Resumo:
A partir da constatação de que a tradução se mostra como um campo privilegiado para a análise de choques e trocas entre culturas, vamos averiguar a validade, a pertinência e as implicações das postulações teóricas apresentadas por Lawrence Venuti (1995; 2002). O teórico afirma que a tradição que se observa na versão de textos para a língua inglesa tem sido a de tornar invisível a figura do tradutor, o qual, para tanto, tem procedido a uma domesticação etnocêntrica do texto a ser traduzido. Esse e outros postulados do autor serão comentados tendo como base o confronto entre as pesquisas levadas a efeito por Heloisa Gonçalves Barbosa (1994), em seus estudos sobre a tradução de romances e contos brasileiros para a língua inglesa, e as investigações de Maria Teresa Machado (2000), sobre o trabalho tradutório de Elizabeth Bishop. As idéias de Venuti são checadas ainda à luz da proposta tradutória de John Gledson para um conto Machadiano.
Introdução
Textos são coisas mutáveis; se acham vinculados a circunstâncias e à política em menor ou maior grau, o que requer atenção e crítica (Edward Said)
Muito se tem falado sobre as visões e escolhas ideológicas particulares que afloram durante o processo de tradução. As análises essencialmente estruturais de técnicas tradutórias, que deixavam latentes e inexploradas as visões que informavam esse labor, abandonaram o centro das discussões recentes. Essa tendência parece apontar para a necessidade de se enfocar um aspecto subjacente dentro do fazer tradutório e que reflete questões como a cultura que gerou determinado texto e a cultura em que se deu a sua recepção em versão traduzida, com a pessoa do tradutor inserida e mediando essa passagem.
Trata-se de uma abordagem que parece especialmente pertinente trazer para o campo das pesquisas em literatura comparada, particularmente em época de investigações pautadas pelos horizontes dos Estudos Culturais e Pós-Colonialistas. Se há décadas atrás Henry Remak já dizia que não há diferença significativa entre a pesquisa em literatura nacional e em literatura comparada, para identificar certos temas da pesquisa comparatista que ultrapassavam os estudos de literatura nacional e que tratavam do contato ou da colisão entre diferentes culturas e que davam conta de questões ligadas à tradução (REMAK, 1961), essa opção parece mais do que apropriada ao momento atual. A visão de Remak seria mesmo reforçada pela autoridade de Susan Bassnett que destacaria a tradutologia como uma área importante dentro dos estudos comparatistas (Bassnett, 1993, apud Venuti, 2002).
Dentro desse cenário irá discutir-se nesse ensaio as avaliações de ordem teórica trabalhadas por Lawrence Venuti, que tem tentado iniciar uma discussão sobre os choques culturais resultantes do processo tradutório de obras literárias, quando estão em jogo as trocas entre a cultura da língua de partida e a cultura da língua de chegada de uma obra traduzida. Recorrer-se-á a elas com a intenção de averiguar, no que tange à tradução de obras literárias brasileiras vertidas para a língua inglesa, a validade, a pertinência e as implicações de tais postulações. Muito particularmente, aquelas que são apresentadas por Venuti em dois de seus estudos mais conhecidos: The Translator´s Invisibility – a History of Translation (1995) e Escândalos da tradução – por uma ética da diferença (2002). De início, vamos às ponderações do pesquisador e teórico do campo tradutológico.
1 – Lawrence Venuti e o Etnocentrismo Tradutório
Lawrence Venuti afirma que a tradição na versão de textos para a língua inglesa nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha tem sido a de tornar invisível a figura do tradutor, o qual, para tanto, tem procedido a uma domesticação etnocêntrica do texto a ser traduzido. Para caracterizar este tipo de tradução, Venuti faz menção a um cânone que privilegia a fluência com a substituição forçosa das diferenças lingüísticas e culturais do texto estrangeiro por um texto que, segundo ele, será assimilado mais facilmente pelo leitor da língua-alvo. Esta opção no processo tradutório causa o que Venuti chama de um efeito ilusório de transparência, estabelecendo uma “invisibilidade” para a pessoa do tradutor. Essas noções de fluência e invisibilidade, ou transparência tradutória, nos termos do autor, são o resultado de uma situação cultural específica. Através de uma análise genealógica Venuti vê as raízes desta tendência tradutória se iniciando em John Denham, John Tytler, Alexander Fraser Dryden e se estendendo à prática de Eugene Nida.
