São poucos, mas muito queridos os meus amigos que ousam a se lançar pelos caminhos insondáveis das artes plásticas. Esse ano, eles estiveram em duas exposições que tive o prazer de visitar. A primeira delas foi uma individual do poeta, dos tempos do grupo Nuvem Cigana, e roterista da Rede Globo, Claudio Lobato. Lobato expôs o seu “Absoluto Obsoleto”, com seus móbiles poéticos e suas criações com objetos esquecidos do dia a dia, com pompa e circunstância na galeria da Casa de Cultura Laura Alvim. O espaço da galeria, debruçado sobre a praia de Ipanema, foi perfeito para estimular com objetos insólitos e desconcertantes o imaginário dos que passaram por lá. Nos dias em que fui ainda não havia a exibição de trechos de seu documentário sobre a Nuvem (“As Incríveis Artimanhas da Nuvem Cigana”, de 2016). Uma pena, fico aqui pensando que autores recitando seus poemas em projeção nas paredes da galeria, um autêntico cinematógrafo das letras que surpreenderia a João do Rio, casaria perfeitamente com a cenografia ambientada por Lobato com suas obras/objetos.
A segunda aconteceu na Fábrica Bhering, na Gamboa, próxima à zona portuária. O espaço, que no passado, como o nome anuncia, foi uma fábrica de chocolate e balas (as famosas balas Toffee da infância de muitos), com maquinário vindo de Hamburgo na Alemanha, hoje abriga, em seus muitos andares, com pé-direito avantajado como pede um prédio industrial, quase uma centena de ateliês (de ceramistas, designers, lojistas, fotógrafos, livreiros e o que mais se imaginar). Os amigos João Araújo (fotógrafo) e Ana Canti (aquarelista) participaram de uma mostra coletiva no espaço Liliane Braga no terraço da Fábrica, que dá vista para a cidade de Niterói. O João já ganhou há uns anos uma individual para suas fotos no Centro Cultural da Justiça Federal, mas Ana Canti está devendo uma exposição exclusivamente sua com as belíssimas aquarelas que cria.
Ana Canti, professora da Escola de Belas Artes da UFRJ, preparando uma de suas aquarelas

















