Da periferia de São Paulo até Harvard
Conversando sobre astrofísica e política
Renovação para nosso Congresso
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Conversando sobre astrofísica e política
Renovação para nosso Congresso
É muito errado um ex-presidente dar sinais de que talvez se interessasse por um apartamento no Guarujá como um possível agrado (para a justiça isso pode se configurar até mesmo em crime, ainda que o ato de posse do imóvel, como comprovação do ilícito, não tenha se concretizado), mas será que não seria prudente devolver aos confres públicos a quantia pra lá de volumosa, ainda que declarada, doada por uma empresa criminosa que atuou em seu governo e que tem sinais fortes de práticas de corrupção com o seu partido (no caso o PSDB)? E pensar que foi tudo em favor de uma importantíssima entidade (o Instituto FHC, agora, Fundação FHC) que presta serviços inestimáveis ao País.

(Fonte: Folha de São Paulo)
Sempre trabalhando para colocar de novo o PSDB no centro do cenário político e levando o partido a fazer opções desastradas, FHC tentou para o pleito de 2018 convencer um “outsider” com experiência em políticas públicas, Luciano Huck. Para infelicidade do tucano-chefe, o apresentador não quis se candidatar. O partido acabou então tendo que escolher um candidato de seu quadro com estirpe e linhagem tucana. Alternativa certeira:




É possível que sejam apenas ilações sem fundamento (como querem nos fazer crer todos os políticos que têm sido citados). Geraldo Alckmin vem de qualquer jeito com uma candidatura amparada em partidos cujos líderes estão no centro das investigações da Lava Jato. Alguns já condenados anteriormente no mensalão e outros sendo investigados ou em vias de serem investigados. A senadora Ana Amélia Lemos faz parte da ala dos falsos moralistas da coligação. Adepta do nepotismo (esteve no cabide de emprego do gabinete do marido, um suplente de senador biônico do período final da ditadura), ela é militante do PP, um partido que consegue bater o PT em número de senadores e deputados indiciados pela operação Lava-Jato. Depois da dupla Aécio/Aloysio Nunes, o PSDB tem uma chapa à altura. Esqueceram só de avisar ao candidato, que carrega seus muitos tons de Temer, um detalhe: é preciso mostrar resultado nas urnas. Vejamos se dinheiro e corrupção irão continuar norteando o destino do País.
Elvis Costello “Un1ted Number”
Sempre tive simpatia por Marina Silva e na sabatina da GloboNews a empatia se intensificou, assim como o entusiasmo por sua candidatura. O modelo de entrevista da “Central das Eleições 2018”, com mais de duas horas de duração de conversa com os candidatos, permite que os postulantes à presidência tenham um tempo maior para discutirem e esmiuçarem suas plataformas políticas.
Fico conjecturando por que a GloboNews não aproveitou a oportunidade para investir em entrevistadores com o perfil da jovem Andréia Sadi. Sadi vem exibindo talento para fazer um trabalho que anda menosprezado: o de produzir “hard news” de qualidade em lugar do jornalismo opinativo e ralo que vemos com Merval, Roberto D´Ávila e Conti – três que poderiam ter ficado de fora sem prejuízo para o programa. Pouco desenvolta no papel de mediadora, Miriam Leitão também deveria ter cedido o posto ao filho Vladimir Neto, outro craque em levantar e apresentar informações pertinentes.
Marina Silva conseguiu se sair muito melhor desta vez do que em abril no “Roda Viva”. Apresentou de maneira mais detalhada suas ideias e posicionamentos. Espero que haja uma aproximação de sua candidatura com a de outros postulantes ao cargo que têm propostas semelhantes. Seria uma aliança grande que poderia reunir de Ciro Gomes a Álvaro Dias, passando por Manuela D´Ávila e outras tantas pessoas decentes. Uma corrente bem mais digna do que a costurada pelo Centrão de Geraldo Alckmin, repleta de figuras suspeitas de envolvimento na lava-jato, condenadas em processos anteriores, bem como conhecidas por serem adeptas de práticas nada republicanas. Sem esquecermos que a administração tucana em São Paulo está cheia de indícios de malversação de dinheiro público e o próprio postulante ao cargo máximo da república pelo PSDB escapou de ser investigado pelo braço paulista da lava-jato por uma manobra do STJ.
A lógica que as correntes progressistas seguem tem dificultado a presença de alternativas renovadoras no cenário político. E, pior do que isso, tem deixado espaço para a atuação da velha corrente fisiologista e corrupta. Ciro Gomes descreveu bem, em palestra em Oxford, como essa lógica vem funcionando há pelo menos 16 anos. Quando FHC chegou ao poder, os petistas viraram as costas e foram fazer oposição, deixando caminho livre para que o PSDB se associasse ao PMDB de Temer, Eduardo Cunha, Romero Jucá, e comandasse as casas do Congresso Nacional. Quando da eleição de Lula, tivemos o oposto. O PSDB foi para a oposição e o PT se aproximou dos 300 picaretas da ala podre do Congresso.
Essas divisões estiveram e continuam presentes mesmo entre partidos menores como PSB, PPS, PV e Rede. Todos são resultado da fragmentação de correntes progressistas representadas pelos melhores quadros do antigo MDB, PT, PDT e PSDB. Por conveniência ou às vezes por mero capricho pessoal, políticos como Roberto Freire, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, Marina Silva, Ciro Gomes e outros tantos nomes ficaram pulando de galho em galho em lugar de consolidar uma legenda única e forte. O resultado é o cenário que temos hoje. Depois de o PT em 2014 ter corrido para os braços do PMDB, agora chegou a vez de o PSDB celebrar mais uma aliança esquizofrênica com DEM, PP e outras siglas marcadas por escrachado fisiologismo e por aberrante espírito corrupto.