Para definir mais precisamente esse modelo de prática no fazer tradutório, Venuti lembra que, de acordo com a avaliação de escritores, críticos e jornalistas americanos e ingleses que comentam traduções, uma boa tradução é aquela que demonstra fluência e que recorre a uma linguagem coloquial moderna, que evita as gírias, os estrangeirismos e a ambigüidade. Uma linguagem com uma sintaxe que não é tão fiel ao original a ponto de se tornar idiomática, e que é facilmente inteligível e familiar ao leitor do texto traduzido. Segundo o autor, trata-se de uma tendência geral do texto moderno em língua inglesa que tem buscado um linguajar técnico e objetivo como conseqüência da “enorme força econômica e política adquirida pela pesquisa científica durante o século vinte” (VENUTI, 1995, p. 5).
Na opinião do teórico, esse cenário criou a valorização de um uso instrumental da linguagem. Como um desdobramento desta situação, o autor encara a tradução como um ato político, principalmente a tradução de obras de literaturas de culturas periféricas para a cultura anglófona, já que identifica a hegemonia de textos de língua inglesa como fonte do maior número de traduções feitas em todo o mundo. Venuti se vale de um teórico como Antoine Berman para defender uma ética tradutória que caracteriza como sendo aquela que adota uma prática tradutória estrangeirizada que tenta limitar a “violência etnocêntrica da tradução” como é praticada hoje (VENUTI, 1995, p. 20).
O conceito de “tradução estrangeirizada” é postulado pelo teórico de maneira muito peculiar. Venuti define esses traços estrangeirizantes da seguinte forma:
O “estrangeiro” em uma tradução estrangeirizada não é uma representação transparente de uma essência que reside no texto estrangeiro e que tem valor próprio, mas uma construção estratégica cujo valor é contingente à situação atual da língua-alvo. Tradução estrangeirizada significa a diferença do texto estrangeiro, mas somente se houver a disrupção de códigos que prevaleçam na língua alvo. (VENUTI, 1995, p. 20)
O importante dessas proposições de Venuti é que elas apresentam considerações que entrelaçam os aspectos formais com o pano de fundo sociocultural que subjaz a toda tradução. Como diz o professor da Universidade de Temple e doutor pela Universidade de Columbia: “As normas podem ser, em primeira instância, lingüísticas ou literárias, mas elas também incluirão um espectro diversificado de crenças, representações sociais e valores domésticos, que carregam uma força ideológica ao servir os interesses de grupos específicos” (VENUTI, 2002, p. 60).
Há ainda a ser considerado os limites da interpretação e até que ponto o texto traduzido não se transformou em uma recriação do texto original. O assunto é foco de discussão dentro do campo da própria crítica e exegese literária. Antes de investigar a questão tradutória em sua especificidade em Quase a mesma coisa – experiências de tradução (2007), Umberto Eco já tinha debatido o assunto em sua famosa intervenção dentro da edição da Conferência de Tanner de 1990 em Cambridge e que resultou no livro Interpretação e superinterpretação (ECO, 1993). O calor da discussão, que envolveu Richard Rorty e Jonathan Culler, registrou o quanto é problemática a questão da interpretação no mero trabalho de leitura de um texto, em que inexiste o labor tradutório. Não por acaso o assunto voltaria a ser tratado por Eco em seus escritos sobre tradutologia, ao identificar a interpretação como um dos pontos centrais a marcar a tradução interlingual (ECO, 2007).
Venuti não desconsidera o tópico em sua militância por um tradução que tenta evitar a violência etnocêntrica. O especialista na tradução de textos em italiano para a língua inglesa ataca direto o assunto:
A fidelidade não pode ser construída como uma mera equivalência semântica: por um lado, o texto estrangeiro é suscetível a diferentes interpretações, até mesmo no nível da particularidade de uma palavra específica; por outro, as escolhas interpretativas do tradutor respondem a uma situação cultural particular e, assim, sempre vão além do texto estrangeiro. (VENUTI, 1995, p. 37)
O teórico vai afirmar ainda que isso não significa que, de sua perspectiva, a tradução esteja condenada a ficar para sempre entregue à liberdade e ao erro. Sua intenção é procurar chamar a atenção para o fato de “que os cânones de acuidade são culturalmente específicos e historicamente variáveis” (VENUTI, 1995, p. 37).
