Quando já se achava que o espírito da poesia de mimeógrafo estivesse morto, enterrado e esquecido para todo o sempre (sobretudo em tempos deste vórtice abdutor de almas conhecido como universo digital), eis que ele sorrateiramente retorna, e novamente com o aval de quem entende do assunto (a professora Heloisa Buarque de Hollanda) e com as bençãos do iniciador de tudo (o poeta Chacal). Todos sabem que Chacal vem instigando a garotada a transformar o que pensa, sente e tudo aquilo mais que estrebucha na agitada alma de nossa juvenília, em poesia, música e performance. Comanda o seu circo já se vão aí quase 30 anos na arena aberta às experimentações que é o palco do CEP 20000 na sala Sérgio Porto no Humaitá.
É por lá que Ana Fainguelernt (ou Ana Frango Elétrico para os que não têm familiaridade com sobrenomes do leste europeu; me lembrou o caso do Garrincha com o Fraldas na Copa de 1962; crianças, pesquisem) pluga sua guitarra e passa seu repertório que em breve chegará ao vinil, mais um suporte vintage que voltou para ser o novo-velho objeto de desejo cultural na era dos bytes. Vai ser uma coletânea que atenderá pelo título de “Xepa/Nata” e que no momento se encontra em processo de crowfunding aguardando a adesão de todos na Embolacha (XEPA/NATA crowdfunding). Antes que o disquinho dê o ar da graça, Ana oferece o relançamento do seu “Escoli o Z – Paralelismo Miúdo” (edição xerográfica da autora, 2016), que sai agora em capas multicoloridas. Participa ainda da reunião de novos poetas no volume 1 do “Caderno do CEP 20000”, produção rodada pelos próprios autores nas oficinas entre o low e o high tech do Colaboratório da UERJ.

Além de música e poesia, Anuska também exercita suas manhas nas artes plásticas, área em que é craque em arriscar traços de um primitivismo que só os desenhistas com talento conseguem realizar com desenvoltura. Como começou há pouco seus estudos na Escola de Belas Artes da UFRJ, pode seguir apostando em suas colagens enquanto afia seus pincéis, grafites, nanquins, para explorá-los em telas e suportes variados. Embora suas telas já tenham admiradores cativos. E é esse dom para as artes gráficas, coisa de quem puxou ao papai Mauro Fainguelernt, que faz com que o “Escoliose” venha com versos lindamente ilustrados.


Dentro da FLIP deste ano, nossa poetisa e artista plástica, que não pára, participa ainda da mesa “Páginas Anônimas: a Literatura que o Brasil Faz e Você Desconhece – Música”. A partir das 17h desta sexta-feira na Casa da Cultura de Paraty, em evento organizado pela Rede Globo. Ana estará muito à vontade entre os seus companheiros de batalha, dividindo mesa com a cantora de funk Blackyva (a black diva da Rocinha) e o inspirado compositor Matheus Torreão. Mediando o encontro, o crítico, escritor e roteirista Rodrigo Fonseca. Na sequência temos pocket show com os participantes.

