As Melhores Praias do Planeta

Captura de tela inteira 20072017 093653Não custa nada sonhar com uma aposentadoria em grande estilo. A minha seria dedicada a correr as mais bonitas praias do globo contemplando bestamente a Liga dos Surfistas Profissionais. Enquanto isso não acontece, me contento em ver tudo com as transmissões da equipe super competente da WSL. Como as que acabaram de mostrar a briga pelo título do Corona Open na Baía de Jeffreys na África do Sul. Foi uma beleza de espetáculo com a coroação do português Frederico Morais e do brasileiro Filipe Toledo.  Quando Morais subiu ao palanque para ser homenageado e receber seu troféu, com a bandeira de Portugal enrolada na cintura como uma saia, quase que me peguei a começar o “Cale-se de Alexandro e de Trajano/A fama das vitórias que tiveram/Que eu canto o peito ilustre Lusitano/A quem Neptuno e Marte obedeceram/Cesse tudo o que a Musa antiga canta,/Que outro valor mais alto se alevanta”. O estreante entre a elite do surfe mundial disse que estava se sentindo em casa, o que fez imaginar que Portugal talvez também tenha praias tão bonitas como as da Baía de Jeffreys. Nesta hora bateu aquela vontade de passar uns tempos na terrinha e encarei como mais do que acertada a decisão de alguns dos meus irmãos de se empenharem para conseguir a tal da cidadania lusa.

Captura de tela inteira 20072017 095047A competição trouxe um sortimento de ondas maravilhosas e com um show por parte dos surfistas que colecionaram o maior número de notas 10 por suas estripulias em uma mesma competição até o momento. Não se tinha visto nada semelhante em nenhuma das paradas anteriores da temporada deste ano. Ondas grandes e belíssimas em profusão, o que forçou o barco com a equipe de segurança do evento a ter de descer uma das séries. Os comentaristas Peter Mel e Ronnie Blakey, ao lado do veterano Shaun Thomson (vencedor do primeiro torneio realizado por lá em 1981), chegaram a desconfiar  que a patrulha também estivesse atrás de arrancar uma nota máxima dos jurados. A fauna local é que estranhou, como de costume, a presença desta nova espécie marinha que nada de costas, com a barriga mirando o céu, e com duas ou três barbatanas dentro d´água.  Kelly Slater não veio à Saquarema, mas esteve na Baía de Jeffreys e saiu, para sua infelicidade, de uma das sessões de aquecimento com dois dedos do pé fraturados. Ainda teve que ouvir do médico que o atendeu as seguintes palavras de conforto: “Como foi que você fez isso?” Vai estar de fora da próxima perna do circuito que se dará em Teahupoo, no Taiti, entre 11 e 22 de agosto. Parece que o Taiti, para desgosto geral, é o destino mais caro de que se tem notícia para uma visita.

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Xadrez, Arte ou Ciência?

No final do ano passado, por ocasião do confronto pelo título de campeão do mundo entre Magnus Carlsen e Sergey Karjakin, preparei uma postagem em formato de vlogue sobre as regras e noções básicas de xadrez, bem como as relações deste jogo com a ciência e as artes. Encontrei o arquivo guardado e aqui vai ele para os interessados no assunto.

Regras e Noções Básicas de Xadrez

 

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O Inquilino

We Got the Power

Gustavo Ferreira Pombo, meu sobrinho por adoção (é filho de uma de minhas primas) e agora meu inquilino, é fã dos Gallagher. Ainda que o Oasis seja em muitos momentos (quase todos, deveríamos dizer) um pastiche de Stones/Beatles/Bolan, o Guga acha em sua devoção extremada que eles fizeram muito mais pelo rock inglês do que seus antecessores e mesmo do que aqueles que foram seus contemporâneos. É claro que a banda dos Gallagher, que estreou com o hit “Supersonic”, tem o seu nome no hall of fame que congrega os representantes da linha involutiva do Brit-Rock, o que não deixa de ser alguma coisa.