Para checar a pertinência dessas ponderações de Venuti vou contrastar inicialmente dois estudos, apresentados por Heloisa Gonçalves Barbosa (1994) e Maria Teresa Machado (2000), que mostram através de análises de traduções de obras brasileiras vertidas para a língua inglesa, as opções tradutórias que fizeram com que se privilegiasse a cultura da língua de partida ou a cultura da língua de chegada. Um dos aspectos importantes para indicar tal tendência parece ser a questão referente ao grau de visibilidade do tradutor, que conseqüentemente, deve ser reconhecido de acordo com os parâmetros propostos por Venuti.
2 – Invisibilidade Tradutória na Versão de Romances e Contos Brasileiros
Os fatores identificados como típicos de uma tradução fluente que apaga a pessoa do tradutor e que se apresenta como etnocentricamente domesticadora por Venuti sobressaem nas análises empreendidas por uma pesquisadora brasileira como Heloisa Gonçalves Barbosa (1994) ao comentar as traduções para a língua inglesa de obras de Machado de Assis, Guimarães Rosa e José de Alencar, entre outros nomes do cânone literário brasileiro.
Sobre as traduções das obras de Machado de Assis, Barbosa nota que Jack Schmitt e Lorie Ishimatsu, em tradução realizada em 1977, ao se preocuparem em verter os nomes de ruas e proceder a conversões monetárias na coletânea de contos The Devil’s Church and Other Stories; que Helen Caldwell, ao suavizar, em sua tradução de 1984, as transições abruptas de um romance como Helena; que Robert Scott-Buccleuch, finalmente, ao omitir, sem informar ao leitor, nove capítulos de Dom Casmurro, em Dom Casmurro (Lord Taciturn), de 1992, estivessem todos acomodando a prosa e os traços do texto machadiano à cultura estrangeira com a intenção de facilitar a leitura desses romances e contos pelo público alvo dessas traduções.
Com relação a José de Alencar e a tradução de seu romance Iracema: lenda do Ceará, Barbosa observa, de maneira semelhante, que Norman Biddell em Iracema – a legend of Ceará, ao reduzir as notas do autor e eliminar muito do vocabulário indígena, o fizesse com o propósito de também não causar estranhamento ao leitor.
Barbosa também incursiona em detalhe pelos textos de um escritor brasileiro que é um desafio para qualquer tradutor: Guimarães Rosa. De igual maneira a pesquisadora nos diz que Grande sertão: veredas, com toda a riqueza de um texto que mistura traços da linguagem oral com uma narrativa de dicção pseudo-formal amparada no uso de hipercorreção e de vocabulário arcaico, característica do autor, tenha apresentado em sua tradução uma tessitura que eliminou todas as marcas maiores do texto rosiano. Taylor e de Onís em The Devil to Pay in the Backlands, tradução de 1963 para o Grande sertão: veredas, preferiram trabalhar com uma linguagem estritamente formal na avaliação da estudiosa.
O mesmo se deu com o texto em inglês de contos de Guimarães Rosa. William Grossman com sua versão para “A terceira margem do rio”, em The Third Bank of the River, de 1967, e Barbara Shelby, para esse e outros textos do escritor mineiro, em The Third Bank of the River and Other Stories, de 1968, também trataram, de acordo com Barbosa, de eliminar a ambigüidade do texto rosiano ao optarem por uma leitura linear e que deixou de explorar a amplitude interpretativa apresentada pelos escritos do autor. Os aspectos ambíguos foram normatizados e se tornaram banais e o que era insinuado, foi explicitado no texto da língua de tradução com os tradutores optando por chegarem à conclusão sobre aspectos apenas sugeridos pela prosa de Guimarães Rosa.
