Endereço da Liga Mundial de Surfe na Internet (clique aqui)
O futebol segue como o dono da bola no campo midiático. Manda e desmanda em todas as mídias e reina intocável, absoluto e todo senhor de si junto a ainda cobiçada garota dos olhos de todos, a TV aberta (que vive, é bom que se diga, seus dias de declínio). Tolera marginalmente o vôlei e sempre sofreu e manteve a liderança frente as tentativas de ultrapassagem das corridas de baratinha (também conhecidas como provas de fórmula 1) e mais recentemente tem encarado os golpes baixos do telecatch-vale-tudo (com os eventos dos Ultimate Fighting Championships). Duas “práticas esportivas” que, sem espírito esportivo algum, tem-se de dizer que são indevidamente assim apresentadas. O MMA, especialmente, provoca o sentimento de saudades do Verdugo, do Pé na Cova, do Múmia e do Ted Boy Marino.
Em suas armações de jogo implacáveis, o futebol também faz os seus lançamentos na área da TV paga, onde quem recebe as maiores deferências é o tênis. Muita gente deve lembrar, que o tênis, algumas décadas antes de o Guga aparecer, gozava do maior prestígio na faixa das transmissões de TV por sinal livre. As finais do torneio de Wimbledon ao vivo eram, por exemplo, programa obrigatório. Hoje, é necessário pagar para ver uma única partida que seja. Curiosamente, a ida para o campo do sinal pago, levou as transmissões de tênis a se sofisticarem de tal forma, que o futebol ao vivo na TV aberta começou a ter de copiar o seu modelo de televisionamento. Atualmente, não só o futebol, como todos os esportes seguem esse “padrão tênis de transmissão”.
Ao reconhecerem a impossibilidade de competir com o espaço ocupado no espectro midiático pelo futebol, no Brasil, e pelo basquetebol, o baseball e outros esportes nos Estados Unidos e em outros países, os praticantes, organizadores e patrocinadores do surfe fizeram a opção pelo meio alternativo da Internet. Estão dando um show. Sem desembolsar um único centavo, seguimos em mais um ano de transmissões ao vivo do Circuito Mundial de Surfe através da página da Liga Mundial de Surfe (ou World Surf League (WSL), em inglês) na Internet.
Já passamos pela Gold Cost, por Bells Beach e por Margaret River, na Austrália. Este final de semana seguimos acompanhando a elite do surfe mundial fechar a etapa brasileira do Circuito fazendo bonito na praia da Barra da Tijuca próximo ao quebra-mar. A “Brazilian storm” cumpriu apenas em parte o prometido. O Adriano Mineirinho, vulgo Adriano de Souza, atual líder do circuito, recolheu seu strap cedo, mas Filipe Toledo e Ítalo Ferreira, surfistas tão jovens quanto o Gabriel Medina, junto com Jadson André fizeram as honras da casa e levaram o Brasil até a final (escrevo antes de ela ter acontecido).
Numa visão poética do surfe ficamos aqui a imaginar o que um escritor como Herman Melville não faria caso corresse as praias do mundo acompanhando um circuito que, depois de Austrália e Brasil, terá paradas em Fiji, na África do Sul, na Polinésia Francesa, chegando à costa oeste americana. Alguns dos lugares por onde Melville passou e com os quais tinha grande intimidade. Se com marinheiros embarcados em um baleeiro na caça ao leviatã, o escritor nova-iorquino produziu páginas memoráveis, o que ele não faria com os cenários e os personagens incríveis do mundo do surfe. Para alguns não seria nem necessário criar um nome. Por inspiração de seus pais (ou talvez da cultura havaiana), os havaianos Coco Ho e John John Florence vieram ao mundo com a alcunha das grandes lendas. Já Jadson André e Juliana Lima têm aquela trajetória dos humildes lutando contra todas as adversidades para afirmar seu valor que tanto encantava Melville.




Realmente: se não utlizarmos métodos alternativos para divulgação de outros eventos esportivos na esperança de que as mesmas tenham espaço na grande mídia, acabamos por perder muitos eventos incríveis como esse Mundial de Surf. Excelente texto.
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Fala, Luiz, parece que com a “Brazilian storm” a TV aberta teve que abrir espaço pro surfe também. Bom te ver por aqui. Abraço, Marcos
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