Além disso, depois do fim do Oasis, Liam e Noel continuaram sendo paparicados por dedicados seguidores inconformados com o fim da banda, o que acabou levando a coisas inexpressivas como Beady Eye (que se foi em 2014) e High Flying Birds (que continua na ativa e vem ao Brasil com o U2 em outubro) a gozarem de certo prestígio. Os dois grupos de qualquer jeito provaram que é melhor ver Liam e Noel juntos do que separados. Os irmãos seguem também ocupados com projetos individuais.

Recentemente, Noel esteve envolvido com o Gorillaz participando do disco “Humanz”, em uma faixa que, em minha isenta apreciação, prova que o compositor mais ocupado do Oasis pode realizar algo infinitamente mais interessante se entregar por completo o comando musical aos caprichos e cuidados do compositor mais ocupado do Blur. “On a le Porvoir de s´Aimer”, que lembra muito em estilo as composições do “Think Tank” (disco do Blur sem Graham Coxon), é a musiquinha que coloca lado a lado os ex-desafetos Damon Albarn e Noel Gallagher, sem que este último consiga fazer qualquer sombra sobre o primeiro. Vale a pena prestar atenção à cantora Jehnny Beth que participa desta inesperada dobradinha Blur/Oasis. Beth é vocalista da banda Savages, que tinha fugido por completo ao radar do que vos digita. Ótima a gravação que Beth fez em duo com Julian Casablancas cantando no estilo “anger is an energy” a composição “Boy-Girl”, sucesso da parada subpop dos anos 1980 do repertório dos punks dinamarqueses do Sort Sol (com participação da performer americana no wave Lydia Lunch).

Boy-Girl

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Blogueiro Ausente e a Reforma Trabalhista

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Andei sumido, mas foi por uma boa causa. Estava finalizando a compra de um apartamento pequeno, porém bem simpático, na Barra da Tijuca. Fiquei especialmente encantado com a piscina e com o preço, que falou alto. Os imóveis na Barra são bem mais em conta do que os da Zona Sul. Tive, de qualquer maneira, a ajuda, certamente involuntária, do senhor João Uchôa, dono da Universidade em que trabalhei. Sempre tive empatia por ele, ainda que nunca o tenha conhecido pessoalmente. Lecionei em todos os campi da Universidade Estácio de Sá, o que me fazia correr o Rio de Janeiro inteiro, de Madureira ao Rio Comprido. Me aventurei até mesmo a dar aulas em Niterói e Petrópolis.

Gostava de frequentar todas as unidades, mas especialmente, por causa de sua beleza, o campus Tom Jobim, onde cheguei à época de sua inauguração em 2000,  e lugar no qual tinha minha maior carga horária. O prédio foi todo construído, em um dos lotes do Centro Empresarial Barrashopping, exclusivamente para abrigar a unidade. Apreciava sua arquitetura que gaiatamente tentava replicar um pouco das linhas do Guggenheim de Nova York. Havia esculturas e obras de artistas plásticos contemporâneos espalhadas por todo o campus, assim como quadros pintados pelo próprio Uchôa, grande parte deles exibindo, em meio às pinceladas, jogos de palavras. Chegou a publicar livros e a escrever uma peça elogiada por Millôr Fernandes.

Certamente, o gosto pelas Letras foi o que fez com que contratasse Deonísio da Silva e Reinaldo Pimenta, dois entendidos em filologia, para ficarem como consultores à disposição dos professores para troca de ideias. Já havia trabalhado com Pimenta em um cursinho pré-vestibular e adorava seus livros, entre os quais há o ótimo “A Casa da Mãe Joana”, sobre a origem de expressões, frases e palavras. Deonísio também tem livros saborosos sobre etimologia, uma interessante dissertação sobre Rubem Fonseca, e ainda suas ficções. O premiado autor de “Avante, soldados: Para Trás” (Prêmio Internacional Casa de las América), que depois se tornaria diretor do curso de Comunicação, nos recebia sem pompa e sem cerimônia em sua sala para conversar sobre o que quer que fosse e tinha um papo agradabilíssimo.

