Disse Oscar Wilde em um de seus textos que não consigo parar de citar: “(…) eu devo confessar que gosto de toda sorte de memórias. Admiro tanto por sua forma, como por seu conteúdo. Em literatura, o mero egoísmo é fonte de enorme prazer.” Wilde coloca então o personagem Gilbert a enumerar vários autores (Rousseau, Byron, Balzac, Flaubert) que deliciaram seus leitores com suas passagens autobiográficas. Em contradição com o que pregava o cordão do Procure Saber (já tomaram vergonha na cara e sumiram, graças a Deus), Chico Buarque resolveu contar a história de seu pai e de parte de sua família sem nenhum constrangimento. Como desculpa, tratou de ficcionalizar sua narrativa. O resultado é o ótimo “O Irmão Alemão” (Companhia das Letras, 2014). Li o livro com um grupo grande de amigos que, ainda que não tenham gostado (em sua maioria) da nova aposta do autor, ficaram de qualquer jeito convencidos das qualidades literárias do “romance”. Para quem tem interesse restrito em narrativas com plot bem amarrado e encadeadas em sequência vertiginosa, a estrutura solta de “O Irmão” talvez deixe a desejar. Chico, no entanto, parece que vem apurando seu talento de romancista e elevando a voltagem literária de seu texto. Particularmente, não aprecio a opção de se ficcionalizar abertamente fatos autobiográficos. É verdade que cada caso é um caso e que o livro de Chico não chega a soar tão inadequado quanto o “romance” “O Filho Eterno”, de Cristovão Tezza, por exemplo. Ainda que não simpatize com sua abordagem, “O Irmão Alemão” acabou me surpreendendo e me transformando em um leitor apaixonado por sua narrativa.



Seu comentário despertou meu interesse em ler o livro do Chico.Confesso que nunca acreditei muito no seu talento de romancista apesar de apreciar a letra de suas canções.Agora discordo completamente de sua opinião sobre o livro do Cristóvão Tezza.
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Vou começar a ler logo, acabei de ler a biografia do Ivo Pitanguy que no início é bem interessante mas depois começa a ratear.
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