Feriado na Pauliceia Desvairada

Desde 2015 não pisava na capital paulista

CENA 1

Bom dia, Macunaíma, bom dia, São Paulo. “A máquina era que matava os homens, porém os homens é que mandavam na máquina”.

CENA 2

No Instituto Principia, conhecendo pesquisadores que investigam e divulgam com seriedade os caminhos da ciência hoje no Brasil. Ainda que a divulgação seja o foco do Instituto Questão de Ciência, Pasternak e sua ONG não estiveram por lá, ao contrário de Guilherme Terreri Lima Pereira, ou Rita von Hunt, que marcou presença em mesa que encerrou a sexta-feira, primeiro dia do Encontro.

CENA 3

Jantar no Ça-Va Érick Jacquin, ótimo bistrô na Bela Vista, perto da Paulista.

CENA 4

Visita ao Museu do Futebol. Foi o médico e terapeuta Gerson Lucio Oliveira que participava do Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência que me explicou que todo museu precisa obrigatoriamente ter um setor de pesquisa. No Museu do Futebol no Pacaembu, temos o Centro de Referência do Futebol Brasileiro com uma biblioteca que conseguiu através de doações reunir uma senhora e cuidada coleção de revistas (Mundo Esportivo, Manchete Esportiva, Placar). Quem cuida do setor é o bibliotecário Ademir Takara para quem autografei “O Berro Impresso das Manchetes”, que está entre os muitos títulos da biblioteca. Excelente lugar para quem quer pesquisar a história do nosso mais popular esporte. Uma placa do The British Ladies´Footbal Club na seção de quadros nos diz que o primeiro jogo feminino aconteceu em 23 de março de 1895 e uma área na entrada Museu é toda ela dedicada às Rainhas de Copas.

CENA 5

Visita ao Masp, com seu prédio principal e um anexo em construção que será inaugurado em breve. Coleção com Tarsila, Portinari, Di Cavalcanti, Malfatti, Renoir, Manet, Rembrandt, van Gogh, Delacroix, Botticelli, Rafael, a lista é grande. Uma funcionária do Masp chegou a comentar que duas obras de Matisse que ela nunca tinha visto entraram em exibição recentemente (“O Torso de Gesso” e uma paisagem). Todas expostas seguindo o modelo inovador idealizado por Lina Bo Bardi em que o espectador transita entre as obras que estão suspensas em painéis de vidro. 170 obras expostas e uma coleção de 12 mil aguardando espaço, no novo prédio anexo, para serem exibidas.

CENA 6

Teatrinho pra fechar o fim de semana: o “Portátil” do Porta dos Fundos. Confesso que prefiro o texto pronto como no Greg News ao improviso. Lembrou o filme de Eduardo Coutinho em que ele ouvia uma história e pedia para que ela fosse recontada. No caso do “Portátil”, uma história de vida de alguém do público é ouvida e recriada novamente pelos atores com escracho e humor pastelão. O públicou riu muito e saiu contente do espetáculo.

Publicado em Gregório Duvivier, Mário de Andrade, São Paulo | Deixe um comentário

Deu no FB do Tutty Vasques

Publicado em Alfredo Ribeiro (Tutty Vasques) | Deixe um comentário

Sinéad e Terry

Publicado em Sinéad O´Connor, Terry Hall | Deixe um comentário

Idiossincrasias Drummondianas

Humberto Werneck colhe entrevistas e vasculha arquivos em busca de detalhes da vida do poeta e entrega, em conversa com Ruy Castro, passagens de sua futura biografia sobre o mineiro de Itabira

Publicado em Carlos Drummond de Andrade, Humberto Werneck, Ruy Castro | 2 Comentários

Esse Álbum Promete

Depois de “The Narcissist”, “St. Charles Square”, uma segunda faixa já rodando no YouTube. Dia 21 de julho nas plataformas digitais, as 10 novas composições do Blur.

The Ballad of Darren:

01 The Ballad
02 St. Charles Square
03 Barbaric
04 Russian Strings
05 The Everglades (For Leonard)
06 The Narcissist
07 Goodbye Albert
08 Far Away Island
09 Avalon
10 The Heights

Publicado em Blur, Damon Albarn | Deixe um comentário

Chacoalhando pela Cidade

Como comecei a andar por conta propria pra cima e pra baixo aos 12 anos de idade, calculo que há 50 anos pelo menos essa é a minha rotina e sina de usuário de transporte público: chacoalhar pela cidade a bordo de uma dessas latas velhas que infernizam a vida do cidadão carioca. Somente os motoristas que têm de conduzir essas carroças desconjuntadas sofrem mais do que o usuário. É no meu entender a pior forma de tortura a que se possa submeter um ser humano.

