Trajetória de um Colunista 2.5

32169638_1919000568131453_1477418129339449344_nHora de estender o tapete vermelho para comemorar os 25 anos de colunismo de um dos assinantes queridos deste blogue: Arthur Dapieve. Dapi, como é tratado afetuosamente, tem cumprido religiosamente a 1/4 de século, como somos lembrados agora, a tarefa laboriosa de assinar uma coluna semanal em O Globo. A cada semana abrimos a edição para conferir um texto sempre classudo, elegante, refinado, que faz tudo parecer trivial, simplório, corriqueiro.

Certa vez reclamaram com Nelson Rodrigues sobre a suposta falta de qualidade de alguns de seus diálogos. Ao que ele respondeu: “Se pudessem imaginar o esforço que me custa piorá-los”. E estamos falando de alguém que com 15 anos escrevia como se fosse um cinquentão. Truman Capote dizia coisa parecida ao comentar que ao lhe dar o dom da escrita, Deus também o presenteou com um chicote. Ou seja, não é tarefa fácil para ninguém. A data comemorativa acabou por forçar-nos a uma visita ao acervo do Jornal do Brasil e de O Globo, disponíveis na Internet.

O próprio Dapi já contou algumas vezes como foi o seu primeiro encontro com Zuenir Ventura, editor nos anos 80 do Caderno B (o caderno de cultura do Jornal do Brasil), e sua entrada no JB, que marcaria sua estreia na grande imprensa. A hemeroteca digital da Biblioteca Nacional registra um total de 496 ocorrências com o nome do jornalista em sua passagem por este que é um dos mais antigos jornais cariocas. Como esse número inclui a ocorrência em anúncios (de filmes, eventos culturais) e na seção de cartas, por exemplo, podemos dizer que suas contribuições para o jornal chegaram perto dos 500 escritos.

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Pelo visto, Dapi convenceu Zuenir Ventura de que entendia mesmo de cinema, música, teatro, literatura. Estreou em março de 1986 com um texto sobre a saída de Mick Jones do Clash para criar o Big Audio Dynamite com Don Letts, artigo em que falava ainda sobre a nova formação do grupo de punk rock inglês que ficou apenas com Joe Strummer e Paul Simonon do seu line-up original. Depois resenharia lançamentos cinematográficos, filmes para a TV,  livros, peças de teatro, música clássica (está lá um artigo sobre uma certa Orquestra Filarmônica Mundial com 110 solistas de 57 países reunidos para uma apresentação no Municipal) e encararia a reportagem tradicional com artigos como o de “Profissão: Crítico de Música” (entrevista com aqueles que estavam militando neste mercado).
Como Dapieve, eu também fui de pires na mão procurar o Zuenir Ventura certa ocasião para ver se conseguia um lugarzinho no concorrido Caderno B. Luiz Fernando (já falecido e, em função do pouco contato, uma pessoa de quem infelizmente não me recordo o sobrenome), um jornalista e professor amigo de minha mãe na Universidade da Cidade, deu aquela força. Cheguei por lá com uma resenha de um livro autobiográfico do Bob Geldof. Tarimbado, o Luiz Fernando, que, se não me falha a memória, escrevia na seção internacional do JB, fez de início uma copidescagem básica, para só depois me levar ao Zuenir, que por sua vez me passou ao Luciano Trigo, editor do Idéias, caderno semanal dedicado aos lançamentos do mercado livreiro. Um tempo depois a resenha era publicada.
Foi minha única contribuição para o JB, mas fico contente de ter tido um texto meu no prestigiado Idéias. Além disso tive a honra de conhecer Zuenir Ventura, Luciano Trigo, e, durante a visita, encontrar ainda com o Marcelo França que me apresentaria ao Alfredo Ribeiro, vulgo Tutty Vasques, outro jornalista por quem tenho extrema admiração.
No JB, Dapieve além de resenhar filmes, livros, discos, ajudava no roteiro do final de semana, sugerindo alternativas de entretenimento para ocupar o tempo livre a partir de sexta-feira. Muito provavelmente foi o sucesso desta seção que fez com que o Tom Leão me ligasse certa manhã de 1987 deseperado atrás de auxílio para encher o Segundo Caderno com atrações que dessem aos leitores de O Globo o que o JB vinha oferecendo prodigiosamente aos seus.
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No JB, estavam também o Luiz Carlos Mansur e o Rogério Durst, com quem já havia trabalho anteriormente. Através deles e em função da cobertura de shows e coletivas, veio o contato com o Dapieve.  O JB tinha tanto prestígio, mas tanto prestígio, que o Arthur Xexéo era levado a afirmar, quando começou a migração de jornalistas para O Globo, que nunca, jamais, em tempo algum, iria seguir seus companheiros na debandada que vinha ocorrendo.
Mas não teve jeito, todos partiram para O Globo com a derrocada do Jornal do Brasil. Ainda vi o Durst chegar a O Globo. Saí do jornal da família Marinho em setembro de 1992. Em novembro, o Dapi desembarcou de malas e bagagens e eu já não estava mais por lá. Uma pena. De longe continuei acompanhando a carreira bem sucedida que o fez galgar à condição de colunista/cronista no ano seguinte. Uma coluna que começou bem diferente do que é hoje, com notas curtas. Não demoraria, no entanto, para o Dapi se firmar como cronista, um dos primeiros de sua geração a gozar deste privilégio.
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Mamãe 8.0

