“O Lacan da Lapa e Outras Histórias” em e-book Kindle na Amazon
Durante a preparação de minha tese de doutorado sobre a obra Nelson Rodrigues, tive obviamente que ler todos os textos produzidos por seu gênio criador. Crônicas, peças, folhetins e ainda os contos de “A Vida como Ela É…”. Só para a sua coluna no jornal Última Hora, de Samuel Wainer, o escritor produziu cerca de 700 contos. Um número sem paralelo na história da literatura mundial. Depois de passar e repassar estes contos, começaram a me ocorrer histórias em que me esforçava involuntariamente por seguir o modelo de escrita empregado pelo escritor. Em algumas delas, certamente por carência de lastro ficcional de minha parte, repetia a prática do autor de recorrer a episódios do cotidiano.
É sabido que Nelson criou muitos de seus contos a partir de incidentes que soube por intermédio de amigos e conhecidos. Quando alguém tinha um caso curioso para relatar, ele pedia que a pessoa o narrasse em seus mínimos detalhes. Aconteceu coisa semelhante com alguns dos contos de “O Lacan da Lapa e Outras Histórias”, uma coletânea de narrativas que estou lançando em e-book Kindle pela Amazon.
Em um almoço de família, por exemplo, um primo contou uma dessas passagens inacreditáveis sobre as relações entre um genro e sua sogra. Todos ficaram boquiabertos e custaram a crer na história que ouviam. Acompanhei com interesse os detalhes e tratei de inseri-los em “Santa Sogra”, texto que abre a coletânea de contos. Em outra ocasião, na sala de professores de uma universidade, surgiu um caso sobre um casal de longa e fiel vida conjugal, dessas que resistem a tudo. Mas claro que havia alguma indiscrição e o professor que narrava os fatos fez questão de pontuá-la em minúcia. Saibam tudo em “Unidos para Além da Vida e da Morte”, título tirado de uma epitáfio muito querido a Nelson.
Ao visitar, por puro acaso, pois não estava procurando lugar onde morar, um apartamento para locação em Ipanema com uma corretora amiga, ela me relatou detalhes do que acontecia de forma escancarada na sala de atendimento de um psicanalista, sala esta que dava de fundos para o apartamento que estava sendo locado. Juntei estas informações à vivência de uma amigo psicanalista que se mudou para a Lapa e nasceu a narrativa que dá título ao livro.
É sabido que Nelson Rodrigues lançava dados biográficos de sua trajetória em seus contos. Por isso, recorri a momentos de seu percurso de vida e tratei de incluí-los em várias das histórias. Como, por exemplo, uma passagem ocorrida com um amigo de Nelson dos tempos de O Globo em sua sede do Largo da Carioca. O incidente trágico, acontecido com o jornalista Pereira Rêgo, viraria o tema de “O Beijo no Asfalto”. Para a peça, Nelson alterou muito da história que foi assunto de farto noticiário dos jornais da época, inclusive do próprio jornal em que trabalhavam. Recuperei um pouco da veracidade do acidente sofrido pelo colega de redação de Nelson, ainda que tenha trabalhado a voltagem ficcional da passagem. Convido o leitor a conferir o resultado em “O Beijo do Largo da Carioca”.
Incluí ainda uma peça radiofônica que preparei para uma gravação com professores e alunos de uma escola em que trabalhei. “Um Paraíso Perdido” foi uma homenagem aos 100 anos de morte do escritor Euclides da Cunha. Festejávamos na ocasião a data com a gravação em áudio de trechos de suas obras e aproveitei para escrever um esquete de rádio para celebrar o momento. Além da admiração que Nelson nutria pelo escritor, a trajetória de vida de Euclides sugere um episódio de “A Vida como Ela É…”.
Depois da leitura, aos mais empenhados leitores, há a possibilidade de fazer uma resenha para o site da Amazon, compartilhando suas impressões sobre “O Lacan da Lapa e Outras Histórias”. Torço para que se divirtam tanto durante a leitura, quanto me diverti ao escrever cada narrativa.


Vou comprar e ler. Depois falo e faço também a resenha.
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Ele escrevia também uma coluna PANGARÉ GOSTOU, PANGARÉ NÃO GOSTOU, não me lembro em que jornal(Correio da Manhã? Pode ser?) que eu pequena adorava ler. Mais velha lia a Vida Como Ela é.
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