Romeno de 17 anos Bate o Recorde de Cielo nos 100m Nado Livre

David Popovici, um jovem talento da natação romena, conseguiu a proesa de baixar o tempo de Cesar Cielo nos 100 metros nado livre. Desde julho de 2009, durante 13 anos portanto, Cielo mantinha o recorde que conquistou usando ainda os trajes tecnológicos que ajudavam bastante e que seriam banidos em seguida das competições. Estrela do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos disputados em Budapeste em junho deste ano, Popovici saiu do evento com 2 medalhas de ouro nos 100 e 200 metros na sua especialidade – fato que não ocorria desde 1973. Mas, o agora célebre feito veio no sábado no Foro Itálico em Roma, no mesmo local da competição do recorde de Cielo. O professor Rodrigo Borges (não é parente do nadador Gustavo Borges) analisa em detalhe a prova de Popovici no seu Canal Nada Mais no YouTube. Depois de cumprir os primeiros 50 metros com um tempo de 22´´74, bem acima dos 22´´17 de Cielo em 2009, o que o levou até a ficar atrás do francês Maxime Grousset na prova, Popovici voltou os outros 50 metros em 24´´12, fechando com 46´´86, abaixo dos 46´´91, marca do recorde anterior. Em sua resenha vlogueira, Rodrigo Borges incluiu até o depoimento que Cielo gravou para o Instagram comentando a façanha de Popovici. O romeno se transformou em uma das grandes promesas para os jogos Olímpicos de 2024 em Paris.

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Despedidas e Celebrações

Foi o fim de semana de nos despedirmos de Jô Soares, de lembrarmos de seus livros inventivos, seus personagens cômicos e suas ótimas entrevistas (as com Rogério Skylab ficaram como as mais antológicas e favoritas deste espectador). Mas foi também o momento de celebrar os 80 anos de Caetano Veloso e de um sentimento de volta à normalidade com algo prosaico como a saída para tardes de autógrafos com os lançamentos de “A Vida Futura” (Cia das Letras, 2022), novo romance de Sérgio Rodrigues, e “Vivo Muito Vivo” (José Olympio, 2022), coletânea de contos assinados por 15 autores que se inspiraram em canções de Caê, ambos na pequena e simpática livraria Janela no Jardim Botânico.

Como faz falta sair para conversar e aproveitar um final de tarde com todo mundo à vontade e sem máscaras. Depois de tanto tempo, a gente até estranha essas coisas. O arrefecimento da pandemia e o avizinhamento do fim de tempos tenebrosos, criaram o clima perfeito para um bate-papo em um espaço muito apropriado para isso, a calçada da rua Maria Angélica entre o Parque Lage e a Lagoa, próximo à entrada de uma galeria onde funciona ainda o sebo Janela-Berinjela. Foi tudo rápido, mas deu para saber que a mãe da Cora Rónai já se recuperou da maratona do Master Pan-Americano em Medellin e que está procurando uma piscina para seus treinos. Aos 98 anos, Nora treina em um parque aquático ao ar livre (o do Clube Guanabara) e quer passar para uma piscina climatizada. Depois que mudei para a Barra da Tijuca, venho nadando em piscinas abertas e sei bem a diferença. A única vantagem de piscina aberta é que, quando chove, você sempre encontra uma raia vazia pra chamar de sua.

A tarde de sábado festejava mais um livro ficcional de Sérgio Rodrigues, a sua “história de fantasmas” como ele definiu na dedicatória, em que o autor de “O Drible” sobe às nuvens, pega a dupla Jota-Jota (Alencar e Machado) e os traz ao Rio de Janeiro de hoje para projetar a surpresa e estupefação dos dois com os dias que correm. Com mediação de Cora Rónai, Sérgio conversava entre conhecidos, parentes, amigos e jornalistas próximos como Arnaldo Bloch, Mauro Ventura, Heloisa Seixas e Ruy Castro – Ruy, por coincidência, em breve lança o seu “Os Perigos do Imperador – um Romance do Segundo Reinado”, narrativa fantasiosa sobre a viagem de D. Pedro II aos Estados Unidos. Tive o prazer e alegria de encontrar em meio a essa turma, 30 e tantos anos depois, o colega dos tempos de O Globo Mário Magalhães (“Marighella”, “Sobre Lutas e Lágrimas”), repórter, ombudsman da Folha e atualmente consultor do UOL. Ele prepara mais uma extensa biografia, desta feita em dois tomos e sobre Carlos Lacerda. Com documentos reservados e disponibilizados apenas recentemente, vai proceder a uma atualização das informações levantadas por John Dulles.

