O portoalegrense Eduardo Bueno abre o verbo sobre a história e a situação de seu estado natal depois das inundações
Fazer política, todos nós fazemos mesmo que alguns não se apercebam disso. Mas se envolver na vida partidária já é algo que escapa um pouco a minha compreensão, especialmente ao vermos o que tem grassado no cenário político no Brasil e no mundo. Sei que alguns têm um pendor para essa atividade e desde muito jovens abraçam como com um impulso natural a vida político partidária, como é o caso, ainda que com interesses e ambições pessoais bem distintas, de Manuela D´Ávila e de Eduardo Leite. O que não consigo entender é o que leva um sujeito a tomar a decisão de querer viver de política. É esse o meu sentimento em relação à maioria daqueles que pleiteiam cargos públicos no Brasil. Tirando algumas raras exceções, grande parte das pessoas entram para a vida pública por ver na política uma possibilidade de ter ou um “emprego” ou um ganho extra – por que será que um general da reserva, como Hamilton Mourão, veio a se tornar vice-presidente e senador?
Não parecem perceber que pra além da militância para uns e de ganha pão ou ganho extra pra outros, no entanto, a atividade política, quando alguém segue por muito tempo dentro da vida pública, envolve questões práticas que dizem respeito a responsabilidades bem mais sérias do que o bem mais previsível legislar, que requer apenas bom senso. Depois de galgarem os primeiros passos como vereadores, deputados ou senadores, chega a hora de se lançarem à administração de cidades, estados ou mesmo do país. Algo que imagino seja de extrema complexidade e exija a dedicação de alguém que conheça bem o assunto.
Penso nisso ao checar os perfis dos prefeitos dos municípios riograndenses mais populosos atingindos recentemente por chuvas torrenciais que levaram a inundação de boa parte do estado deixando em seu rastro mortos, desabrigados e o comprometimento da economia do estado por muitos anos. Os prefeitos de Porto Alegre, Pelotas e Canoas, por exemplo, são pessoas com formação respectivamente em direito, letras e jornalismo e o de e Caxias do Sul teve experiência como comerciante antes de entrar para a política, áreas de conhecimento e atuação que pouco tem a ver com aquilo que o cargo da administração pública parece exigir.
Além de ter obviamente o conhecimento da história do lugar em que vivem, o cargo de prefeito ou governador exige a competência e o entendimento de como cuidar administrativamente de uma cidade e de um estado. E foi justamente isso que senti falta por parte de todos aqueles, atuais ou pretéritos, prefeitos e governadores, no caso das enchentes recentes ocorridas no Rio Grande do Sul – por mais esforçado e conciliatório que o atual governador Eduardo Leite tenha se mostrado para esclarecer sua atuação neste momento de crise. Será que os ocupantes de cargos administrativos públicos no sul desconheciam o histórico das complicações que um ciclo de chuvas intensas já causou e poderia voltar a causar aos riograndenses? E mesmo o atual presidente e os ex-presidentes nada sabiam sobre as vulnerabilidades deste estado no que se refere ao ciclo de chuvas? Ao que tudo indica, tinham pouca ou nenhuma compreensão sobre as frangilidades do Rio Grande do Sul frente às intempéries climáticas. O resultado são prejuízos incalculáveis e sem precedentes para a economia e para a população do estado.
A obra “A Fisionomia do Rio Grande do Sul”, do padre jesuíta e antropólogo Balduíno Rambo, que descreve a geografia do estado, por Bueno