Enquanto Fernando Gabeira (ex-PT, ex-PV, ex-PT de novo, ex-PV de novo, ex-parceiro do DEM de Cesar Maia em campanhas no Rio de Janeiro, ex-parlamentar a pagar passagem para familiar com dinheiro público) segue destilando seu tolo cinismo, os políticos consequentes estão na luta para termos um país mais justo e digno. E, afinal de contas, que mal há em se fazer um museu e espaço de observação astronômica em uma cidade ainda que pequena, mesmo que esse museu não tenha sido construído em sua administração? Ataque bobo e desnecessário. E a verdade é que há juízes achando que as eleições irão atrapalhar a lava-jato. Devem de fato estar pensando que o melhor talvez fosse cancelarmos as eleições para que a operação siga seu curso. Só rindo. Estão precisando voltar para seu quadrado, definitivamente. O evento “Conhecer Eleições 2018” teve encontros de presidenciáveis e seus representantes com a comunidade científica. Além de Ciro Gomes, que foi pessoalmente, merece ser vista também a intervenção muito pertinente do representante do Partido Novo, Diogo Costa.
Encontro “Conhecer Eleições 2018”
Diogo Costa, representante do Partido Novo (a partir de 5 horas e 30)
A campanha contra é grande e pelo visto não terei a alegria de ver um presidente da república que sabe conversar sobre a teoria da relatividade de Einstein e a sua comprovação ao se observar a deflexão da luz solar durante um eclipse. Nem tampouco, alguém que bate papo com Elio Gaspari. De qualquer maneira, aqui vai mais um depoimento instrutivo para quem quer saber como tentar resolver alguns dos problemas do país. São tratados todos os assuntos essenciais: reforma política, previdenciária, tributária e ainda a discussão sobre a dívida pública, tudo explicadinho como nenhum candidato fez até agora (vejamos se Miriam Leitão, Elena Landau e Alexandre Schwartsman conseguem entender finalmente os tais “números amalucados do Ciro”). Reparem que na conversa nem se falou em ideias avançadas como as discutidas por Marcos Lisboa, Gustavo Franco e Fabio Klein no Painel WW, de William Waack, em que foi apontada a necessidade imperiosa de se considerar o que fazer com os tais direitos adquiridos e aparentemente intocáveis de uma casta de eleitos. E, sim, aquele domingo trapalhão foi mais um exemplo de que o judiciário está precisando voltar para a caixinha sob risco de roubar o protagonismo do MBL.
Painel WW com Marcos Lisboa, Gustavo Franco e Fabio Klein