A grande surpresa da tarde-noite foi a inesperada adesão de Fernanda Montenegro ao programa. Apareceu sem maiores pompas e despojadamente. Foi-lhe prestada toda a reverência merecida e, convocada ao centro da conversa, falou da felicidade de ver os teatros do Rio de Janeiro voltando a ter público. Aos 92 anos, a atriz, que continua engajada em sua lida pela dramaturgia e pela cultura, foi agraciada com autógrafos (Sérgio Rodrigues também teve reeditado seu livro de estreia, “O Homem que Matou o Escritor”) antes de todos já que seguiria dali para o teatro do Jockey Club para fazer a peça “Nelson Rodrigues por ele Mesmo” às 20h.

Domingo marcou a festa caetânica. Começou com uma nova rodada de autógrafos na Janela, com o organizador da coletânea “Vivo Muito Vivo”, Mateus Baldi, e com os autores Juliana Leite, Marcelo Moutinho, Paula Giovate e Carlos Eduardo Pereira, alguns dos que participaram do desafio de criar uma curta narrativa ficcional a partir de alguma composição do aniversariante oitentão. O amigo Arthur Dapieve escreveu “A Noite”, sugestionado pela composição “Micheangelo Antonioni”. Deu para conversar rápido com ele e Manya Millen e saber que ela foi alçada do Segundo Caderno para responder pela primeira página de O Globo.

A noite fechou com o especial da GloboPlay. Um tributo merecido e que nos lembra da importância de festejarmos com a circunstância devida nossos grandes e inquietos artistas. Caetano foi foco também de um texto e entrevista super interessantes na Folha de domingo que abriu, no estilo costumeiramente arrojado do jornal, com uma curiosa imagem de sua carteira de identidade em preto e branco na capa e que tratou da sua mudança de perspectiva política a partir do contato com o jovem esquerdista e candidato ao governo de Pernambuco pelo PCB Jones Manoel.

O show com os filhos e a irmã Bethânia, repetiu o modelo do “Ofertório”. Caetano está mais do que certo de procurar desculpas para se reunir e ficar com sua prole por perto. Se tivesse filhos e a sua idade, faria mesmo. Como espectador funcionou como tributo para festejá-lo, especialmente para alguém que assisti aos espetáculos de mister Veloso desde bem garoto.

O primeiro show de Caetano que vi na vida foi no teatro Tereza Rachel, era tão pequeno que fui com minha tia Vânia, meu tio Ronaldo e minha mãe. O baiano ainda cantava “Os Argonautas”, que desapareceria de seu repertório. Logo depois o veria no Instituto de Educação cantando ainda músicas do tempo dos discos “Transa” (1972), “Araça Azul” (1973), “Joia” e “Qualquer Coisa” (ambos de 1975). Sim, o Instituto também tem um auditório e Caetano fazia apresentações mambembes por lá.

No teatro Clara Nunes, no começo dos anos 1980, veria o show de lançamento do disco “Muito – Dentro da Estrela Azulada” (1978) e recordo bem da interpretação de “Terra” com Sérgio Dias dos Mutantes tocando violão de 12 cordas – replicava o registro do disco em cuja capa Caetano aparece repousando a cabeça no colo de sua mãe. Voltaria ao Tereza Rachel e iria ao MAM (que também já teve espaço para shows de música) para conferir os repertórios de “Cinema Transcendental” (1979), “Outras Palavras” (1981) e “Cores e Nomes” (1982). A chegada de “Uns” (1983), o levaria para o Canecão e a partir daí os shows passariam a serem apresentados em lugares cada vez maiores. Muita história pra ser lembrada e que estabeleceu forte afeição com o novo octogenário.

