O Garmin apresenta dados que guardam certa semelhança com aqueles com os quais o Thomas Piketty (“O Capital no Século XXI”, Intrínseca, 2014; voltarei a ele em breve) tem de trabalhar. Eles não chegam a ser de todo precisos, mas são os dados que temos à disposição e nos quais temos que confiar ainda que com muita suspeita. Assim, além do dia, mês e ano em que caímos na água, ele nos mostra o tempo que permanecemos dentro dela, o tempo que nadamos e a distância nadada. O que é difícil de entender é como podemos ficar mais tempo nadando do que o período em que estivemos dentro da piscina. É verdade que eventualmente pode-se iniciar a cronometragem do Garmin alguns segundos depois de se ter dado o impulso para as primeiras braçadas, mas acho um pouco difícil que ele tenha conhecimento sobre isso. Desta forma, não dá para entender como é possível se ter nadado por 50´55´´ (SW registra o tempo nadado) se o sujeito só permaneceu por 50´50´´ (TOT registra o total do tempo dentro da piscina) na água.
Há problemas também com relação ao registro da distância nadada. Se utilizo uma piscina de 25 metros e sempre termino meus treinos na mesma borda em que inciei, como posso ter percorrido 3 mil e 25 metros? A explicação aqui é mais simples. O Garmin é sensível ao movimento e precisa de uma nova largada contínua após uma virada olímpica ou um retorno na borda para registrar novos 25 ou 50 metros (como determinado previamente pelo aqualouco esportista). Este segundo registro poderia ser confrontado se fizéssemos mentalmente a contagem de nosso percurso. Dentro d´água no entanto a ocupação é com o Neptune, um mp3 com transmissão sonora via reverberação na região da têmpora, que costuma estar tocando coisas como o áudio-livro “On the Heavens”, em que Aristóteles tenta nos convencer, entre outras coisas, sobre a impossibilidade da existência do infinito.




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