O Comunista do Dudu Paes e a Conservadora Liberal

O debate não é recente, mas é instrutivo. De um lado, Renata Barreto, influenciadora, empresária, sócia da empresa de investimento Faz Capital e co-fundadora do aplicativo O Exército (“uma verdadeira comunidade de agentes de informação”). Economista formada pela PUC de São Paulo, ela comanda também a plataforma Cursology e já ministrou aulas sobre “Capitalismo e Socialismo” por conta de seu interesse por história, política e economia. Diz que começou a ler “O Capital”, de Karl Marx, mas achou um livro “muito chato, inclusive”. E olha que ela nem sabia que a obra vinha em três volumes. Deixa claro, no entanto, que se afina mais com as ideias de Ronald Reagan, ainda que ele não seja exatamente conhecido por ter escrito uma única linha sobre história, política ou muito menos sobre economia, mas sim por ser o ator hollywoodiano que chegou à presidência dos Estados Unidos. Liberal e conservadora por convicção, ela se mostra radicalmente crítica a todas as iniciativas do Partido Democrata americano a qualquer tempo (do período Bill Clinton ao de Joe Biden). Cultuadora dos fundadores dos Estados Unidos, ficou surpresa ao receber de presente o volume “Cartas da Economia Nacional Contra o Livre Comércio”, de Alexander Hamilton (com Friedrich List e Henry Carey), que, como outros founding fathers, é uma pessoa que ela admira e que conhecia de documentários e do musical da Broadway – “Cartas da Economia Nacional”, como o título insinua, pregava o protecionismo como política de estado para o desenvolvimento da indústria. Do outro lado da mesa está Elias Jabbour, o comunista que atualmente integra a equipe de Dudu Paes. Elias voltou da China no final do ano passado. Foi tirado do cargo de diretor de pesquisa do Novo Banco de Desenvolvimento, ligado aos Brics, onde havia chegado pelas mãos da presidenta Dilma Rousseff, para comandar o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos da administração do prefeito carioca. Formado em geografia com mestrado e doutorado pela USP, é professor licenciado dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Econômicas e em Relações Internacionais da UERJ e especialista em assuntos que dizem respeito à República Popular da China. Integrante do Partido Comunista do Brasil, ele já visitou e fez pesquisas in loco no país asiático e teve que explicar à defensora do estado mínimo que “capitalismo de estado” é um pleonasmo. Com visões divergentes sobre política, num ponto os dois parecem concordar: não simpatizam com Thomas Piketty.

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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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