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A Estrela do Master de Natação em Medellin

Essa, espero, será a minha futura turma. Todos aqueles que participaram do Campeonato Pan-americano de Natação Master em Medellín, Antioquia, Colômbia, entre 21 e 29 de julho. A estrela do evento foi Nora Rónai, muito aplaudida em todas as muitas provas de que participou (individuais e revezamento) e com quem todos queriam tirar uma foto. Nora realiza aquilo que pra mim ainda é um milagre: completar 100 metros nadando borboleta. Com muito esforço, fecho os 25 metros, e olhe lá. Embora sempre tenha nadado, Nora foi começar a competir apenas aos 69 anos e desde então não largou mais. Como o ano que vem passo definitivamente para o estaleiro em minha vida profissional, quem sabe não me junto a essa animada galera para correr o mundo dando braçadas. Para tanto, é preciso antes intensificar os treinamentos para alcançar tempos que justifiquem e garantam a inscrição nas competições. Em 2016, a primeira vez que pulei de um bloco de partida, aos 56 anos, estava fazendo 50m em 37´´. Como termo de comparação, o Gustavo Borges, aos 44 anos, fechou o “Raia Rápida” daquele ano com 24´´ e o Djan Madruga, aos 58 anos, com 29´´. É preciso baixar pelo menos 8 segundos, portanto. O que isso significa de fato, só treinando diariamente para se conhecer.

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Operação de Guerra no Rio de Janeiro

O leitor talvez nunca o tenha encontrado pessoalmente, mas com certeza o conhece por alguma foto ou imagem. Trata-se de um artefato blindado, um mini-tanque inspirado nesses que vemos sendo pilotados nas frentes de luta na Ucrânia. Uma obra de arte de guerra e que recebeu o apelido carinhoso de caveirão. Ninguém que more na Zona Sul vai um dia assistir a um desses veículos rodando pelas ruas da vizinhança. Do Leblon, com seus 45 mil habitantes e IDH de 0.967 (superior ao de países como Noruega e Suíça), para o Complexo do Alemão, com seus 75 mil habitantes e IDH de 0.711 (inferior ao da Algeria e do Gabão), a distância física, como já nos alertou a economista Alessandra Orofino, não é tão grande assim, mas é gigante no que se refere à qualidade de vida. E também, acrescentaria, ao tratamento e respeito prestado aos moradores.

É por ruelas, vielas, becos, de favelas cariocas, que o caveirão, acompanhado por jeeps, caminhões e orientado pelos helicópteros do Batalhão de Operações Policiais Especiais (o Bope), circula com desenvoltura e circunscreve sua área de atuação. Para restringir o avanço do comboio em suas operações, as bem armadas facções criminosas criam barricadas e espalham óleo sobre o asfalto, dificultando a sua movimentação, como aconteceu na ação ocorrida na quinta-feira passada no Complexo do Alemão. De um lado e de outro, dois grupos muito bem armados se entregam à refrega. No meio do tiroteio, fica a população correndo das balas e vendo suas casas e espaços de convívio serem destruídas por munição de grosso calibre.

A operação no Complexo do Alemão tinha um objetivo irrisório para uma ação destas proporções: por fim a uma quadrilha de roubo de veículos e cargas. A despeito disso, se transformou na quarta mais letal ocorrida no Rio de Janeiro, contabilizando 18 mortos: 1 policial e 17 civis, 8 apenas com passagem pela polícia. Só foi superada por outras três operações anteriores igualmente letais, duas delas, a do Jacarezinho, em maio de 2021, deixou 28 mortos, e a da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, resultou em 25 vítimas fatais. As três mencionadas acima (a quarta é de 2007) ocorridas durante o governo do sucessor de Wilson “basta mirar na cabecinha” Witzel, o atual governador Claudio Castro. Apadrinhado do pastor Everaldo, com quem foi alvo de ação da Polícia Federal que deixou em agosto de 2020 o presidente do Partido Social Cristão preso e em seguida usando tornozeleira eletrônica até junho deste ano, o candidato de Bolsonaro coleciona mais uma proeza em seu curto mandato à frente do governo. Resultado final da operação: a apreensão de uma poderosa metralhadora 0.50, de quatro fuzis, duas pistolas e 48 motos.