3 – A Visibilidade Tradutória de Elizabeth Bishop
As observações das análises de Barbosa (1994) contrastam com as de Maria Teresa Machado (2000). Ao investigar a tradução de Elizabeth Bishop para Minha vida de menina: cadernos de uma menina provinciana nos fins do século XIX, a pesquisa de Maria Teresa Machado mostra uma opção tradutória diferente com a tradutora se mantendo o tempo todo visível no texto de chegada. De acordo com Machado (2000), Bishop, em sua tradução que levou o título de The Diary of “Helena Morley”, interrompe o discurso do texto de tradução para pontuá-lo com sua própria voz, realçando a mediação tradutória. De início há dois prefácios e uma nota introdutória que perfazem trinta páginas e que trazem ainda uma listagem de nomes próprios, apelidos, alcunhas e um glossário. Outros sinais da presença da tradutora se multiplicam na tradução através de numerosas notas de rodapé e de explicações entre colchetes que correm todo o texto.
Bishop faz a opção de rechear sua tradução com estrangeirismos e de manter os topônimos e antropônimos originais acompanhados por registro explicativo. Os empréstimos são para Machado uma escolha aleatória, já que, de acordo com a pesquisadora, eles aparecem não necessariamente por uma falta de correspondência na língua de chegada, mas por um desejo da tradutora de lançar mão deste recurso. Datas e fatos históricos são explicados e há ainda a mimetização dos pronomes de tratamento no que resulta em uma solução peculiar que mescla as normas da língua portuguesa com as normas da língua inglesa. Todas essas práticas tradutórias exemplificam, por parte da tradutora, em primeiro lugar, uma aproximação do universo cultural da língua de partida, e, em segundo lugar, ajudam a tornar o trabalho tradutório visível, o que contrasta com a tendência que aflora das traduções investigadas por Barbosa. Contrastam também com todos os parâmetros utilizados por Venuti para caracterizar o que identifica como um cânone.
Um ponto identificado como problemático tanto por Heloisa Gonçalves Barbosa quanto por Maria Teresa Machado diz respeito aos limites da interpretação. Testando esses limites, Maria Teresa Machado identificou na tradução de Elizabeth Bishop um número grande de interpretações errôneas como resultado do entendimento inapropriado de itens lexicais tais como advérbios, preposições, conjunções, artigos, e o sentido por eles explicitados. Vários trechos da tradução para Minha vida de menina: cadernos de uma menina provinciana nos fins do século XIX chegaram ao leitor de língua inglesa com sentido diverso (em alguns casos oposto) ao que tinham em português. E aqui não se trata das inevitáveis perdas e ganhos inerentes ao ato tradutório de que fala Peter Newmark (1988), e sim de alterações de sentido por falta de compreensão do texto original
É importante lembrar que quando Elizabeth Bishop realizou sua tradução, a poetisa tinha acabado de chegar ao Brasil. Bishop desembarcou por aqui no final de 1951 e concluiu a tradução e a introdução da primeira edição do livro em setembro de 1956, em Petrópolis. Tratava-se de uma escritora sem tradição como tradutora da língua portuguesa para a língua inglesa, trabalho que só viria a realizar com mais dedicação nos anos de 1970, quando se empenharia na tradução para a língua inglesa das poesias de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes entre outros autores brasileiros. Heloisa Gonçalves Barbosa também localizou problemas semelhantes, mas sua tese menciona apenas alguns exemplos entre a grande quantidade de traduções que comenta.
4 – John Gledson e a Tradução do Texto Machadiano
Pode-se colocar algumas das ponderações de Venuti em perspectiva ao considerar-se nessa parte final um último caso a título de fechamento. Refiro-me a um estudo apresentado em palestra recente por John Gledson (2007), pesquisador inglês conhecido pela difusão dos escritos de Machado de Assis e pela sistematização de seu legado. Empenhado no trabalho de tradução de contos de Machado a serem editados em uma antologia em inglês, possivelmente em 2008, Gledson mostrou novas possibilidades distintas daquelas apresentadas pelos tradutores que o precederam. Em sua intervenção dentro da “Machado de Assis week”, que aconteceu entre os dias 18 e 22 de junho de 2007, na embaixada brasileira em Londres, o catedrático contrastou a sua tradução para o conto “Dona Paula” com a feita por Schmitt e Ishimatsu na coletânea The Devil´s Church and Other Stories, referida anteriormente.
