Depois de “The Narcissist”, “St. Charles Square”, uma segunda faixa já rodando no YouTube. Dia 21 de julho nas plataformas digitais, as 10 novas composições do Blur.
The Ballad of Darren:
01 The Ballad 02 St. Charles Square 03 Barbaric 04 Russian Strings 05 The Everglades (For Leonard) 06 The Narcissist 07 Goodbye Albert 08 Far Away Island 09 Avalon 10 The Heights
Como comecei a andar por conta propria pra cima e pra baixo aos 12 anos de idade, calculo que há 50 anos pelo menos essa é a minha rotina e sina de usuário de transporte público: chacoalhar pela cidade a bordo de uma dessas latas velhas que infernizam a vida do cidadão carioca. Somente os motoristas que têm de conduzir essas carroças desconjuntadas sofrem mais do que o usuário. É no meu entender a pior forma de tortura a que se possa submeter um ser humano.
Para não dizerem que não falei de flores, os BRTs, que encataram a todos durante os Jogos Olímpicos de 2016, e que andavam uns cacarecos no final do ano passado (sempre superlotados, trafegando com as portas abertas e com gente pendurada do lado de fora) mudaram da água pro vinho com a aquisição pela prefeitura de uma frota de ônibus amarelinhos que vieram para substituir os agora impestráveis bisanfonados azuis. A nova e extensa frota imprimiu uma regularidade e houve uma renovação e aumento do time de fiscais e motoristas. Tá uma beleza e aquela história de que são os usuários que depredam os ônibus, e que por isso o sistema é um lixo, é pura conserva fiada. Tendo transporte de qualidade, todo mundo cuida.
Aliás, a Folha de São Paulo nos informou ontem e discutiu em editorial o fato de que 74 cidades brasileiras já possuem transporte gratuito para sua população. Se 74 prefeituras conseguem oferecer mobilidade sem custo para seus cidadãos, por que devemos seguir sendo servidos por uma frota vergonhosa como a que atende aos moradores da cidade do Rio de Janeiro? Muito apropriadamente a equipe de roteristas do GregNews lembrou na sexta-feira, e acabou pautando a Folha pelo visto, que, em 2013, o estopim de tudo era o preço das passagens. Aproveitou ainda para mostrar retrospectivamente como funcionou durante anos, sempre permeada por corrupção, a lógica que orienta a concessão de linhas na cidade. A sugestão dos roteristas do programa da HBOMax é que se cobre taxas mais elevadas para aqueles que optam pela regalia de andarem em seus carros particulares.
Com um show em Colchester, cidade natal da banda, o Blur deu a largada nesta sexta-feira no lançamento de seu novo álbum a se seguir ao “The Magic Whip”, de 2015, que vi ao vivo e com gosto em outubro daquele ano em Buenos Aires. São dez faixas que estarão disponíveis a partir do dia 21 de julho sob o título de “The Ballad of Darren”. Duas das novas composições ficaram conhecidas essa semana: “The Narcissist”, cujo vídeo pode ser visto no canal do grupo no YouTube, e “St Charles Square”, que abriu a apresentação desta noite. Até o lançamento do álbum e depois disso, o Blur seguirá fazendo apresentações pela Europa. São shows programados no Reino Unido (com duas noites em julho no Estádio de Wembley) e mais Espanha (Barcelona e Arganda del Rey), Portugal (Porto), Irlanda, França, Dinamarca, Holanda, Itália, Bélgica, Noruega, Suécia, Finlândia e Japão, até meados de agosto. Há promessas de concertos na América Latina, segundo a Folha, o que parece excluir o Brasil. No site da banda, tem-se uma única apresentação no dia 21 de novembro em Bogotá.
As músicas da noite de hoje com “Villa Rosie” que, ao que consta, nunca foi tocada ao vivo
1 – Foi com ela que descobri que “A vida é um moinho/É um sonho, o caminho…” em uma rede em uma fazenda em Silva Jardim (circa 1969), enquanto o disco de vinil rodava em uma vitrolinha Belair Solid State
2 – Ao seu lado embarquei em uma viagem pela reluzente galáxia com destino a 2001, em nave co-pilotada por Tom Zé e com Gilberto Gil no comando. Era o verão de 1970 passado em uma casa de veraneio em Araruama
3 – Do alto dos meus 13/14 anos me juntei à gangue dos amigos de minhas irmãs para conferir se atrás do porto havia uma cidade em um show no Tijuca Tênis Clube, ao fim do qual a musa saiu despojadamente pela porta dos fundos às 4 da manhã para conversar com quem ainda estava por lá. Ficou de papo até amanhecer, quando partimos para pegar o ônibus de volta pra Copacabana.