Depois da ação de quinta-feira, o comentário da manicure em conversa com a cliente no cabeleireiro, me dizem, era o de que “a Globo está agora defendendo bandido”. Colado na moto de um entregador de aplicativo, foi possível ver na rua outro dia o adesivo: “2022 o ano do Brasil”, com o 22 em letras garrafais. A teoria para se tentar explicar essas manifestações é a de que há uma identificação entre as classes neo-proletárias com as alas socialmente mais abastadas da sociedade. Mas a situação é mais grave e um alerta para a naturalização de práticas que trazem à memória a disseminação no corpo social de uma postura de inspiração nazifascista que transforma as pessoas em reféns do medo e partidárias de atitudes inaceitáveis.

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Veronica Morrissey

Levou algum tempo, mas Morrissey parece que descobriu que seu verdadeiro nome é mesmo Veronica. Está lá no seu novo disco de estúdio, “Bonfire of Teenagers”, finalizado em Los Angeles neste primeiro semestre e que poderá ser adquirido por quem der o maior ou o menor valor de compra por ele como anuncia o site oficial do nosso poetinha (MorrisseyCentral). O ex-vocalista dos Smiths está livre de contratos com gravadoras e apresentado o repertório do novo álbum com suas onze faixas inéditas em sua turnê que corre os Estados Unidos. Os shows têm trazido músicas esquecidas como “Our Frank”, do favorito “Kill Uncle”, e “Let the Right One Slip in”, lançada apenas em compacto como lado B de “Tomorrow” (do álbum “Your Arsenal”), no tempo em que isso ainda existia (lá pelos idos de 1992). Desde a estreia solo com o “Viva Hate”, em 1988, ele soma agora quatorze discos de estúdio, treze de repertório autoral e um de regravações (“California Son”, não tivesse a prefeitura de Los Angeles decretado em 2017 o dia 10 de novembro como seu dia na cidade). “Bonfire” se segue ao meia-bomba “I am not a Dog on a Chain”, lançado pouco antes do início da pandemia, em março de 2020. Morrissey retomou a parceria com o guitarrista Alain Whyte que passou a substituir o permanente colaborador Boz Boorer nos shows. Depois da América, a excursão segue pela Inglaterra com Morrissey cantando como nunca. A última vez que o vi ao vivo foi em novembro de 2018 na Fundição Progresso e quem estava na plateia era o grande filósofo Roberto Machado, que nos deixou o ano passado. O “tradutor” de Foucault para leigos saiu siderado com a performance a que assistiu. O reaça Morrissey segue com imunidade às campanhas de cancelamento aqui em casa e quanto mais velho fica parece mais afiado na interpretação de suas composições.

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A Entrega as Nobres Causas

Vivendo em Altamira, Eliane Brum narra em detalhe a situação atual da Amazônia

O crime hediondo que deu fim as vidas do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo Pereira no Acre, no município de Atalaia do Norte, próximo à região da reserva indígena do Vale do Javari, fez ver o grau de dedicação desses dois ambientalistas e defensores das grandes causas que são levados a se entregar com paixão a tudo que tanto prezam ainda que correndo muitos riscos. Por sorte, esse grupo é significativo e não costuma se intimidar com as ameaças e desconfianças daqueles que não simpatizam com sua luta e que chegam mesmo a antagonizar com ela. Fazem seu trabalho de forma discreta por opção própria. Seguem a trilha aberta por gente abnegada como Rondon, Roquette-Pinto, Lévi-Strauss, os irmãos Villas-Boas, Darcy Ribeiro e outros tantos.

A fascinação, o interesse e o empenho de Bruno Araújo Pereira pela preservação da floresta amazônica e dos povos originários que habitam aquela e outras regiões do país, alguns deles sem ter tido contato com o mundo incivilizado que os rodeia, é mais antiga e se prende à sua atuação como funcionário da Funai. Com o desmonte do órgão pelo governo Bolsonaro, Bruno foi levado a trabalhar na Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), ONG em que seguiu atuando até sua morte. Jornalista colaborador dos jornais The Guardian, The New York Times e Washington Post, Dom Phillips se mudou da Inglaterra para cá em 2007. Ficou tão fascinado pela natureza tropical que nunca mais voltou. Morando no Rio de Janeiro, apresentou a cidade e as belezas das serras e matas atlânticas do estado a companheiros jornalistas durante o período em que esteve por aqui, isso até se mudar para Salvador. Na terra natal de sua mulher, a baiana Alessandra Sampaio, preparava um trabalho jornalístico mais extenso, que viraria o livro “Como Salvar a Amazônia”, e dava aulas de inglês como voluntário para alunos de escolas da periferia.