Ana Maria-001Pasmas, as pessoas têm dificuldade em acreditar, mas é isto mesmo. A Lu Vieira, cabeleireira oficial da família há mais de três décadas, chegou a perguntar incrédula:

– É aniversário de 80 anos?

Ao que eu tive que confirmar de maneira inapelável: – Exatamente.

Sim, contrariando todas as evidências, eu ainda corto meu cabelo e minha mãe acaba de virar uma octogenária. Segue com a programação de costume: Theatro Municipal, Bridge Clube, cinema, teatro. De minha parte, só gostaria que ela tivesse uma maior disposição para os esportes aquáticos e que, como a mãe da Cora Rónai, desse suas braçadas em piscinas ao redor do mundo. Ela, no entanto, se limita à musculação leve, bicicleta, caminhada e ao pilates.

Sempre foi uma pessoa ativa. Uma das lembranças mais antigas que tenho, data da época em que começou a tirar sua carteira de motorista. Do quarto de minha avó materna, Bertha Teixeira de Freitas, na fase em que ela já estava lutando contra a fase terminal do câncer que a levou muito cedo, via, pela janela que dava de frente para a rua Conde de Bonfim, minha mãe estacionar o Jeep na volta de sua prática de direção. Dele, passaria a dirigir uma Rural Willys bege e branca com a qual cumpria a rotina de carregar os cinco filhos pra cima e pra baixo.

Depois da Rural Willys, seguiria se ocupando da espinhosa tarefa de cuidar de 5 filhos em um Gordini e uma Brasília. Não tinha tempo ruim. Nos levava, sempre no comando da direção, à escola, à praia na Barra, à fazenda, em Silva Jardim, à casa em Petrópolis. Certa ocasião cismou que eu deveria jogar tênis e me matriculou na escolhinha do professor Manuel no Tijuca Tênis Clube. Comprou o uniforme branco completo, uma raquete Procópio de madeira (as Wilson, de aro, só chegariam alguns anos depois), tênis branco com solado apropriado e íamos no final de tarde fazer nossa aulinha. Acho que ela mesma tinha interesse pelo esporte de Thomas Kock, Guillermo Vilas e Jimmy Connors, uma vez que era comum jogarmos frescobol.

A minha identificação sempre foi maior com minha mãe do que com meu pai. A reciprocidade também parece ser verdadeira, pois, e isso não é nenhum segredo na família o que me deixa à vontade para falar, sou o filho predileto. Nunca dei trabalho, é bem verdade. Para começar, foi o melhor de todos os cinco partos. Ela conta que a encaminharam à sala de parto da maternidade Teresa Ramos em Lajes, Santa Catarina, na manhã do dia 6 de julho de 1960, e de lá ela retornou em seguida ao meu nascimento andando até o quarto, sem ajuda alguma.

Compartilhamos ainda o gosto pela cultura francesa. Um interesse que é consequência do fato de minha mãe ter sido educada no colégio Sagrado Coração de Jesus, uma escola que ainda existe fisicamente, embora esteja desativada há um bom tempo, no alto da Boa-Vista, e onde aprendeu francês desde cedo. Se tornou, por isso, fluente no idioma. Depois que minha avó Bertha e meu avô Francisco de Mello Pedrosa mudaram da casa no Alto para a Tijuca, minha mãe foi completar o ensino médio no Instituto de Educação nos anos dourados da escola normalista.

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Onde está Ana Maria Pedrosa?

Com os filhos encaminhados, decidiu cursar a faculdade de Letras na PUC, iniciou uma pós-graduação na UFRJ, e passou a dar aulas no Instituto Brasil-Estados Unidos e na Faculdade da Cidade. Não sei se foi casual, mas acabei seguindo o mesmo caminho. Já trabalhava há um bom tempo como jornalista quando decidi mudar o rumo de minha vida profissional, indo contra seus conselhos e recomendações. Escrevia para O Globo e fazia, assim como outros colegas do jornal, um curso preparatório para o exame de proficiência da Universidade de Michigan no IBEU.