4 – Entradas e bandeiras marca o encontro com Paulo Coelho e Raul Seixas, seus novos parceiros. Por essa altura, já tinha conhecido o “Build Up” e “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de sua Vida” na casa do Cadinho, um amigo baterista que morreria cedo por complicações de uma asma agudíssima.
5 – “Fruto Proibido” foi a fase Bowie de Rita Lee. Maravilha de show no Teatro Carlos Gomes com ela de bota plataforma prateada. Sobrou espaço até para cantar música do Bad Company de Paul Rodgers, bandinha da moda na época.
6 – No Maracanãzinho, Rita fez a refestança com Gilberto Gil. Logo no começo, parte da estrutura do palco veio abaixo. Roberto de Carvalho ficou fulo da vida e queria encerrar o show, mas ele rolou até o final.
7 – Todos os dias na TV, a abertura da novela “O Pulo do Gato” era com mais um hit dela
8 – Era o período em que ela estava dedicada ao casamento com sua eterna cara metade. Numa casa de praia em Rio das Ostras foi a vez de ouvir sem parar “Mania de Você”.
9 – Bom namorar embalado por “Doce Vampiro”, apresentado em um especial de TV, assistido na rua Canning, alí no território limítrofe entre Copacabana e Ipanema…
10 – … ou ao som de “O Flagra”, em uma casa de vila em Laranjeiras. Isso depois de ter dançado com “Baile Comigo” e “Lança Perfume” na festa de aniversário do amigo Sérgio Lago no Jardim Botânico
11 – Depois viriam “On the Rocks”, “Desculpe o Auê”, “Pega Rapaz”, a versão de “Erva Venenosa” e ainda “Amor e Sexo”, “Pagu”, com Zélia Ducan, e tantas mais versões e gravações de suas composições com as bandas do BRock que gostava, como os Raimundos, os Titãs, Cássia Eller e Pitty.
12 – Em apresentação no Vivo Rio, gravada no dia 31 de janeiro de 2009 para ser exibida no Multishow, a vi no palco pela última vez.
Um surfista, com quem dividia raia nos primeiros anos de volta à natação, lá por 2010, dizia que o surfe era a cereja no bolo a coroar aquela atividade a que nos entregávamos todos os dias. Depois de ter pego muito jacaré quando era garoto no posto 5 em Copacabana e de ter tido uma experiência frustrada com uma prancha dos primórdios das tentativas de shapers brasileiros em trabalharem com fibra, tinha certeza que o companheiro de raia estava coberto de razão. Através do velho amigo Marcio França, que chegou antes de mim à Barra da Tijuca e que faz há 10 anos religiosamente o seu surfe na Praia da Macumba, resolvi dar uma chance ao assunto. E tem sido assim desde pouco antes do começo da pandemia e agora que ela se foi.
Além das idas à Macumba, o ritual inclui as “surf trips” para a Praia do Sapê em Ubatuba. Já passei por três delas: duas o ano passado e uma terceira este ano. Ficamos na Pousada do Grego, uma acomodação um pouco mequetrefe, mas que dá de cara para a praia. É descer uma escada de madeira e estamos na areia. O Sapê tem uma arrebentação tranquila e há a opção de explorar as praias vizinhas, como a da Lagoinha, onde estivemos quando um swell forte deixou as coisas impraticáveis em frente à pousada. O grupo que vai é sempre grande, animado e conta com a orientação do longboarder Allan Gandra, que organiza excursões nacionais e internacionais. Há instrutores auxiliares, como o dedicado Zuca, e a presença de surfistas veteranos como o bicampeão brasileiro de longboard, Vitorino James, que mais do que um grande mestre é uma pessoa divertidíssima. Os fotógrafos Vitor Duarte e Rafael Motta acompanharam os grupos de que participei fazendo imagens de toda a trip. Um próximo passo é conhecer Sunzal, em El Salvador, uma praia de chão de pedra, mas com uma onda extensíssima. Gandra tem uma casa e leva grupos para desfruntarem das muitas arrebentações que quebram por lá e que possibilitam intermináveis direitas.