O crime que todos acompanharam durante semanas em todas as mídias, ganhou destaque no noticiário por ter um jornalista estrangeiro entre as vítimas da ação bárbara, mas, como salienta uma conhecedora do assunto, a também jornalista Eliane Brum, que desde 2017 trabalha em Altamira como corresponde do jornal El País e colaboradora do New York Times e The Guardian, não se trata de caso isolado e sim de uma ação continuada que levou a vida de outros ativistas locais como Maxciel Pereira dos Santos, funcionário da Funai assassinado em 2019. Situação tensa que ameaça ainda outras lideranças como a de Erasmo Alves Teófilo, líder comunitário na região de Anapu, próxima à Altamira, na Amazônia paraense, lugar em que Dorothy Stang foi morta a tiros em 2005 por sua atuação em defesa das comunidades locais.

O Conselho Missionário Indigenista essa semana elencou, junto ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, outros ocorrências como a morte de Edivaldo Manuel de Souza, do Povo Atikum, em Carnaubeira da Penha, a cerca de 500 quilômetros do Recife, bem como o assassinato de indígenas da etnia Guarani-Kaiowá. Mencionou ainda o crime contra Alex Lopes e a invasão ilegal no último fim de semana pela Polícia Militar do território Guapo’y, em Mato Grosso do Sul. Incidente que vitimou Vitor Fernandes e deixou nove feridos por munição letal, dos quais um adolescente que permanece em cuidados intensivos.

Vim a conhecer o trabalho do Conselho Missionário, instituição ligada à CNBB, através do querido Paulinho Guimarães (Paulo Machado Guimarães), já mencionado aqui, que há mais de 30 anos se dedica a representar e defender como advogado do CIMI as causas de povos indígenas. São ONGs como a Univaja, instituições como o CIMI e jornalistas e fotógrafos desbravadores como Eliane Brum e Lucas Landau, filho do amigo Marcio França, que estão ajudando a trazer às claras o ímpeto genocida que tomou conta da Amazônia e de outras regiões conflituosas do país, especialmente sob o governo atual.

Imagem do site de Lucas Landau

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Você não Vai Acreditar no que o Gregório Falou do Ciro…

…e eu ainda tive que assistir a tudo ao lado de petistas,

de Alessandra Orofino (diretora e redatora do programa)

e dos roteiristas Eduardo Branco e Arnaldo Allemand

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“Lago dos Cisnes” no Municipal

Nada como ter uma prima como a Marta Krieger com quem podemos conversar sobre um disco que Damon Albarn gravou no Mali com músicos locais. Ela também é fã de carteirinha de Albarn e queria porque queria ir ver o Gorillaz na noite de sábado no festival Music is the Answer (MITA) que, aqui no Rio de Janeiro, aconteceu no Jockey Club na Gávea. Ainda que compartilhe o culto a Albarn, um talento raro para a composição e um cantor como poucos, preferi escapar de um show de galera para me refugiar em um ambiente sossegado. Fui ouvir Tchaikovski interpretado pela Orquestra do Theatro Municipal sob a regência de Tobias Volkmann e assistir à montagem de “Lago dos Cisnes” com o corpo de baile da casa.

Havia a expectativa de ver o príncipe Siegfried do bailarino convidado e estrela demissionária do Bolshoi (por conta da guerra da Ucrânia) David Motta, novo contratado da Companhia do StaatsBallet de Berlim. O protagonismo na noite de sábado, no entanto, coube ao macaense Cícero Gomes que ficou com a incumbência de lançar ao ar, sob os olhares do bufão e do bruxo e tutor von Rothbart, a bailarina virtuose Márcia Jaqueline, que se desdobrou nos papéis das concorrentes Odette e Odile na busca pela atenção do futuro rei. Além de Cícero e Márcia Jaqueline, o bufão de Rodrigo Hermesmeyer ganhou a plateia sendo muito e merecidamente aplaudido. Rodrigo explorou, além de seus dotes de bailarino, seu muito particular dom teatral, o que encheu de vida o personagem.

