
Para suas turmas da PUC/RJ, mestre Silvio Tendler abria o seu baú de filmes na sala de projeção do departamento de comunicação da universidade e nos ensinava aquilo que sabia fazer como poucos: garimpar imagens cinematográficas históricas sobre assuntos relevantes da memória brasileira para costurar suas narrativas politizadas sobre a vida nacional. Já gozava de prestígio por ter realizado o filme “Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (1980), mas estava preparando aquela que viria a ser a sua grande obra tanto de bilheteria quanto por abrir caminho para o movimento das “Diretas Já”. “Jango” (1984) foi aquele filme que todos assistiram nos cinemas como se estivessem em uma missa e que se traduziu em um marco importante ajudando na movimentação que culminaria na completa redemocratização do país, o que ocorreria em seguida com a volta das eleições para presidente. Apesar de já ter então realizado um documentário que era puro entretenimento, como “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (1981), sobre o quarteto de humoristas mais famosos no Brasil da época, seu nome se vincularia a todas as lutas abertamente políticas que encontraria pela frente. Fez isso durante toda sua trajetória como cine-documentarista, recuperando a memória de pessoas importantes como o Almirante Negro João Candido, como Milton Santos, como Marighella e como Glauber Rocha. Retratou também a luta do brasileiro por seus direitos sociais e trabalhistas em “A Bolsa ou a Vida” (2021) e por atenção médica em “Saúde tem Cura” (2022). Um olhar sempre amoroso para com as pessoas deste país. Dono da produtora Caliban, todos os seus títulos podem ser conferidos sem custo algum no canal da empresa no YouTube, onde o próprio Silvio Tendler convida o público a conhecer suas produções.