Pepete e Ian

Fla-Flu na melhor tradição 

Além do curso preparatório, o IBEU oferecia cursos variados sobre Shakespeare, literatura americana e cadeiras técnicas sobre língua inglesa (gramática, fonologia/fonética, pedagogia) no seu Teacher Training Course. Fiz muitos deles. Certa vez, encontrei com o coordenado Steve Berg na biblioteca do IBEU, estava atrás dos livros e da fortuna crítica de Edgar Allan Poe para um curso em que abordaria as detective stories. Além de dar aulas, Steve também fazia parte do departamento acadêmico da instituição e seria a pessoa que, depois de eu concluir o curso na Santa Úrsula, me convidaria a entrar para o IBEU. Seu curso sobre Poe, Conan Doyle, Dashiell Hammett, não coube em minha agenda, mas minha mãe e minha professora do preparatório do Michigan, Cyrla Elefant, fizeram e adoraram.

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Rosali Erlich, companhia pra toda viagem

Cyrla, assim como Deta Eleen Quarless, uma jamaicana que foi minha professora quando ainda era bem garoto, Rosali Erlich, Eduardo Serra, Regina Cocking, Paulo Henriques Britto, Sonia Torres, Marta Caram, Ivone Vieira, Roselene Nigri, Doraliz Negueira, Maria Lúcia, estão em uma lista grande de amizades que fez no IBEU. Com a aposentadoria passou a dispor de mais tempo para viajar. Em seguida às comemorações do aniversário, não perdeu tempo e embarcou para conhecer Grécia e Turquia, dois lugares onde nunca esteve.

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A Casa-da-Mãe-Joana

Roda Viva – O Peso da Lei

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Современная городская музыка в стране Grégory Bogóloff

Natural de Kazan, Katya (Ekaterina) Shilonosova se mudou para Moscou, em 2012, onde se juntou a Yevgeni Gorbunov com quem definiu o som vintage do Glintshake. Começaram indecisos entre serem uma banda grunge nos moldes das criadas em Seattle ou seguirem os caminhos do British-Rock dos anos 1990. Gravaram três EPs (“Freaky Man”, 2012, “Evil”, 2013, “Nano Banana”, 2014) e um LP (“Eyebones”, 2014) nesta clave, todos com letras em inglês. Em seguida optaram por retroceder uma década em sua viagem retrô e foram visitar a música dos anos 70/80, especialmente o Talking Heads de`77. Sairam deste passeio com um novo LP, “ОЭЩ МАГЗИУ(2016)todo com músicas em Russo. Desde a entrada do baixista Yegor Sargsyan e do baterista Alexey Yevlanov, mantêm um punch inovador que faz do Glintshake uma das boas novidades do indie-rock em escala global. Artista plástica, Katya, paralelamente ao trabalho com o Glintshake, ganhou uma bolsa de residência artística em Tóquio, lugar em que desenvolveu um projeto solo de música eletrônica do qual já resultou o disco “Binasu”, editado em 2016, conjugado com experimentações em vídeo-arte. Kate NV, o nome do projeto solo de Shilonosova, acaba de gerar um segundo álbum, “для FOR”, que sai em junho deste ano.

Glintshake Brit-Rock

Glintshake PunkWave

Glintshake PunkGrunge

Glintshake Heads `77

Kate NV

 

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Entrevista com Ana Electric Chicken no Podcast da BandCamp

BandCamp Podcast

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Saudades de Billy Bragg

Billy Bragg e Chris Hillman

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GregNews Tá no Ar Servindo Humor Consequente

A graça refinada e informativa de Duvivier contra a praga dos doidivanas obscurantistas

1o. Episódio: GregNews Temporada 2018

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Brutalidade sem Fim

marielle-001Ao lado de outros 45 mil eleitores da cidade do Rio de Janeiro, tinha na vereadora Marielle Franco a minha representante na Câmara Municipal. A aposta em sua candidatura vem da crença de que uma verdadeira democracia passa obrigatoriamente pela necessária abertura de espaço para vozes bem diferentes da minha. Vozes de pessoas que não gozaram das mesmas oportunidades das quais usufruiu e que tenham visões e experiências de vida diversas da minha. É claro que esta escolha não foi aleatória, já que Marielle trilhou um caminho em que acredito que é o do investimento em estudos e em formação pessoal como objetivos maiores e fundamentais de nossas insignificantes existências, pouco importando as dificuldades que isto venha a acarretar e independentemente dos resultados imediatos que possa trazer.