Uma ida ao Municipal traz a chance de se aproveitar também o ambiente do Assírio, bar estilizado, onde os encenadores desta montagem, Hélio Bejani e Jorge Texeira, puderem fazer um palestra introdutória acerca das particularidades de “O Lago dos Cisnes” e sobre o que procuraram privilegiar na versão que assinam – reduziram as três horas do programa original para duas horas e pouco. Na sala de espetáculo houve ainda a chance de se contemplar mais uma vez a beleza da decoração que Eliseu Visconti preparou no começo do século passado para o friso acima do proscênio e para o teto. Com ingressos disputadíssimos e esgotados para muitas das sessões, registre-se o agradecimento à Sonja Figueiredo, da Associação Amigos do Municipal, por conseguir três lugares que restavam no balcão nobre.

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Debate em Debate

Que coisa mais pequena e pouco inspirada foi a tal da “repercussão” da conversa que aconteceu entre Ciro Gomes e Gregório Duvivier na última sexta-feira. Os petistas afirmaram na TVPT, quer dizer, TV247, que o Gregório jantou o Ciro, o que já era esperado e previsível. De Ricardo Kotscho não poderia vir algo muito diferente. O ex-jornalista da Folha, que abandonou sua trajetória na redação em 2002 para ser assessor de Lula de quem é amigo há anos, seguiu a mesma linha e perguntou a seus leitores do “Balaio do Kotscho” no UOL se aquele debate era para rir ou para chorar. Isso, obviamente, depois de passar sua coluna inteira desqualificando Ciro Gomes. A campanha de Ciro na opinião de Kotscho é um fracasso, e contrasta com a bem sucedida candidatura do Grande Líder (acho que o colunista não prestou a devida atenção a uma das muitas observações importantes do Ciro: Lula, mesmo no auge de sua vida política, nunca ganhou uma eleição no primeiro turno).

Até mesmo os vlogues que tem tradição de isenção se juntaram ao coro para retratar o encontro como “grotesco” (Henry Bugalho) ou “constrangedor” (o Galãs Feios, de Marcos Bezzi e Helder Maldonado). Não sei se como um efeito destas avaliações, o Politizando de traço cirista de William Jacob chegou também a sugerir uma outra estrutura para o debate. Tudo conversa fiada. O que vimos foi um bate-papo, quente em alguns momentos, o que traz vitalidade ao confronto, entre duas pessoas que pensam o Brasil. Ah, se todos os candidatos fossem espontâneos e autênticos assim. Pessoas de verdade, mostrando suas franquezas e pontos positivos. E mais fundamental e acima de tudo, duas pessoas aflitas em debater e encontrar um caminho que traga algum alento e esperança para uma campanha presidencial que pode jogar o país em um buraco ainda maior do que aquele em que estamos.

O fato é que apesar de terem posições divergentes sobre como se deva dar o embate político no momento, os dois discutiram como amigos que se encontram em um bar e que discordam um do outro. Gregório está certo em defender a equipe de seu programa que faz um trabalho rigoroso e que foi atacada displicentemente no react cirista. Ciro por sua vez mostrou bem como o roteirista e apresentador parece estar tendo uma avaliação inexata sobre alguns dos aliados que se juntaram à sua campanha.

O Cabo Daciolo, por exemplo, que foi tratado como uma personagem folclórica nas últimas eleições presidenciais, tem tido uma atuação política ponderada e não deve ser desprezado como um parceiro no pleito deste ano, representante que é de uma parcela significativa do eleitorado (lembrem que Daciolo foi mais votado em 2018 do que Marina Silva). Temos ainda uma diferença grande entre o Daciolo e gente como Silas Malafaia e o Pastor Isidoro, por exemplo. Falar mal do Aldo Rebelo, ainda que tenhamos divergências com uma ou outra de suas posições no passado como naquele projeto de lei em defesa da língua portuguesa, é pura besteira do Duvivier. Aliás, o ex-militante do PC do B esteve no Canal Livre da semana passada e explicou direitinho qual a sua posição sobre comunidades indígenas já culturalizadas que querem se beneficiar do uso de suas terras. Ele viaja e conhece lugares em que o Gregório nunca esteve.

