
Era uma fase da minha vida em que eu andava sempre no plural. Sempre na companhia de uma verdadeira gangue. Tratava-se de um domingo e voltávamos de uma temporada na Fazenda do Rosário perto da cidade de Silva Jardim, no Estado do Rio de Janeiro no meio do caminho para Campos. Sem um VLT pra nos servir depois do desembarque na estação Novo Rio, a mobilidade urbana ficava por conta do tradicional Mercedão da linha 127 que fazia o trajeto Rodoviária-Copacabana. Naquela tarde, ao chegarmos ao final da avenida Rio Branco demos sinal para que saltássemos na Cinelândia. Partimos então para o Teatro Dulcina, onde aconteceria uma das últimas apresentações da peça “Trate-me Leão”. Estávamos todos motivadíssimos embora uma incógnita nos rondasse: será que conseguiríamos entrar? A razão é que todos ali não tinham ainda completado 18 anos, idade atribuída pelo Conselho Superior de Censura à peça do Asdrúbal Trouxe o Trombone. Na porta do teatro, tivemos que argumentar com o rapaz da roleta, que queria ver os documentos que comprovassem nossa maioridade. Conversa vai, conversa vem, foram chamar o diretor da peça, a fim de resolver o impasse. Hamilton Vaz veio, mas não teve o velho jeitinho e a peça ficou para ser vista um tempo depois e por meio de esquetes apenas, interpretados por Regina Casé e alguns dos outros Asdrúbals no Morro da Urca, em evento destinado a levantar dinheiro para ajudar o poeta Chacal que havia sofrido um acidente em São Paulo e se encontrava hospitalizado. Desde então sigo fã de carteirinha das peças autorais montadas por Hamilton Vaz, até mesmo daquelas em que interpreta solitário seus textos.




Acho que eu não fui, não me lembro.
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