Para não dizerem que não falei de flores, os BRTs, que encataram a todos durante os Jogos Olímpicos de 2016, e que andavam uns cacarecos no final do ano passado (sempre superlotados, trafegando com as portas abertas e com gente pendurada do lado de fora) mudaram da água pro vinho com a aquisição pela prefeitura de uma frota de ônibus amarelinhos que vieram para substituir os agora impestráveis bisanfonados azuis. A nova e extensa frota imprimiu uma regularidade e houve uma renovação e aumento do time de fiscais e motoristas. Tá uma beleza e aquela história de que são os usuários que depredam os ônibus, e que por isso o sistema é um lixo, é pura conserva fiada. Tendo transporte de qualidade, todo mundo cuida.

Aliás, a Folha de São Paulo nos informou ontem e discutiu em editorial o fato de que 74 cidades brasileiras já possuem transporte gratuito para sua população. Se 74 prefeituras conseguem oferecer mobilidade sem custo para seus cidadãos, por que devemos seguir sendo servidos por uma frota vergonhosa como a que atende aos moradores da cidade do Rio de Janeiro? Muito apropriadamente a equipe de roteristas do GregNews lembrou na sexta-feira, e acabou pautando a Folha pelo visto, que, em 2013, o estopim de tudo era o preço das passagens. Aproveitou ainda para mostrar retrospectivamente como funcionou durante anos, sempre permeada por corrupção, a lógica que orienta a concessão de linhas na cidade. A sugestão dos roteristas do programa da HBOMax é que se cobre taxas mais elevadas para aqueles que optam pela regalia de andarem em seus carros particulares.

Publicado em Gregório Duvivier | 1 Comentário

A Estreia como Repórter de Vídeo

Publicado em Ana Carolina Landi | 1 Comentário

Mais uma Muito Bem-Vinda Volta do Blur

Com um show em Colchester, cidade natal da banda, o Blur deu a largada nesta sexta-feira no lançamento de seu novo álbum a se seguir ao “The Magic Whip”, de 2015, que vi ao vivo e com gosto em outubro daquele ano em Buenos Aires. São dez faixas que estarão disponíveis a partir do dia 21 de julho sob o título de “The Ballad of Darren”. Duas das novas composições ficaram conhecidas essa semana: “The Narcissist”, cujo vídeo pode ser visto no canal do grupo no YouTube, e “St Charles Square”, que abriu a apresentação desta noite. Até o lançamento do álbum e depois disso, o Blur seguirá fazendo apresentações pela Europa. São shows programados no Reino Unido (com duas noites em julho no Estádio de Wembley) e mais Espanha (Barcelona e Arganda del Rey), Portugal (Porto), Irlanda, França, Dinamarca, Holanda, Itália, Bélgica, Noruega, Suécia, Finlândia e Japão, até meados de agosto. Há promessas de concertos na América Latina, segundo a Folha, o que parece excluir o Brasil. No site da banda, tem-se uma única apresentação no dia 21 de novembro em Bogotá.

As músicas da noite de hoje com “Villa Rosie” que, ao que consta, nunca foi tocada ao vivo

Publicado em Blur | Deixe um comentário

Trilha Sonora de uma Vida com Rita Lee por aí

1 – Foi com ela que descobri que “A vida é um moinho/É um sonho, o caminho…” em uma rede em uma fazenda em Silva Jardim (circa 1969), enquanto o disco de vinil rodava em uma vitrolinha Belair Solid State

2 – Ao seu lado embarquei em uma viagem pela reluzente galáxia com destino a 2001, em nave co-pilotada por Tom Zé e com Gilberto Gil no comando. Era o verão de 1970 passado em uma casa de veraneio em Araruama

3 – Do alto dos meus 13/14 anos me juntei à gangue dos amigos de minhas irmãs para conferir se atrás do porto havia uma cidade em um show no Tijuca Tênis Clube, ao fim do qual a musa saiu despojadamente pela porta dos fundos às 4 da manhã para conversar com quem ainda estava por lá. Ficou de papo até amanhecer, quando partimos para pegar o ônibus de volta pra Copacabana.