Se podia-se tomar a antiga tradução analisada por Heloisa Gonçalves Barbosa como linear e não estrangeirizada, o que dizer da abordagem tradutória de Gledson que quer ser mais fiel ao estilo machadiano trazendo para o texto da língua alvo nuances do escritor brasileiro ignoradas pelos dois tradutores que o antecederam? Ao se esforçar por ater em sua tradução as marcas maiores do autor, Gledson estaria se apagando como tradutor e celebrando um cânone ou, pelo contrário, afirmando uma tentativa de trabalho tradutório mais refinado e que manteria as marcas estrangeirizantes do texto de Machado de Assis?
Deve-se destacar que para Venuti, como foi visto acima, a tradução estrangeirizada “não é uma representação transparente de uma essência”, mas uma “construção estratégica” que tem como objetivo produzir a “disrupção de códigos que prevaleçam na língua alvo”. Aqui o projeto teórico de Venuti parece depender de uma avaliação subjetiva para caracterizar em que medida essa disrupção ocorreria. Se ao trazer um autor de uma cultura periférica e procurar se ater às peculiaridades de sua escrita, Gledson estaria mexendo com o cânone da cultura da língua de chegada dessa tradução, por outro lado, não deixaria de estar celebrando um autor por demais consagrado dentro da cultura brasileira e que começa a se transformar em um nome cultuado na cultura anglo-americana, especialmente depois que intelectuais como Susan Sontag e Harold Bloom passaram a chamar a atenção para as qualidades de sua obra. A discussão, como se vê, é longa e extrapola as intenções e os limites desse ensaio.
Conclusão
Se as discussões no campo da literatura comparada não conseguem escapar hoje a um debate com um enfoque explicitamente político, a tradução, como parte integrante dessa área de estudo, não poderia fugir a esse debate. Foram comentados estudos que através da análise de traduções de obras brasileiras para a língua inglesa apresentaram casos em que o trabalho aparentemente técnico de tradução mostrou sua face cultural e o seu entrelaçamento com uma dimensão ideológica. À guisa de conclusão aponto como encaminhamento a necessidade de se aprofundar a discussão apenas esboçada aqui. O que ficou claro é que há de fato graus diferenciados em projetos tradutórios e editoriais que almejam a uma postura não etnocêntrica. Se identificamos traços domesticadores em algumas traduções analisadas por Barbosa (1994), tem-se de reconhecer ao mesmo tempo o esforço de tradutores como Helen Caldwell, Barbara Shelby, William Grossman e de casas editoriais como a nova-iorquina Alfred Knopf (a primeira editora estrangeira a se interessar pela tradução da obra de Guimarães Rosa), em intervir nessa relação de assimetria que se identifica entre culturas periféricas e a cultura anglo-americana. Ficam aqui, portanto, a título de conclusão essas anotações para uma possível seqüência desse estudo.
Referências Bibliográficas:
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[2] ECO, Umberto. Quase a mesma coisa – experiências de tradução. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.
[3] __________. Interpretação e superinterpretação. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
[4] GLEDSON, John.“Translating Machado de Assis – “Dona Paula””. Palestra proferida na Embaixada Brasileira em Londres dentro da “Machado de Assis week”, ocorrida entre os dias 18 e 22 de junho de 2007. Disponível em: http://www.brazil.org.uk/events/machadodeassis.html. Consultado em junho de 2008.
[5] MACHADO, Maria Teresa. Para inglês ler – o diário de Helena Morley traduzido por Elizabeth Bishop. Tese de doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2000.
[6] NEWMARK, Peter. A Textbook of Translation. New York: Prentice Hall, 1988.
[7] REMAK, Henry H. “Literatura comparada: definição e função”. In: COUTINHO, Eduardo F. & CARVALHAL, Tânia Franco (org.). Literatura comparada textos fundadores. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, pp. 175-190.
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[9] VENUTI, Lawrence. The Translator’s Invisibility – a History of Translation. London & New York: Routledge, 1995.
[10] __________. Escândalos da tradução – por uma ética da diferença. Tradução de Laureano Pelegrin, Lucinéia Marcelino Villela, Marileide Dias Esqueda e Valéria Biondo. Bauru: Edusc, 2002.
[1] Marcos Francisco Pedrosa Sá Freire de Souza, Prof. Dr. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

