O Adeus ao Pérola Negra

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Fim de semana triste com a partida de Luiz Melodia. Extraordinário poeta, compositor e cantor. Contamos nos dedos as vezes em que as três qualidades se casam em uma única pessoa.  Helio Muniz, um companheiro de batalha jornalística com quem não encontro há séculos, foi certa ocasião entrevistá-lo em sua casa na Gávea. Como parte da decoração da residência havia um quadro na parede com um barco em repouso. O detalhe é que o quadro se encontrava de cabeça para baixo. Excentricidades do grande e simpático artista que nos deixou.  Nos últimos anos, tive a oportunidade de vê-lo em 2014 no Theatro Net soltando a voz poderosa de sempre amparada na guitarra do permanente parceiro Renato Piau e de um grupo de cordas. Chovia horrores e Melodia agradeceu modestamente por estarmos lá, como se precisasse. Seus shows eram sempre um convite irrecusável. Depois o vi também no teatro Rival, em 2015, com uma banda numerosa com o auxílio luxuoso de teclado, sopro e tudo mais a que tinha direito. Nos dois shows cantou as músicas do cd “Zerima” (anagrama de Mariza, nome da irmã do cantor, falecida poucos anos antes da gravação do disco), que ficou como sua última obra, e sacou números de sucesso do conhecido repertório que construiu ao longo de uma das mais interessantes carreira da MPB (“Ébano”, “Dores de Amores”, Congênito”, “Salve Linda Canção sem Esperança”). Arriscou uma inesperada releitura de “Parei… Olhei”, música de Rossini Pinto que ficou conhecida na voz de Roberto Carlos, e passou ainda “Loucura”, de Sérgio Sampaio, e “Maracangalha”, de Dorival Caymmi. Em ambos os shows não esqueceu das composições de seu mais famoso disco, “Pérola Negra”, de 1973, que está entre os álbuns favoritos de muitos. Foram nossos últimos encontros.

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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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3 Responses to O Adeus ao Pérola Negra

  1. Avatar de Margarida Margarida disse:

    Melodia era demais. Muita tristeza por mais essa partida precoce.

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  2. Avatar de analucia analucia disse:

    Senti muitissimo! E engraçado que nos últimos meses tenho tocado ele direto no carro. Especialmente viajando sozinha, quando escuto aos berros.

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  3. Avatar de ana maria souza ana maria souza disse:

    Que lindas palavras muita informação sobre Melodia .Gostei.Muito bem Carol documentadíssimo.

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