4 – Entradas e bandeiras marca o encontro com Paulo Coelho e Raul Seixas, seus novos parceiros. Por essa altura, já tinha conhecido o “Build Up” e “Hoje é o Primeiro Dia do Resto de sua Vida” na casa do Cadinho, um amigo baterista que morreria cedo por complicações de uma asma agudíssima.

5 – “Fruto Proibido” foi a fase Bowie de Rita Lee. Maravilha de show no Teatro Carlos Gomes com ela de bota plataforma prateada. Sobrou espaço até para cantar música do Bad Company de Paul Rodgers, bandinha da moda na época.

6 – No Maracanãzinho, Rita fez a refestança com Gilberto Gil. Logo no começo, parte da estrutura do palco veio abaixo. Roberto de Carvalho ficou fulo da vida e queria encerrar o show, mas ele rolou até o final.

7 – Todos os dias na TV, a abertura da novela “O Pulo do Gato” era com mais um hit dela

8 – Era o período em que ela estava dedicada ao casamento com sua eterna cara metade. Numa casa de praia em Rio das Ostras foi a vez de ouvir sem parar “Mania de Você”.

9 – Bom namorar embalado por “Doce Vampiro”, apresentado em um especial de TV, assistido na rua Canning, alí no território limítrofe entre Copacabana e Ipanema…

10 – … ou ao som de “O Flagra”, em uma casa de vila em Laranjeiras. Isso depois de ter dançado com “Baile Comigo” e “Lança Perfume” na festa de aniversário do amigo Sérgio Lago no Jardim Botânico

11 – Depois viriam “On the Rocks”, “Desculpe o Auê”, “Pega Rapaz”, a versão de “Erva Venenosa” e ainda “Amor e Sexo”, “Pagu”, com Zélia Ducan, e tantas mais versões e gravações de suas composições com as bandas do BRock que gostava, como os Raimundos, os Titãs, Cássia Eller e Pitty.

12 – Em apresentação no Vivo Rio, gravada no dia 31 de janeiro de 2009 para ser exibida no Multishow, a vi no palco pela última vez.

Publicado em Rita Lee | 1 Comentário

Surf Trips

Um surfista, com quem dividia raia nos primeiros anos de volta à natação, lá por 2010, dizia que o surfe era a cereja no bolo a coroar aquela atividade a que nos entregávamos todos os dias. Depois de ter pego muito jacaré quando era garoto no posto 5 em Copacabana e de ter tido uma experiência frustrada com uma prancha dos primórdios das tentativas de shapers brasileiros em trabalharem com fibra, tinha certeza que o companheiro de raia estava coberto de razão. Através do velho amigo Marcio França, que chegou antes de mim à Barra da Tijuca e que faz há 10 anos religiosamente o seu surfe na Praia da Macumba, resolvi dar uma chance ao assunto. E tem sido assim desde pouco antes do começo da pandemia e agora que ela se foi.

Além das idas à Macumba, o ritual inclui as “surf trips” para a Praia do Sapê em Ubatuba. Já passei por três delas: duas o ano passado e uma terceira este ano. Ficamos na Pousada do Grego, uma acomodação um pouco mequetrefe, mas que dá de cara para a praia. É descer uma escada de madeira e estamos na areia. O Sapê tem uma arrebentação tranquila e há a opção de explorar as praias vizinhas, como a da Lagoinha, onde estivemos quando um swell forte deixou as coisas impraticáveis em frente à pousada. O grupo que vai é sempre grande, animado e conta com a orientação do longboarder Allan Gandra, que organiza excursões nacionais e internacionais. Há instrutores auxiliares, como o dedicado Zuca, e a presença de surfistas veteranos como o bicampeão brasileiro de longboard, Vitorino James, que mais do que um grande mestre é uma pessoa divertidíssima. Os fotógrafos Vitor Duarte e Rafael Motta acompanharam os grupos de que participei fazendo imagens de toda a trip. Um próximo passo é conhecer Sunzal, em El Salvador, uma praia de chão de pedra, mas com uma onda extensíssima. Gandra tem uma casa e leva grupos para desfruntarem das muitas arrebentações que quebram por lá e que possibilitam intermináveis direitas.

Fotos de Vitor Duarte e Rafael Motta

Publicado em Surf Trip | 1 Comentário