Brutalidade sem Fim

marielle-001Ao lado de outros 45 mil eleitores da cidade do Rio de Janeiro, tinha na vereadora Marielle Franco a minha representante na Câmara Municipal. A aposta em sua candidatura vem da crença de que uma verdadeira democracia passa obrigatoriamente pela necessária abertura de espaço para vozes bem diferentes da minha. Vozes de pessoas que não gozaram das mesmas oportunidades das quais usufruiu e que tenham visões e experiências de vida diversas da minha. É claro que esta escolha não foi aleatória, já que Marielle trilhou um caminho em que acredito que é o do investimento em estudos e em formação pessoal como objetivos maiores e fundamentais de nossas insignificantes existências, pouco importando as dificuldades que isto venha a acarretar e independentemente dos resultados imediatos que possa trazer.

Tomei conhecimento e fui entusiasta de sua candidatura por causa do deputado estadual, e nas eleições de 2016 candidato a prefeito, Marcelo Freixo. Freixo tem sido um batalhador incansável por causas importantíssimas de ordem humana que infelizmente orientam as práticas de um número bem reduzido de nossos políticos. Tem assumido riscos incontáveis enfretando as milícias que assolam o Rio de Janeiro, particularmente a bandidagem que em muitos casos surge associada ao poder público. O assassinato de Marielle tinha em meu entender a intenção de intimidar todas as iniciativas humanitárias e de luta nas quais esteve envolvida com Freixo e de atingi-lo indiretamente. Depois de perder um irmão assassinado, o deputado está tendo de encarar mais um revés com a perda de uma dedicada parceira.

Coleciono uma lista grande de divergências com o PSOL, bem como com todos os outros partidos (PDT, PSDB, Rede, PPS, PCdoB, PT), mas nem por isso fecho os olhos e deixo de enxergar e valorizar a prática de políticos que participam e estão envolvidos em lutas fundamentais em todas essas legendas. Assim foi com Marielle e assim é e sempre será com Freixo, Chico Alencar, Randolfe Rodrigues, Alessandro Molon, Eduardo Suplicy, Cristovam Buarque, Manuela D´Ávila, Maria do Rosário, Roberto Freire, para citar alguns daqueles com quem mais simpatizo (observado obviamente o direito de divergir em questões específicas de todos eles).

Nas redes sociais surgiram as campanhas difamatórias e as manifestações mais hediondas já vistas para com Marielle. Um show de notícias falsas, mentirosas e de material produzido com a única finalidade de atacar o que a vereadora representava e desqualifar sua importantíssima atuação política. Tudo feito por gente da pior espécie imaginável. Os cidadãos cariocas, fluminenses e brasileiros, especialmente aqueles que acreditam nas ideias defendidas pela vereadora, só cobram uma única coisa: que os assassinatos bárbaros e brutais de Marielle e do motorista Anderson Gomes sejam esclarecidos prontamente.

freixo marielle

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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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1 Response to Brutalidade sem Fim

  1. Avatar de Margarida Margarida disse:

    A morte covarde dela realmente cala uma voz que lutava por ideais e representava um tipo de parlamentar que todos queremos. Ela era definitivamente uma luz.

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