Weller como Inspiração para um Ano Melhor

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Bumba na Fofinha e uma Mixórdia de Temáticas

“Reset”, podcast de Mariana Cabral

Queria muito ter assistido ao espetáculo “Um Português e um Brasileiro entram num Bar…” com Gregório Duvivier e Ricardo Araújo Pereira. Foram três apresentações em Lisboa e duas no Porto em novembro passado. Eles já haviam se reunido para conversar sobre a geniosa, a intempestiva, a afetada língua portuguesa, bem como para chafurdar as mais improváveis manifestações de suas excentricidades dos dois dados do Atlântico. Discussão que se estendeu com muito humor à apreciação de nossas diferenças e semelhanças culturais. Ela se deu em 2017, quando os dois cronistas da Folha, que nos distraem com suas divagações aleatórias às quartas-feiras (Duvivier) e aos domingos (Araújo) na Ilustrada, inauguraram esse tipo de bate-papo na terceira edição do “Experimenta Portugal – Arte e Cultura” organizado pelo Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

Com quase 1 milhão de visualizações no YouTube, este célebre encontro, já replicado aqui neste blogue, teve uma segunda edição sempre com novos cacos no Festival Literário Internacional de Óbidos (Folio) do mesmo ano (pode ser ouvido como podcast no Spotify). Rendeu tanto e foi tão festejado que parecia inevitável que a dupla de parceiros do programa “Greg News”, em que Ricardo é roterista-colaborador, voltasse a repeti-lo. Como não foi possível assisti-los ao vivo, tive que me contentar com uma entrevista dada pelo Duvivier, por ocasião de sua passagem por lá, ao podcast de Mariana Cabral, também conhecida pela alcunha de Bumba na Fofinha. Mariana está junto de toda uma turma de novos humoristas portugueses com os quais preciso me familiarizar, especialmente depois que dei entrada no pedido de cidadania lusa para, com a aposentadoria se avizinhando, me por a pensaire, ó, pá, em talvez passar uma temporada na terrinha.

Programa de Ricardo Araújo na Rádio Comercial

Ricardo Araújo pertence a uma geração anterior a de Gregório. Começou com o grupo Gato Fedorento nos anos 2000. Grupo que parece ter inspirado a criação do Porta dos Fundos. Além da colaboração como roteirista e das colunas de jornal, Araújo também faz o programa “Mixórida de Temática” na Rádio Comercial. Tanto nela, como em outras emissoras radiofônicas portuguesas que abrem espaço para o humor, o Porta dos Fundos faz aparições frequentes e é recebido sempre com tapete vermelho. Agora em dezembro, Gregório, desta vez com o pessoal do Porta, voltou ao país para a apresentação de mais uma edição do “Portátil”, espetáculo de improviso que o grupo de humoristas já faz há alguns anos em várias cidades portuguesas. Correram com sucesso Ílhavo, Castelo Branco, Coimbra, Porto e Lisboa. Levaram a reboque o Rafael Pimenta segundo colocado no reality que escolheu Macla Tenório (Maria Clara Cerqueira) como a nova integrante do grupo no concurso “Futuro ex-Porta”.

Porta dos Fundos divulga o “Portátil” na Rádio Renascença FM

Edição antiga do “Portátil” pode ser vista no NetFlix

   

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Nepo versus Carlsen versus Firouzja

FIDE World Chess Championship Game 1: Nepo Impresses Under Pressure -  Chess.com

Magnus Carlsen manteve pela quinta vez seguida o título de melhor do mundo jogando contra o desafiante russo Ian Nepomniachtchi no mais decepcionante embate da história do Campeonato Mundial de Xadrez de que se tem notícia (se encerrou semana passada em Dubai nos Emirados Árabes). Nepo é o quinto colocado no ranking da Fédération Internationale des Échecs (FIDE), mas ganhou a primazia de desafiar o campeão do mundo por seu desempenho no torneio de candidatos em que se saiu vitorioso. No xadrez as coisas funcionam assim. Os 8 melhores do mundo em ranking FIDE se confrontam e aquele que vencer o torneio disputa uma série de 14 partidas com o atual campeão, que, desde 2013, é Magnus Carlsen (estes embates acontecem de dois em dois anos). Aquele que pontuar 7,5, entre vitórias e empates, em xadrez clássico (120 minutos para os 40 primeiros movimentos, 60 minutos para as subsequentes 20 jogadas e, finalmente, 15 minutos com segundos de acréscimo até o final) seguido de xadrez rápido e em modo blitz com morte súbita, assume o título de campeão do mundo. No embate deste ano, Magnus venceu 3 partidas consecutivas, fato inédito em confrontos de xadrez clássico que terminam na grande maioria das vezes em empate, e fechou a fatura.