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Curioso é que por todos os lugares pelos quais passei em minha vida profissional, com raríssimas exceções (muito raras mesmo), os departamentos de RH sempre tentaram armar algum cambalacho com os funcionários. Muitos destes RHs foram bem sucedidos contra mim. Tenho ações trabalhistas, por falta de recolhimento de FGTS e outras pendengas, das quais nunca consegui receber um único centavo. Fui ainda muito relapso, pela falta de experiência, em ações contra grandes empresas, gigantes do mercado midiático, o que lamento. Na Universidade e a certa altura, algum gênio tentou tirar dez minutos de todas as aulas de todos os professores dos turnos da manhã e da tarde. Devem ter feito uma economia astronômica, mas a conta chegou depois e com acréscimos também astronômicos. Sou muito grato a esse gênio.

Foi a primeira vez em que a justiça do trabalho de fato funcionou para mim. Por isso, e ainda que já esteja caminhando para a calvície plena, fico de cabelo em pé pensando no que a geração que está chegando ao mercado vai ter de enfrentar com a reforma na legislação trabalhista. Por trás dela, certamente estão deputados, senadores e presidente, todos muito bem “orientados” pelo empresariado, que por sua vez é orientado por algum contador, ou talvez um mero contabilista, de seu departamento de RH.

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Overmundo #2

Na época da palestra com o Hermano Vianna (ver Overmundo #1), deixei no Overmundo a minha contribuição com o começo de uma narrativa que deveria seguir em aventuras subsequentes, mas às quais acabei não dando continuidade. A bem da verdade, tenho algumas outras rapsódias encaminhadas com o anti-herói e quem sabe um dia elas não aparecem por lá ou por aqui. A abertura da narrativa, de qualquer maneira, se encontra no banco do Overmundo até hoje (basta clicar no link abaixo para vê-la na íntegra). Uma alegria participar desta iniciativa inovadora que segue como foi criada para ser, reunindo produtores culturais e consumidores, em troca permanente.

1 – Rapsódias do Arapinga

http://www.overmundo.com.br/banco/arapinga-rapsodias-de-um-anti-heroi-carioca-nascidas-no-folclore-das-ruas

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Overmundo #1

O Librivox é um dos muitos sites colaborativos pra lá de interessantes a ter surgido na Internet. Menos de uma ano depois de sua criação em 2005, aparecia um outro projeto ousado e mais ambicioso, a plataforma Overmundo. Trata-se de um destino pensado pelo amigo Hermano Vianna para hospedar a produção em sentido lado (escrita, música, vídeo) que espelhasse manifestações culturais de todos os cantos do Brasil. Na época do lançamento, em 2006, há 11 anos portanto, o antropólogo esteve na universidade em que trabalhava para divulgar a novidade. Hermano fez um detalhado levantamento sobre o que estava acontecendo na web naquele momento, no que acabou sendo um grande apanhando prospectivo de sua parte. Falou sobre muitos sites que acabavam de surgir em todas as latitudes e que se consagrariam como endereços de visita obrigatória como o SciELO. Menciona uns poucos que sumiram na poeira do tempo e que ficaram esquecidos para sempre como o Orkut e o del.icio.us. Fez alusão ainda a um endereço que começava a chamar a atenção de estudantes americanos, um tal de Facebook. Detalhe: ninguém na sala tinha ouvido falar sobre ele. A palestra apresenta uma análise única, ao estilo das sempre intuídas por Hermano, sobre trabalho colaborativo e Internet. O antropólogo consegue misturar em seus comentários Walt Disney, James Brown, Eduardo Viveiros de Castro e um dos fundadores da North Amorica, Thomas Jefferson (em suas considerações sobre direitos autorais). Encontrei o arquivo, que foi gravado pelos queridos alunos Jorge Wagner e Fabrício, em um antigo notebook perdido no junkyard de computadores que tenho aqui em casa.

