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Burt Bacharach, Rogério Duprat, Nora Ney, Beck Hansen, todos aparecem entre as inspirações, algumas assumidas e outras não, do novo trabalho de Ana Fainguelernt que chega para suceder a “Mormaço Queima” (2018), álbum de estreia da musicista queridinha deste blogue. Ana Frango Elétrico vem acompanhada por um time de músicos amigos que ajudaram a criar uma atmosfera sonora certeira para as muito originais composições selecionadas para este “Little Electric Chicken Heart”, que tem concepção artística e direção personalíssimas da cantora-compositora (assistida por Martin Scian, que mixou e masterizou todas as músicas).
São oito canções e uma vinheta, a maior parte, sete delas, assinadas por Ana individualmente, uma em parceria com Bruno Schiavo (“Tem Certeza?”) e outra ótima composição feita por Chico França (“Promessas e Previsões”), escolhida com propriedade para integrar o repertório desse novo projeto. As faixas estão sendo lançadas pelo selo paulistano Risco que tem em seu cast a banda Terno. Não por acaso portanto, Tim Bernardes, com quem Ana tem ocasionalmente dividido o palco, colabora com o excelente arranjo de voz e coro de “Promessas e Previsões” e tocando teclado nesta mesma faixa e em “Deveria Ter Ficado Menos”.
Do grupo que colabora com a cantora há mais tempo, estão presentes Antonio Neves, que cuida dos caprichados arranjos de metais, Vovô Bebê, que ficou encarregado do arranjo de voz de “Tem Certeza?” e do baixo na maioria das faixas, e Guilherme Lirio, que responde por bateria, drum machine, lapsteel, metalofone e baixo. Há também os colegas do grupo Almoço Nu, Thomás Duarte (congas, timbau) e Juliana Thiré, que soltou sua potente voz ao lado da de Dora Morelenbaum em “Se no Cinema” e “Tem Certeza?” (Dora fez ainda o arranjo de coro e voz para “Chocolate”, além de participar dos vocais de seis músicas). No setor percussivo, o mais requisitado foi o veterano baterista Marcelo Costa (Barca do Sol, Caetano, Lulu Santos, Tribalistas), que comparece em todas as faixas.
Com produção executiva de Santiago Perlingero, “Little Electric Chicken Heart” ficou um álbum marcante, cheio daqueles detalhes que fazem a delícia do ouvinte atento, como o som de vinil no começo desta canção belíssima que é “Saudade” (com sua muito interessante alternância entre os vocais masculino e feminino) e a guitarra enfezada à la Lenny Gordin de “Tem Certeza?”. Merecem destaque os arranjos de metais que apareciam mais comedidamente no primeiro disco e agora ganharam o primeiro plano, particularmente em composições como “Se no Cinema” e “Chocolate”. Tem-se ainda, como cereja no bolo e surpresa maior, a participação vocal especialíssima da mamãe Tutuca em várias faixas. Nesta quinta-feira à noite será possível ver a tradução ao vivo de todo o trabalho no show de lançamento que Ana faz no OiFuturo do Flamengo. Para quem não conseguiu seu ingresso (eles se esgotaram rapidamente), haverá nova apresentação em breve no Espaço Cultural BNDES.



Muito lindo o album
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