Política com Humor

Como sou um cirista convicto e também um devoto de Gregório Duvivier, estou achando o máximo essa discussão toda sobre o meu candidato a presidente. Fico imaginando a inveja dos apoiadores de outros postulantes ao cargo máximo da República que vivem em tédio e torpor permanente com suas escolhas políticas. Que chatice sem fim foi aquele discurso cheio de platitudes e obviedades. E, pior de tudo, lido por alguém que tem recursos fartos e que portanto já poderia ter há muito pago um bom professor de português para lhe ensinar como melhorar sua oratória e como se lê com desenvoltura um texto escrito (aliás, conheço muitos professores batalhadores que vivem de dar aulas particulares e que aceitariam com gosto a tarefa).

O “GregNews” sobre o Ciro Gomes foi ótimo e o react do Cirão das Massas, na sua live das terças-feiras às 19h30 em seu canal no YouTube, não ficou atrás. O Greg não pôde ir nesta terça participar do “Ciro Games” ao vivo, porque grava seu programa neste dia, mas já confirmou que vai debater com o meu candidato, possivelmente no dia 26. Vai ser uma conversa animada, como são de costume as intervenções e confrontos públicos dos dois. Bem diferente de todo o bode humorístico e político que se vê por aí. Ao contrário da percepção de muitos apoiadores, como o empenhado William Jacob, que fazem parte da “turma boa cirista”, não entendo que o “GregNews” tenha sido depreciativo. Pelo contrário, apresentou as qualidades e problemas da trajetória de Ciro, pontuando tudo com humor na medida certa.

Houve um erro factual. Greg é muito bem assessorado pela competente economista Alessandra (Alê) Orofino, pelo jornalista Bruno Torturra (do canal Estúdio Fluxo) e por uma equipe séria de roteiristas, que podem, mesmo que eventualmente, cometer alguma gafe. Pelo visto não tiveram paciência, o que é justificável, de ler o que FHC escreveu em suas memórias sobre os bastidores do Plano Real. Mostraram também desconhecimento sobre o processo eleitoral no começo da abertura política. O erro grosseiro, no entanto, já foi corrigido em tuíte do próprio Greg e vai ser objeto de uma errata na edição desta sexta na HBO.

Assim como alguns ciristas não gostaram do programa do Greg, teve aqueles sem posição definida, como os Galãs Feios, que detonaram o react do Ciro. É claro que houve uma ponta de ressentimento desnecessário (talvez pela ausência do interlocutor) e em alguns momentos as críticas do Ciro não procederam – especialmente na defesa da religiosidade do Cabo Daciolo. Mas é bom lembrar que o GregNews também foi ácido em seu ataque por exemplo ao fato de Ciro ter trabalhado no Beach Park. É verdade que esse assunto nunca mais tinha sido aventado desde que apareceu em uma matéria da Folha de 10 de outubro de 1999. O que nos perguntamos é, qual o problema de se ir para Harvard e depois ser empregado pelo Beach Park? Como dizia meu pai, “pagando bem, que mal tem?”. A mulher do Ciro na ocasião, disse que testemunhou sua assiduidade ao trabalho e na live de William Jacob, do canal Politizando no YouTube, um dos ouvintes comentou:

Quanto a retirada da candidatura do Ciro postulada por Gregório, não concordo em absoluto com essa que parece ser a sua visão e, possivelmente, dos roteiristas do programa. Acho mesmo que o que ainda resta de democracia precisa muito da presença de uma alma viva neste mundo de zumbis. Se o Ciro é exagerado, muito bom que seja. Que continue assim. E se o Lula está preocupado com o segundo turno, ele que venha procurar negociar um plano de governo decente com quem pode ajudá-lo. Ou então que tente, com seu salto alto e sua empáfia, governar um país em uma vitória por um número irrisório de votos. Ah, e cuidado com os golpes pelo caminho. Boa sorte, companheiro.

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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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