
A cordialidade brasileira como um dado positivo de nossa cultura teve toda sua máxima expressão na pessoa do grande cronista e na muito querida figura pública de Luis Fernando Veríssimo. Se seu pai marcou nossa literatura como o escritor dos romances extensíssimos, retratando muitas sagas e com personagens memoráveis, Luis Fernando, ainda que tenha escrito alguns romances (cinco no total: “O Jardim do Diabo”, 1987, “Borges e os Orangotangos Eternos”, 2000, “O Opositor”, 2004, “A Décima Noite”, 2006, e “Os Espiões”, 2009) ficou conhecido como o criador das narrativas curtas e malicosamente zombeteiras. Figura retraída e contida (dizia que não falava pouco, “os outros é que falam muito”), não poupava seus leitores de suas tiradas e comentários certeiros e arrasadores sobre a vida nessa nossa Terra Brasilis. Com o detalhe de nunca ter amarelado na hora de se posicionar claramente sobre qualquer assunto, especialmente a política. E fez isso em escritos preparados sempre com a maior classe e finura. Deixou também uma galeria de criaturas (Ed Mort, o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté) que brejeiramente retrataram, sem meios-tons e sem concessões, a nossa cultura. Personagens inesquecíveis que nos deliciaram e que seguirão nos deliciando, criados que foram por um humor maroto, espirituoso e sagaz. Até mesmo desenhando em quadrinhos com a Família Brasil ou com suas tirinhas das cobras era genial com seu traço singelo.

