scheidt teve que voltar ao laser com o fim das competições da classe Star em que sempre faturava suas medalhas. Ainda que quando jovem tenha conseguido subir ao pódio na classe laser, Scheidt não tem mais condições físicas para competir nesta categoria.
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Já tinha assistido à natação e escolhi ainda ver ao vivo duas outras competições no Parque Olímpico da Barra. Os saltos ornamentais e uma partida de polo aquático. Os saltos já estavam sendo realizados em águas azuis e transparentes e o polo havia tomado o espaço da piscina onde se deram as provas de natação na primeira semana. No polo aquático a briga era pela medalha de bronze que ficou com a equipe feminina russa em jogo disputadíssimo contra as húngaras. O jogo de abertura foi uma lavada das jogadoras chinesas contra as brasileiras. De qualquer jeito, o polo aquático se pareceu mais com uma luta livre entre mulheres à beira de um ataque de nervos do que com qualquer outra coisa, com gritaria pra tudo quanto é lado. Bem diferente do ambiente contido dos saltos ornamentais. A febre esportiva segue agora com os jogos paralímpicos. Já nadei lado a lado com atletas deficientes durante a Travessia dos Fortes em 2012 e não quero perder as provas de natação em setembro.
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A Marvada, a Bendita, a Caprichosa Língua Brasileira

Quem passa por aqui sabe da minha luta com o seu, com o meu, com o nosso idioma. Ainda bem que tenho, como desculpa esfarrapada, a companhia de Scott-Fitzgerald, Herman Melville e Rubem Fonseca, três craques das bem-traçadas por vias tortuosas. O que há de bom no blogue é que podemos seguir atualizando, em correções diárias, as atrocidades que escaparam na véspera. Nestas horas, são fundamentais os aconselhamentos sobre o idioma pescados nos textos jornalísticos escritos com classe por Sérgio Rodrigues nos jornais (do JB, de ontem, ao Estadão, de hoje) e na blogosfera (do nominimo, do passado, ao todoprosa, de agora). Estudioso autodidata sobre o assunto, Sérgio Rodrigues é um debatedor culto que sempre levanta questões pertinentes e instrutivas sobre os usos, comportamentos e caprichos da língua. Prestes a lançar o livro “Viva a Língua Brasileira”, pela Companhia das Letras, ele segue também alimentando debates sobre nosso idioma em sua conta no Livro-de-Caras.

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Publicado em Arthur Dapieve, Sérgio Rodrigues | 2 Comentários

Cidade Olímpica em Festa

13932231_1229364443761739_1493586478_oUma beleza o Rio de Janeiro olímpico. Fizeram tantos prognósticos catastróficos que a impressão era a de que nada iria dar certo. Tudo, no entanto, está funcionando bem (a linha nova do Metrô e o BRT em conexão perfeita) e tem sido uma verdadeira alegria circular pela cidade com o clima contagiante dos torcedores. Os ingressos podiam ser um pouco mais baratos, mas dizem que, pelos custos e gastos que um evento desta magnitude requer, mesmo contando com um grande número de voluntários, estamos tendo as entradas mais baratinhas da história recente dos jogos olímpicos. Batalhador incansável por estimular o gosto do público do Rio de Janeiro pelo esporte, Mario Filho estaria feliz da vida em ver uma festa como esta acontecendo.

Ruy Castro teve a visão profética e foi o primeiro a fazer a observação pertinente contra os olhares dos desconfiados: “Apesar dos espíritos de porco e dos profetas da derrota, vamos ter uma grande Olimpíada. E no cenário mais bonito que os Jogos já viram desde a Grécia”, declarou ao escritor português Nuno Costa dos Santos antes de começarem as contendas esportivas. Por sua plasticidade, o remo, especialmente nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, compôs um quadro de beleza inédita. Deixou aquela vontade de desafiar a salubridade da Lagoa e praticá-lo. O mesmo aconteceu com a maratona ciclística que correu toda a orla e as Paineiras.

Por convicções pessoais, procuro me manter afastado das lutas, em todas as suas modalidades. Tentativa de evitar ver por exemplo uma atleta quebrar o braço da Sarah Menezes no judô, imagem nada agradável que tivemos de testemunhar.  A aversão se estende a todas as modalidade envolvendo luta. Até mesmo a nobre arte dos boxers. Outros esportes que fogem à minha compreensão são as disputas de tiro com suas variantes no tiro com arco e no tiro esportivo com arma de fogo. O atletismo também não chega a entusiasmar, mas a diversidade é, como diria Shakespeare, o que dá gosto à vida. No inacreditável leque de sortimento de modalidades (badminton, tênis de mesa, rúgbi) o impensável hóquei na “grama azul” entra, como comentou Marcelo Madureira, para a categoria dos esportes com pretensões lisérgicas.

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Centro Olímpico da Barra com o “cubo da natação”, abaixo à esquerda; à direita, ao lado, a Arena do Futuro (handebol) e, na sequência, Carioca 1 (basquetebol), Carioca 2 (Lutas), Carioca 3 (Esgrima) e o  mais distante velódromo (ciclismo indoor); ao fundo, as quadras de tênis (o estádio maior e aberto ao centro e as quadras menores com piso rápido na cor verde); bem à direita, a Arena Olímpica do Rio (HSBC), espaço das ginásticas (artística e rítmica)

Quando as práticas esportivas ainda engatinhavam no Brasil na década de 1940, o criador de multidões Mario Filho identificou o encantamento adicional que a presença de atletas mulheres podia trazer para um mundo até então dominado pelos homens. Criou assim os “Jogos da Primavera” (só para elas), para enfatizar como a graça feminina nas competições era fundamental. A ginástica artística, com suas apresentações de solo, segue confirmando o que deve se estender às ginásticas de gala e rítmica.

Como os que frequentam este espaço sabem, comungo na cartilha e sigo os mandamentos de Peter Gabriel quando o assunto é esporte. Faço a opção portanto pelo “I go Swimming” do músico de Bath na hora de escolher o esporte predileto. Especialmente nas transmissões comandadas por Milton Leite, Alex Pussieldi, Mariana Brochado e Fabíola Molina. Competições na água são sempre as favoritas e depois de ter conferido o salto em trampolim pela TV, já penso em assistir ao polo aquático. Apesar desta adesão incondicional às modalidades aquáticas, achei muito estranho termos o anúncio do surfe como novo esporte competitivo para as olimpíadas que irão se realizar em Tóquio em 2020. Surfe em piscina de onda artificial não vai ter nenhum sentido. Melhor deixar que a Associação dos Surfistas Profissionais (ASP) cuide, com a classe habitual, deste assunto, bem longe dos jogos olímpicos.

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Moser e Machado Causando nas Redes Socias

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