Norway Chess 2: Relógio dá vitória a Carlsen contra Firouzja | chess24.com

Mas o acontecimento do ano de 2021 para o xadrez foi a ascensão do iraniano Alireza Firouzja que se tornou o mais jovem enxadrista de todos os tempos a alcançar 2800 pontos de rating FIDE com a idade de 18 anos apenas. Superou em alguns meses Magnus Carlsen que era o detentor deste feito. Muitos acreditam que se não fosse a pandemia, Firouzja poderia ter chegado lá ainda mais novo. De qualquer forma, Alireza segue como segundo colocado em pontuação FIDE e Magnus já disse que quer jogar contra ele no próximo mundial. E mais do que isso. Carlsen afirmou em podcast que só jogará se seu oponente for o Firoujza. Com um jogo agressivo, o iraniano, que também tem cidadania francesa e que passou a defender as cores francesas em suas últimas partidas, promete fazer a alegria daqueles que não aguentam mais o xadrez retranqueiro de Carlsen. Raffael Chess, o simpático e mais popular comentador de xadrez do YouTube (saltou de 150 mil assinantes em 2020 para quase 300 mil em 2021), está contando em seu canal youtubeiro a trajetória de Alireza Firouzja até chegar aos 2800 pontos, o que se deu em novembro deste ano. Vale a pena acompanhar.

Alireza Firouzja rumo aos 2800 – I

Alireza Firouzja rumo aos 2800 – II

Alireza Firouzja rumo aos 2800 – III

Alireza Firouzja rumo aos 2800 – IV

Alireza Firouzja rumo aos 2800 – V

Alireza Firouzja rumo aos 2800 – VI

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Pedro Doria no Fogo Cruzado sobre Economia

André Roncaglia aponta as imprecisões em economia do autor do excelente “Fascismo à Brasileira

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Hora de Ouvir Armínio Fraga

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A Arte de Conversar

Ciro abandona campanha para entrevistar Pedro Cardoso

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Nelson Freire em Casa em Boa Esperança

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Paul Arroz de Festa McCartney

O Joaquim Ferreira dos Santos exagerou. Logo ele que tem Paul como o seu beatle predileto. Pode até ser que a vaidade de Macca seja maior do que a sua franja topetuda, mas é maldade dizer que “Paul McCartney 3, 2, 1” é o “maior vazamento de ego da história do pop”. Lizzie Bravo certamente entenderia o beatle que a convidou para gravar o coro de “Across the Universe” e aquele que, depois de conferir seus livros escolares para ver como a estudante brasileira de 15 anos de idade estava indo em seus estudos na Londres de 1967, lhe emprestou um gravador para que ela ouvisse uma fita com notícias de casa. Lizzie saberia também identificar no novo documentário de McCartney a deferência com que ele trata seus companheiros de trampo quando jovem.

No próprio trailer da série (que pode ser vista em seis episódios de meia-hora em streaming da Star+, canal do grupo Disney), Macca aponta as qualidades de Ringo e como seu estilo característico foi fundamental para o grupo. Menciona ainda a introdução de “And I Love Her” como uma dentre as muitas contribuições de Harrison para o quarteto. Houve desentendimentos é claro, alguns deles sérios, principalmente com George Harrison, o que é normal para pessoas que conviveram por 10 anos. Mas não há por que se estranhar que um multi-instrumentista talentoso, um dos grandes baixista da história da música e que acabou por acaso tendo esse encargo nos Beatles (ninguém queria ocupar a posição), deseje vez ou assumir as baquetas em “Back in USSR” ou a guitarra solo em “Taxman”.

Seguindo um pouco o modelo do programa “Classic Albums” (exibido pela BBC, VH1, ITV e outras emissoras a partir de meados dos anos 1990), Macca, que é o produtor da série, passa em revista e dá detalhes sobre sua trajetória em conversa com o produtor Rick Rubin. Fala tanto sobre as gravações que fez com os Fab Four como conta os detalhes sobre os discos de sua carreira ao lado dos Wings. A escolha do largadão Rubin, que deu vida aos discos de nomes de latitudes musicais tão distintas quanto Beastie Boys, Strokes, Shakira, Kula Shaker, Slayer, The Cult, Tom Petty e Johnny Cash, acresce um ar novidadeiro à série. Dá pra maratonar tudo de uma sentada só, especialmente porque o roteiro vai e volta no tempo quebrando uma linearidade que podia tornar tudo insuportável.

Macca comenta a sua admiração pelo nigeriano Fela Kuti no período dos Wings e relembra os apertos das gravações que fizeram em Lagos em 1974. Muito antes portanto deste tipo de iniciativa despertar o interesse de Paul Simon, Peter Gabriel e, depois, do mundo. Em outro momento, trata também de músicos como Little Richard, Everly Brothers, Chuck Berry, Beach Boys e Bach, como aqueles que inspiraram muitas das composições e arranjos do quarteto de Liverpool. Minimalista em sua concepção, o programa coloca Rubin com seus comentários sempre pertinentes se servindo, em um ambiente sóbrio e despojado, apenas de uma mesa de som. McCartney, por sua vez, recorre apenas a piano, violão e baixo, para revisitar suas composições. Talvez o problema do biógrafo de Zózimo Barroso do Amaral tenha sido o excesso de expectativa em relação a seu beatle favorito. Como as preferências de Lizzie eram pelo quatro-olhos e não pelo peito de pombo, ela certamente seria mais benevolente com Paul.

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Os Chiliques de Lou Reed

Agora, o Zeca Camargo, uma fã aqui em casa e a torcida do Flamengo já sabem quem colocou Andy Warhol e John Cale para correrem do Velvet Underground. Pelo visto, Nico preferiu se mandar antes de ter de enfrentar os humores e afetações de Lewis Allen Reed.

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Exposições Abertas aos Mascarados

Publicado em Ana Carolina Landi | 1 Comentário