Tomei conhecimento e fui entusiasta de sua candidatura por causa do deputado estadual, e nas eleições de 2016 candidato a prefeito, Marcelo Freixo. Freixo tem sido um batalhador incansável por causas importantíssimas de ordem humana que infelizmente orientam as práticas de um número bem reduzido de nossos políticos. Tem assumido riscos incontáveis enfretando as milícias que assolam o Rio de Janeiro, particularmente a bandidagem que em muitos casos surge associada ao poder público. O assassinato de Marielle tinha em meu entender a intenção de intimidar todas as iniciativas humanitárias e de luta nas quais esteve envolvida com Freixo e de atingi-lo indiretamente. Depois de perder um irmão assassinado, o deputado está tendo de encarar mais um revés com a perda de uma dedicada parceira.

Coleciono uma lista grande de divergências com o PSOL, bem como com todos os outros partidos (PDT, PSDB, Rede, PPS, PCdoB, PT), mas nem por isso fecho os olhos e deixo de enxergar e valorizar a prática de políticos que participam e estão envolvidos em lutas fundamentais em todas essas legendas. Assim foi com Marielle e assim é e sempre será com Freixo, Chico Alencar, Randolfe Rodrigues, Alessandro Molon, Eduardo Suplicy, Cristovam Buarque, Manuela D´Ávila, Maria do Rosário, Roberto Freire, para citar alguns daqueles com quem mais simpatizo (observado obviamente o direito de divergir em questões específicas de todos eles).

Nas redes sociais surgiram as campanhas difamatórias e as manifestações mais hediondas já vistas para com Marielle. Um show de notícias falsas, mentirosas e de material produzido com a única finalidade de atacar o que a vereadora representava e desqualifar sua importantíssima atuação política. Tudo feito por gente da pior espécie imaginável. Os cidadãos cariocas, fluminenses e brasileiros, especialmente aqueles que acreditam nas ideias defendidas pela vereadora, só cobram uma única coisa: que os assassinatos bárbaros e brutais de Marielle e do motorista Anderson Gomes sejam esclarecidos prontamente.

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Blitz Feminina no Xadrez On-Line

Se o xadrez é um jogo fascinante, ele apresenta, entretanto, um gravíssimo problema: é um território dominado pela estreiteza obtusa da razão masculina. Por obra e graça da sensível inteligência feminina isso tem mudado. Para os que o encaram como uma diversão resolvida por uma jogada infeliz de um dos oponentes, uma partida de xadrez rápido pode ser bem mais interessante do que os jogos pensados que levam 5 horas para chegar ao fim. Anna Rudolf e Alexandra Botez oferecem a estes o melhor entretenimento jogando “hand and the brain” (uma escolhe a peça, a outra faz o movimento e as duas comentam como estão se saindo) em seus confrontos contra adversários em jogos em modo blitz.

Gente como o Grande Mestre americano Hikaru Nakamura, um dos jogadores americanos a aparecer entre os dez primeiros do raking da Federação Internacional de Xadrez (FIDE, do francês Fédération Internationale des Échecs), que aceitou o desafio de enfrentar a dupla Rudolf/Botez  em transmissão ao vivo. Anna é uma Mestre Internacional (categoria abaixo de Grande Mestre), húngara de nascimento, mas vive na Espanha de onde realiza suas transmissões. Botez ainda está na categoria de Woman Fide Master (ou WFM, posto abaixo ao de Mestre Internacional), e um dia chega lá. Anna Rudolf tem canal no Youtube. Para acompanhar Alexandra Botez, no entanto, é preciso se inscrever em seu perfil no Twitch.tv (o Twitch gera notificação via e-mail quando ela está on-line). Canadense, Botez faz o seu streaming a partir da Califórnia.

Rudolf/Botez vs Nakamura

  Botez/Rudolf vs Nakamura

Ao lado delas, outra forte personalidade feminina no mundo do xadrez é Fiona Steil-Antoni. Mestre Internacional, como Anna Rudolph, Fiona também possui seu canal no youtube, o Fionchetta. Ela está participando como comentarista do aberto de Reiquiavique, torneio que acontece até o dia 14 de março na capital da Islândia e que faz homenagem a Robert James Fischer. A Islândia foi o único país a dar acolhida a Fischer até os seus últimos dias.

Fiona a caminho da Islândia

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“Mormaço Queima” no SpliceToday

AFE e seu “Mormaço Queima” já foram identificados pelos radares de Noah Berlatsky e do SpliceToday, daqui a pouco o resto do mundo também vai saber da novidade

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