Com a Gretsch que escolheu de presente, na linha das guitarras favoritas de George Harrison
A Bebelu coruja conta que antes de ele completar um ano, e antecedendo o tradicional “papai/mamãe”, a primeira palavra que falou foi “luz”, sabe-se lá por que. A avó materna deve concordar com isso, pois, como costuma dizer, “ele é bem acima da média”. De minha parte, lembro as passagens que vivenciei. Tentando estimular o interesse do pimpolho, comentava: “Ian, repare nesse avião e veja como ele é estranho”. Para ouvir, “tio Kiko, esse não é um avião, esse é o 14Bis”. Passava então à natureza, “olhe, como essa árvore é diferente”. “Essa não é uma árvore. Essa é uma palmeira”. Ao relembrar esses fatos em almoço de família, o pai foi taxativo: “Em resumo: era um chato”. Tenho que discordar, pois me divertia muito. Bem novinho, ele era fã de rock inglês. Na seção de cds da Fnac, ficava pegando os discos e trazendo para que eu conferisse aqueles que conhecia e não cansava de ouvir: “E, olha o “Crocodiles”, do Echo and the Bunnymen”; “o “Who´s Next”, do The Who”, “o “Rebel Yell”, do Billy Idol”. Os roqueiros que acompanhavam a cena na loja de departamentos do Barrashopping rolavam de rir vendo aquele pirralho metido a entendido em música.
Fazendo graça na capelinha da casa de seus bisavós em Petrópolis
Ian sabia das minhas restrições às letras do início da carreira dos Fab Four. Uma ocasião, passeando de carro para resolver as pendências da morte de minha primeira mulher, ele resolveu me questionar: “Tio Kiko, por acaso você acha “Help”, ingênua? E ““In my life”, te parece ingênua?” E seguiu enumerando músicas dos Beatles daquela fase e perguntando se seriam ingênuas. Dias depois de passado o episódio, já sozinho, fui me lembrar da letra de “Help”: “Help, I need somebody/Help, not just anybody/Help, you know I need someone/Help me if you can/I am feeling down/And I do appreciate you´ve been round/Help me, get my feet back on the ground/ Won´t you, please, please, help me?”. É, definitivamente, tive que concordar, as primeiras composições de John Lennon não tratavam apenas de “I wanna hold your hand”. Que, na verdade, me parecia mais uma composição de Paul McCartney.” Aliás, um de nossos passatempos era ficar ouvindo músicas dos Beatles e tentando adivinhar quem era o autor de cada composição, se Lennon ou McCartney.
Na encenação de “Bailei na Curva” com o grupo TACA do Colégio Andrews
Foi uma fase ótima, era gordinho, hiperativo, engraçado. Agora está crescido, ficou sério, reservado e circunspecto. Perdeu a graça da infância e da adolescência. Suas conversas são sobre o mistério do samba e a tal da Moderna Música Popular Brasileira, especialmente, sobre os compositores malditos (Luiz Melodia, Sérgio Sampaio, Itamar Assumpção) cujas trajetórias está estudando. Além deles, ouve Hermeto Paschoal, Chico Buarque de Hollanda e gosta de tocar Paulinho Nogueira. Está completando 22 voltas ao redor do Sol no dia de hoje.
Interpretando a “Bachiana no1” de Paulinho Nogueira





Que homenagem linda… não sabia dessas coisas. Ele é demais e você um super Tio.
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