Se tivéssemos vários candidatos com as ideias e projetos de Ciro Gomes e que como ele se dispusessem a conversar com qualquer um sobre o que pensam e planejam para o país, a campanha presidencial apresentaria um outro viço e despertaria mais interesse nos eleitores. Deixo para fechar um segundo comentário de Henry Bugalho sobre o debate e que trata com seriedade jornalística o que pode ter representado a conversa entre Gregório Duvivier e Ciro Gomes. Lembrando que Ciro e Gregório concordaram pelo menos em um ponto. É preciso negociar até mesmo com os bolsonaristas arrependidos. O Brasil é um país politicamente complexo e soluções simplistas não nos levaram a lugar nenhum.

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Política com Humor

Como sou um cirista convicto e também um devoto de Gregório Duvivier, estou achando o máximo essa discussão toda sobre o meu candidato a presidente. Fico imaginando a inveja dos apoiadores de outros postulantes ao cargo máximo da República que vivem em tédio e torpor permanente com suas escolhas políticas. Que chatice sem fim foi aquele discurso cheio de platitudes e obviedades. E, pior de tudo, lido por alguém que tem recursos fartos e que portanto já poderia ter há muito pago um bom professor de português para lhe ensinar como melhorar sua oratória e como se lê com desenvoltura um texto escrito (aliás, conheço muitos professores batalhadores que vivem de dar aulas particulares e que aceitariam com gosto a tarefa).

O “GregNews” sobre o Ciro Gomes foi ótimo e o react do Cirão das Massas, na sua live das terças-feiras às 19h30 em seu canal no YouTube, não ficou atrás. O Greg não pôde ir nesta terça participar do “Ciro Games” ao vivo, porque grava seu programa neste dia, mas já confirmou que vai debater com o meu candidato, possivelmente no dia 26. Vai ser uma conversa animada, como são de costume as intervenções e confrontos públicos dos dois. Bem diferente de todo o bode humorístico e político que se vê por aí. Ao contrário da percepção de muitos apoiadores, como o empenhado William Jacob, que fazem parte da “turma boa cirista”, não entendo que o “GregNews” tenha sido depreciativo. Pelo contrário, apresentou as qualidades e problemas da trajetória de Ciro, pontuando tudo com humor na medida certa.

Houve um erro factual. Greg é muito bem assessorado pela competente economista Alessandra (Alê) Orofino, pelo jornalista Bruno Torturra (do canal Estúdio Fluxo) e por uma equipe séria de roteiristas, que podem, mesmo que eventualmente, cometer alguma gafe. Pelo visto não tiveram paciência, o que é justificável, de ler o que FHC escreveu em suas memórias sobre os bastidores do Plano Real. Mostraram também desconhecimento sobre o processo eleitoral no começo da abertura política. O erro grosseiro, no entanto, já foi corrigido em tuíte do próprio Greg e vai ser objeto de uma errata na edição desta sexta na HBO.

Assim como alguns ciristas não gostaram do programa do Greg, teve aqueles sem posição definida, como os Galãs Feios, que detonaram o react do Ciro. É claro que houve uma ponta de ressentimento desnecessário (talvez pela ausência do interlocutor) e em alguns momentos as críticas do Ciro não procederam – especialmente na defesa da religiosidade do Cabo Daciolo. Mas é bom lembrar que o GregNews também foi ácido em seu ataque por exemplo ao fato de Ciro ter trabalhado no Beach Park. É verdade que esse assunto nunca mais tinha sido aventado desde que apareceu em uma matéria da Folha de 10 de outubro de 1999. O que nos perguntamos é, qual o problema de se ir para Harvard e depois ser empregado pelo Beach Park? Como dizia meu pai, “pagando bem, que mal tem?”. A mulher do Ciro na ocasião, disse que testemunhou sua assiduidade ao trabalho e na live de William Jacob, do canal Politizando no YouTube, um dos ouvintes comentou:

Quanto a retirada da candidatura do Ciro postulada por Gregório, não concordo em absoluto com essa que parece ser a sua visão e, possivelmente, dos roteiristas do programa. Acho mesmo que o que ainda resta de democracia precisa muito da presença de uma alma viva neste mundo de zumbis. Se o Ciro é exagerado, muito bom que seja. Que continue assim. E se o Lula está preocupado com o segundo turno, ele que venha procurar negociar um plano de governo decente com quem pode ajudá-lo. Ou então que tente, com seu salto alto e sua empáfia, governar um país em uma vitória por um número irrisório de votos. Ah, e cuidado com os golpes pelo caminho. Boa sorte, companheiro.

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