Com a Gretsch que escolheu de presente, na linha das guitarras favoritas de George Harrison
A Bebelu coruja conta que antes de ele completar um ano, e antecedendo o tradicional “papai/mamãe”, a primeira palavra que falou foi “luz”, sabe-se lá por que. A avó materna deve concordar com isso, pois, como costuma dizer, “ele é bem acima da média”. De minha parte, lembro as passagens que vivenciei. Tentando estimular o interesse do pimpolho, comentava: “Ian, repare nesse avião e veja como ele é estranho”. Para ouvir, “tio Kiko, esse não é um avião, esse é o 14Bis”. Passava então à natureza, “olhe, como essa árvore é diferente”. “Essa não é uma árvore. Essa é uma palmeira”. Ao relembrar esses fatos em almoço de família, o pai foi taxativo: “Em resumo: era um chato”. Tenho que discordar, pois me divertia muito. Bem novinho, ele era fã de rock inglês. Na seção de cds da Fnac, ficava pegando os discos e trazendo para que eu conferisse aqueles que conhecia e não cansava de ouvir: “E, olha o “Crocodiles”, do Echo and the Bunnymen”; “o “Who´s Next”, do The Who”, “o “Rebel Yell”, do Billy Idol”. Os roqueiros que acompanhavam a cena na loja de departamentos do Barrashopping rolavam de rir vendo aquele pirralho metido a entendido em música.
Fazendo graça na capelinha da casa de seus bisavós em Petrópolis
Ian sabia das minhas restrições às letras do início da carreira dos Fab Four. Uma ocasião, passeando de carro para resolver as pendências da morte de minha primeira mulher, ele resolveu me questionar: “Tio Kiko, por acaso você acha “Help”, ingênua? E ““In my life”, te parece ingênua?” E seguiu enumerando músicas dos Beatles daquela fase e perguntando se seriam ingênuas. Dias depois de passado o episódio, já sozinho, fui me lembrar da letra de “Help”: “Help, I need somebody/Help, not just anybody/Help, you know I need someone/Help me if you can/I am feeling down/And I do appreciate you´ve been round/Help me, get my feet back on the ground/ Won´t you, please, please, help me?”. É, definitivamente, tive que concordar, as primeiras composições de John Lennon não tratavam apenas de “I wanna hold your hand”. Que, na verdade, me parecia mais uma composição de Paul McCartney.” Aliás, um de nossos passatempos era ficar ouvindo músicas dos Beatles e tentando adivinhar quem era o autor de cada composição, se Lennon ou McCartney.
Na encenação de “Bailei na Curva” com o grupo TACA do Colégio Andrews
Foi uma fase ótima, era gordinho, hiperativo, engraçado. Agora está crescido, ficou sério, reservado e circunspecto. Perdeu a graça da infância e da adolescência. Suas conversas são sobre o mistério do samba e a tal da Moderna Música Popular Brasileira, especialmente, sobre os compositores malditos (Luiz Melodia, Sérgio Sampaio, Itamar Assumpção) cujas trajetórias está estudando. Além deles, ouve Hermeto Paschoal, Chico Buarque de Hollanda e gosta de tocar Paulinho Nogueira. Está completando 22 voltas ao redor do Sol no dia de hoje.
Interpretando a “Bachiana no1” de Paulinho Nogueira
Ele nasceu no dia 18 de fevereiro de 1933, na cidade de Petrópolis, no mesmo dia e ano em que, coincidentemente, Yoko Ono veio ao mundo na cidade de Tóquio. Cidão estaria completando 90 anos de vida hoje.
Cidão com seus netos, Pedro Sá de Almeida Pinto e Ian Sá Freire Birkeland
Teto sob o qual Milciades Mario Sá Freire de Souza, nono filho de Maria da Glória Sá Freire de Souza e de Waldemar Ferreira de Souza, nasceu em época em que se traziam os filhos ao mundo em casa
Casa de veraneio em que meus avós passavam o verão. Filhos nascido durante a estação viam a luz do dia na cidade Imperial
Apareceu e deu dor de cabeça principalmente pela preocupação com os gatinhos que tiveram que ficar presos dentro de casa. As capivaras estão há uns anos se proliferando a valer nas cercanias da Avenida Rio Branco às margens do rio Piabanha. Ou elas já estão subindo os afluentes menores como o São Rafael, ou um filhote se desgarrou do grupo e seguiu explorando perdido as imediações. A capivara mirim driblou os bombeiros, mergulhou na piscina, mas acabou finalmente presa e devolvida ao seu habitat.
Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.