Semana do Cinema Documentário

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O crítico de cinema Amir Labaki segue com mais uma edição de seu festival do filme documentário. A 21.a rodada do É Tudo Verdade vai até este domingo (17/04), com suas últimas sessões (sempre gratuitas) no Rio de Janeiro (em duas salas do Espaço Itaú Botafogo e no cinema do Instituto Moreira Salles). A extensa mostra competitiva e as programações paralelas trouxeram uma muito interessante seleção de curtas, médias e longas-metragens, com registros documentais sobre escritores brasileiros (Armando Freitas Filho, Cacaso) estrangeiros (Gabriel García Marquéz, Ricardo Piglia, Hannah Arendt), artistas plásticos (Cícero Dias, o coletivo Chelpa Ferro) e a revisão de passagens históricas como o Estado Novo getulista (em filme assinado por Eduardo Escorel), o golpe chileno que tirou Salvador Allende do poder (produção de Marcia Allende, neta do estadista), as manifestações de rua da primavera árabe no Egito (“Faraós do Egito Moderno”) e os recentes ataques na França (“Atentados: As Faces do Terror”).

Todas produções que acabam respingando ou para o circuito ou para apresentação em canais por assinatura.  Como o longa-metragem “As Incríveis Artimanhas da Nuvem Cigana”, que abriu o evento semana passado no Rio e que terá exibição em breve no Canal Curta! (Net, 56). Trata-se de um bem humorado apanhado, com assinatura do amigo Claudio Lobato em parceria com a cineasta Paola Vieira, sobre a convivência, os happenings poéticos, as festas futebolísticas e carnavalesca, do conhecido grupo carioca.

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A Nuvem Cigana foi um coletivo de criação artística que se reunia nos anos 70, primeiro em um apartamento na ladeira da Travessa Santa Leocádia em Copacabana, e, depois, em uma casa em Santa Teresa. Congregava a trupe de escritores formada por Chacal, Ronaldo Bastos, Bernardo Vilhena, Charles Peixoto, Ronaldo Santos, e vários outros poetas, seresteiros e namorados da poesia. Tinha também a participação luxuosa de artistas gráficos como Cafi e Dionisio com suas ilustrações refinadas. Rodou seus versos em mimeógrafo, fez a edição artesanal de seus livros e organizou recitais na saudosa livraria Muro, em Ipanema, no Parque Lage e teve uma performance apoteótica no Teatro Municipal de São Paulo. Criaram ainda revistas lúdico-literárias impressas, como o famoso “Biotônico Vitalidade”, que se enquadrou no que ficaria conhecido como a imprensa alternativa.

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Coincidência das coincidências, foi com Ana Amélia Macedo, que fiz um trabalho, ainda nos bancos universitários, sobre a imprensa alternativa quando está era o assunto do momento no comecinho dos anos 80. Ana Amélia aparece, junto com o marido e diretor cine-documentarista, Roberto Berliner, em um dos docs intimistas da maratona. “Buscando Helena” foi o piloto da série “Histórias de Adoção” que segue sendo exibida pelo GNT (canal 41 da Net), toda terça às 23h30. Narra a belíssima experiência do casal como pais adotivos de duas crianças maravilhosas, os hoje já grandinhos Helena e Antonio.

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Do micro para o macro-cosmo, Labaki selecionou para a mostra produções que retratam dramas e realidades de muitos cantos do planeta, de acidentes e suas consequências em grande escala como um incidente em uma usina na Sibéria (“Catástrofe”, da representante russa Alina Rudnitskaya) a um desastre ecológico que se aproxima da tragédia de Mariana e que está acontecendo na Mongólia (“Gigante”, do chinês Zhao Liang). Trouxe ainda novidades como os registros feitos na Coréia do Norte sobre o aniversário do líder Kim Jong-il (“Sob o Sol”). Aquilo que Cora Rónai e nenhum turista tiveram a chance de fazer, o diretor alemão Vitaly Mansky conseguiu: autorização para filmar o que se passa na última pátria do mundo fechada ao contato estrangeiro.

Hoje e amanhã tem a produção inédita “Eduardo Coutinho, 7 de Outubro”, uma conversa e homenagem a nosso documentarista-mor.  Filme do cineasta Carlos Nader, que é festejado com uma retrospectiva de sua obra no É Tudo Verdade. Haveria um debate amanhã, com o diretor, mas o programa foi substituído pela apresentação de um filme-entrevista com Nader às 18h no Instituto Moreira Salles, na Gávea. O site do Itaú Cultural, parceiro da mostra, está exibindo como um regalo um documentário que já foi premiado em maratonas passadas, o média-metragem “Rocha que Voa”, de Eryk Rocha, filho do cineasta Glauber Rocha (clique aqui).

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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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2 Responses to Semana do Cinema Documentário

  1. Avatar de Leo almeida Leo almeida disse:

    BoA resenha, Kiko. Sobre a afirmação de que Coutinho é nosso documentáriSta mor… penso no Vladimir de Carvalho.

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