
Miragem: Rogilson (bateria), Haroldo (guitarra, vocais e pandeiro), Andrelton (baixo), Fabinho (vocal e guitarra solo) e Marcelinho (vocais e guitarra de apoio)
Da história de Paul Weller, narrada na biografia “My Every Changing Moods” (Omnibus Press, 1996), de John Reed, ficamos sabendo que o The Jam ganhou esse nome, porque era assim que os ensaios do começo do grupo eram chamados pela vizinhança que comparecia à porta da casa dos Wellers para ver os garotos tocarem. Lendo a passagem, lembrei-me que uma jam semelhante acontecia durante o período de veraneio na casa da família de meu pai em Petrópolis (um condomínio dividido por dez tios e respectivos filhos reunindo mais gente do que o Maracanã em dia de final). E de maneira idêntica havia uma plateia para aplaudir a performance do grupo que se chamava Miragem.

A banda era formada por meu irmão, André (Andrelton) Pedrosa (fã de Queen e The Who e, no futuro, um radical devoto da primeira banda de Weller, tão devoto a ponto de ter os versos “Kick out The Style, bring back The Jam” como os mais bem pensados da história do British pop), dois de meus primos, os irmãos Rogério (também conhecido como Roger, Rogilson ou Gerinho) e Haroldo Ferreira de Souza, e Marcelo Crelier e Fabio Rizental. Apenas estes dois últimos, amigos do Andrelton no colégio Sacré-Coeur de Marie em Copacabana, seguiriam profissionalmente como músicos. Marcelo Crelier seria integrante como baixista da banda Inimigos do Rei e Fabio Rizental teria uma carreira extensa participando de várias bandas que se apresentavam na noite até trilhar seu caminho solo tocando seu jazz fusion com gente consagrada como Wagner Tiso.



O repertório era basicamente de músicas dos Beatles (“Day Tripper”, “Taxman”, “Love me Do”, “She Loves You”), do The Who (“My Generation”, “The Kids are All Right”), dos Stones (“Under my Thumb”, “Satisfaction”), mas havia também as composições autorais assinadas por Fabio Rizental e Marcelo Clerier (“Sonhar” e “Verdes Mares”). Meu irmão tocava um baixo Giannini preto, cuja plaqueta de identificação do instrumento seria devidamente levada para um passeio a Londres, de onde voltaria no corpo de um Rickenbacker para enganar a alfândega. O sonho de baixista com Rickenbacker seria depois abandonado com a venda do instrumento para o virtuose Odeid Pomeranblum (Lobão e os Ronaldos) e com o embarque na tentativa de ser empresário do grupo brasiliense Heróis do Dia. Hoje, Andrelton tem uma empresa de representação de produtos médicos. Haroldo é funcionário da Petrobras e Rogério, controlador de voo. Para vermos que nem sempre tudo acaba necessariamente em música.







