Carnavalização Maia

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O carnaval deste ano me levou ao encontro da civilização Maia. Não, não tivemos nenhum novo bloco com foco nas músicas e rituais dos povos da América Central a carnavalizar ainda mais a bagunça de rua carioca que vive seu momento de renascimento glorioso no Rio. Eu é que fui fazer meu turismo farofeiro all-inclusive no mar azul-turquesa de Cancún e me deparei com uma cultura que ainda acho muito desdenhada pelos radares globais. Se tivesse florescido em algum canto da Europa, seria muita mais falada. Toda a experiência em si já foi um grande acontecimento multicultural. O ponto alto do passeio era a visita à pirâmide de Kukulcán, na cidade arqueológica de Chichén Itzá no interior do estado mexicano de Yucátan. Yucátan é vizinho de Quintana Roo, estado onde se encontra Cancún. Ao sul da península em que está instalado o complexo hoteleiro com seus resorts, fica também uma outra das atrações que gostei de ver, as ruínas de Tulum, esta à beira-mar. Para o primeiro destino segui com um grupo de visitantes que incluía um casal de chineses e seus dois filhos (de onde na China, não consegui saber, talvez de Taiwan, mas moradores de Seattle na costa oeste norte-americana), um iraquiano (da cidade de Zakho, no norte do país, na divisa com a Turquia) e três nova-iorquinas (do bairro de Queens). Viramos rapidamente um grupo entrosado na estrada em busca de desfrutar algumas horas do legado e dos monumentos deixados por essa extraordinária e rica cultura que por ali se disseminou. E as pirâmides realmente fascinam por sua grandiosidade e pelos detalhes das construções. Tudo aquilo que os canais de TV Discovery e History alimentam em nossa imaginação se concretizam de repente e arrebatam por sua imponência. Os rituais políticos que tinham lugar nos monumentos maiores e os rituais sagrados em construções menores deviam ser acontecimentos impressionantes e ainda tenebrosos por conta de seus sacrifícios humanos.  No caminho, Eric, o garotinho de 10 anos de descendência chinesa, me desafiou a solucionar em seu tablet problemas de xadrez do enxadrista Lasker (confesso que não sei se ele se referia a Emanuel ou Edward; o puzzle engenhoso envolvia um xeque-mate com apenas três cavalos e os dois reis no tabuleiro). Não foi surpresa portanto saber que seu nick no site chess.com é Ericisawesome. O iraquiano Abdulsalam, ou Salam simplesmente, vive nos Estados Unidos, mas trabalha em missão diplomática americana no Iraque. Tem familiares vivendo no país e conhece as atrocidades dos integrantes do Estado Islâmico de perto. Salam vinha de férias pela Argentina e pelo Rio, onde ficou encantado com o desfile das escolas de samba e com a visita ao Cristo. Já estava arranhando o seu castelhano misturado ao nosso português brasileirinho e não resisti a apresentá-lo a “El Justiceiro”, dos Mutantes. O passeio terminou no cenote sagrado de Chichén Itzá. Um dos poços subterrâneos encontrados e mantidos pelos Maias para rituais e hoje espaço de banho com suas bancadas construídas para saltos n´água.

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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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2 Responses to Carnavalização Maia

  1. Avatar de Margarida Margarida disse:

    Muito boa, como sempre, recomendo

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  2. Avatar de ana maria souza ana maria souza disse:

    Opa tá dando de mil no Discovery ,,adorei as informações turísticas e ver como vcs confraternizaram com diferentes culturas: maias, árabes e chinese.Parabens.Que inveja.Bjs

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