Caetano Veloso rivaliza com Pedro Nava quando o assunto é recordar, com riqueza de detalhes, passagens de sua vida. O Natal de sua infância em Santo Amaro da Purificação tinha, nas rústicas residências da cidade, presépio, areia de praia, folha de pintaga, cheiro de pitangueira, fontes de água que imitavam riachos, e, como trilha, uma música marcante da época que falava de um papai Noel que morreu, assinada pelo suicida Assis Valente. Em sua live, Caê mostrou que sabe até mesmo espontaneamente fazer essas rememorações como poucos, o que já havia demonstrado de maneira demorada na narrativa de “Verdade Tropical” (Companhia das Letras, 1997), em que, no capítulo “Narciso em Férias” (recém-lançado como um livro autônomo), fala sobre um outro período de festas, aquele em que esteve preso no quartel da Polícia do Exército na rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Por sua participação em happenings tropicalistas, pela aparição em um programa da TV Record em que cantava a mesma “Boas Festas” com uma arma apontada para a cabeça e pelo clima repressivo do AI-5, o compositor seria “sequestrado” em casa pela Polícia Federal e entregue ao Exército no Rio de Janeiro em dezembro de 1968. Fez com Gilberto Gil uma música que adoro e que trata daquele momento. Está em um de seus discos londrinos (um disco do qual ele não gosta).
“Boas festas”
“In The Hot Sun of a Christmas Day”


Caetano é um presente e como gosta de contar histórias
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acompanhei e gosto dele em todas as fases. Esse audio mostra uma voz jovem e límpida!
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