Guilherme Boulos na Paulista
Showmício em Copacabana com o fino da MPB
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Showmício em Copacabana com o fino da MPB
Como sempre, Toledão explica tudo a partir de 1h06
Trailer do novo filme do diretor americano premiado com o Leão de Ouro no festival de Veneza
Coletiva de imprensa com diretor e atores a partir das 3 horas de projeção

Para suas turmas da PUC/RJ, mestre Silvio Tendler abria o seu baú de filmes na sala de projeção do departamento de comunicação da universidade e nos ensinava aquilo que sabia fazer como poucos: garimpar imagens cinematográficas históricas sobre assuntos relevantes da memória brasileira para costurar suas narrativas politizadas sobre a vida nacional. Já gozava de prestígio por ter realizado o filme “Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (1980), mas estava preparando aquela que viria a ser a sua grande obra tanto de bilheteria quanto por abrir caminho para o movimento das “Diretas Já”. “Jango” (1984) foi aquele filme que todos assistiram nos cinemas como se estivessem em uma missa e que se traduziu em um marco importante ajudando na movimentação que culminaria na completa redemocratização do país, o que ocorreria em seguida com a volta das eleições para presidente. Apesar de já ter então realizado um documentário que era puro entretenimento, como “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (1981), sobre o quarteto de humoristas mais famosos no Brasil da época, seu nome se vincularia a todas as lutas abertamente políticas que encontraria pela frente. Fez isso durante toda sua trajetória como cine-documentarista, recuperando a memória de pessoas importantes como o Almirante Negro João Candido, como Milton Santos, como Marighella e como Glauber Rocha. Retratou também a luta do brasileiro por seus direitos sociais e trabalhistas em “A Bolsa ou a Vida” (2021) e por atenção médica em “Saúde tem Cura” (2022). Um olhar sempre amoroso para com as pessoas deste país. Dono da produtora Caliban, todos os seus títulos podem ser conferidos sem custo algum no canal da empresa no YouTube, onde o próprio Silvio Tendler convida o público a conhecer suas produções.

A luta não é fácil. Pergunte aos brasileiros Mineirinho (Adriano de Souza), Ítalo Ferreira e Filipe Toledo, que, ao contrário de um dos mais jovens campeões do circuito de toda a história, Gabriel Medina (campeão aos 20 anos de idade, em 2014), custaram a chegar até lá. Ou mesmo àqueles que continuam na luta como Jordy Smith (37 anos), Miguel Pupo (33 anos), Griffin Colapinto (27), Ethan Ewing (27 anos) e Kanoa Igarashi (27 anos). Tem também o time daqueles que desistiram de tentar e se aposentaram como Julian Wilson (36 anos). Aos 29 anos, depois de uma trajetória oscilante que se firmou mais recentemente, Yago Dora faturou o título de campeão do Circuito Mundial da WSL. Se vai levar o troféu pra casa é uma outra história, já que ele custa 20 mil dólares para os campeões interessandos em tê-lo em sua residência. Medina, recordista do circuito junto com Andy Irons e Mick Fanning, todos com três títulos de campeão (ultrapassados apenas pelos onze títulos de Kelly Slater), já desistiu e optou recentemente por ficar com a réplica em miniatura.


A cordialidade brasileira como um dado positivo de nossa cultura teve toda sua máxima expressão na pessoa do grande cronista e na muito querida figura pública de Luis Fernando Veríssimo. Se seu pai marcou nossa literatura como o escritor dos romances extensíssimos, retratando muitas sagas e com personagens memoráveis, Luis Fernando, ainda que tenha escrito alguns romances (cinco no total: “O Jardim do Diabo”, 1987, “Borges e os Orangotangos Eternos”, 2000, “O Opositor”, 2004, “A Décima Noite”, 2006, e “Os Espiões”, 2009) ficou conhecido como o criador das narrativas curtas e malicosamente zombeteiras. Figura retraída e contida (dizia que não falava pouco, “os outros é que falam muito”), não poupava seus leitores de suas tiradas e comentários certeiros e arrasadores sobre a vida nessa nossa Terra Brasilis. Com o detalhe de nunca ter amarelado na hora de se posicionar claramente sobre qualquer assunto, especialmente a política. E fez isso em escritos preparados sempre com a maior classe e finura. Deixou também uma galeria de criaturas (Ed Mort, o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté) que brejeiramente retrataram, sem meios-tons e sem concessões, a nossa cultura. Personagens inesquecíveis que nos deliciaram e que seguirão nos deliciando, criados que foram por um humor maroto, espirituoso e sagaz. Até mesmo desenhando em quadrinhos com a Família Brasil ou com suas tirinhas das cobras era genial com seu traço singelo.
Uma biblioteca gigante e moderníssima, uma polícia que anda desarmada, uma casa de espetáculos para música clássica com assinatura da arquiteta britânica de origem iraquiana Zara Hadid, edificações arrojadas em seu aspecto futurista, em Guangzhou (Cantão) é assim. Precisamos urgentemente fazer um upgrade comunista nesse nosso capitalismo periférico. Agendando o próximo turismo internacional com a Estrela Vermelha, pra ver as maravilhas de um padrão de vida que desconhecemos por completo. Um passeio da hora com Felipe Durante, um catarinense que fala paulistês.
O catarinense Felipe Durante mora na China continental há mais de cinco anos. Antes disso, viveu em Hong Kong. Está por lá legalmente, sem problema algum. É engenheiro de produção e trabalha na multinacional chinesa fabricante de eletrodomésticos Haier e vive perto de Guangzhou que, ao lado de Xangai e Pequim, é uma das 5 mais importantes cidades chinesas. Segundo ele, na China você tem uma legislação trabalhista com direitos semelhantes aos brasileiros, com garantias parecidas com as do nosso INSS, do nosso seguro desemprego, além de obrigatoriedade de férias como aqui. Elias Jabbour é o comunista do Dudu Paes, também já esteve na China muitas vezes. Primeiramente como pesquisador e depois trabalhando no Novo Banco de Desenvolvimento, ligado aos Brics. Jabbour tem vários livros sobre o que apurou em suas pesquisas de campo no país da Ásia Oriental. O mais recente deles é “China: o Socialismo do Século XXI” (Boitempo Editorial, 2021). Vejamos o que sai do confronto de perspectivas de duas pessoas que viveram a realidade chinesa. Particularmente no que diz respeito às características do sistema político chinês e o controle sobre a vida do cidadão em contraste com as democracias ocidentais.
Imaginem se o Brasil, cujos carros-chefes da economia baseiam-se em commodities (soja, minério, café), vai conseguir competir com países que produzem produtos sofisticados de alto valor agregado. Uma economia que opera produzindo produtos de tecnologia de ponta emprega infinitamente mais gente do que aquela que trabalha com commodities. Estou aprendendo com os chineses e vendo a surra que estamos levando, especialmente por sermos um país que se desindustrializa há quatro décadas. Ciro Gomes já chamava a atenção para estas questões em 2018. Não podemos ter uma economia amparada exclusivamente em commodities e muito menos em serviços (economia nenhuma sobrevive de serviços). Para complicar as coisas, não temos como competir, em termos de escala, com economias que produzem mercadorias em quantidades absurdas. Estamos, pelo visto, condenados a fazer mágica na periferia de todos os capitalismos.
Se falou muito sobre as besteiras ditas por Janja naquela viagem do governo Lula à China, mas negociações muito importantes passaram desapercebidas
Midea, empresa criada em 1968 na China, investindo em produtos de alta tecnologia