1 – Palestra sobre o Overmundo e Internet colaborativa 1-3 – Hermano Vianna apresenta o seu projeto interneteiro.

2 – Palestra sobre o Overmundo e Internet colaborativa 2-3  –

3 – Palestra sobre o Overmundo e Internet colaborativa 3-3 –

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Literatura Falada #5

Tenho cantado tanto em prosa e verso a leitura de Stewart Wills para o “Moby Dick”, de Herman Melville, que não resisti a fazer uma apresentação ilustrada de um trecho pequeno do começo do livro.  Tratei ainda de realizar a tradução da passagem para que a tivéssemos acompanhada por legendas. É bom termos Melville nesta postagem que antecede a que virá com outro hermano por quem também guardo extrema afeição, Herman Vianna. Aguardem.

5 – Moby Dick – em leitura de Sterart Wills.

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Literatura Falada #4

Com “Finnegans wake”, James Joyce criou uma narrativa farta em neologismos de uma criatividade a toda prova. Se alguns acham um desafio atravessar o romance até o final, que na verdade em lugar de se encerrar acaba propondo ao leitor que volte ao seu começo e reinicie sua leitura, imagine lê-lo em voz alta sem passar vergonha? Jim Norton faz isso como um virtuose. Um dos muitos desafios são as thunder-words, neologismos que unem o mesmo vocábulo em vários idiomas e que surgem ao longo de todo o texto. Existe até mesmo pessoas como Adam Harvey (ou JoyceGeek) que criou um canal no youtube com um tutorial sobre como se pronunciar corretamente esses vocábulos provocadores.

4 – “Don´t panic, it´s only Finnegans wake” – tutorial de Adam Harvey para as thunder-words de Joyce.

“Finnegans Wake” pode ser ouvido na leitura inigualável de Jim Norton. Um ótima companhia para que leitores se familiarizem e se aproximem de um dos livros mais inovadores do século XX. Marcella Riordan interpreta as vozes femininas. O audiolivro em versão condensada pode ser adquirido no site da Audible.

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Literatura Falada #3

Crítico permanente de tudo e de todos, Lima Barreto, que sofreu na pele o peso da discriminação racial, não poderia deixar de fazer a sua profissão de fé relembrando o momento que marca o fim da escravidão no Brasil. É o assunto desta crônica memorialista publicada no jornal A Gazeta da Tarde.  O escritor  recorda como transcorreu para ele o dia em que foi sancionada a Lei Áurea, que, curiosamente, coincidiu com a data de seu aniversário: 13 de maio. Segui o exemplo da turma da Librivox e fiz a minha gravação para a crônica.

3 – Maio – Crônica publicada em 4 de maio de 1911 em A Gazeta da Tarde.

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Literatura Falada #2

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“As vaporosas” é uma crônica curta e com mais uma observação relevante do sempre inquieto filho do tipógrafo português João Henriques e da descendente de escravos e agregada da família Pereira Carvalho Amália Augusta, morto muito novo aos 41 anos. Infelizmente, a hemeroteca digital da Biblioteca Nacional não possui o exemplar da revista Careta do dia 4 de outubro de 1919, quando o texto foi publicado. O comentário social sobre as sucessoras das elegantes melindrosas da rua do Ouvidor pode, no entanto, ser lido no belíssimo “Lima Barreto – Toda Crônica”, publicação que reúne os escritos jornalísticos do autor em trabalho realizado pela querida professora de pós da UFRJ Beatriz Resende e por Rachel Valença da Fundação Casa Rui Barbosa. Foi lançado em 2004  pela Agir em dois volumes (a crônica aparece no começo do segundo volume)

2 – As Vaporosas – Mais um arquivo do site Librivox, em leitura de Vicente Costa Filho.

  Toda crônica

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