A Homenagem dos Integrantes da União Brasileira dos Compositores
Um outro fã-clube que está em alta aqui em casa, mais até do que o de Sean e John Lennon, é aquele dedicado aos Paralamas do Sucesso. Isso significa ter de assistir a todas as apresentações remotas que os PDS têm feito. E são lives que eu conheço bem, pois as venho acompanhando desde que se iniciaram lá na Souza Lima no apartamento de uma ex-funcionária do Banco do Brasil que, agora sabemos, levava sempre o Bi Ribeiro como companhia para checar o saldo de sua conta bancária na agência da Primeiro de Março do BB (hoje CCBB) em que trabalhou e em cujo belo hall de entrada o grupo se apresentou no último domingo.
As lives na casa da vovó Ondina apresentavam um repertório incipiente ao lado das músicas dos amigos (“Veraneio Vascaína”, a preferida, entre elas) e obviamente as versões do Police, a banda predileta da turma paralâmica desde sempre. Aliás, a primeira vez que ouvi alguma coisa do grupo foi através das covers que haviam gravado para as músicas da banda de Andy Summers e que tocavam sem parar no toca fitas do fusca do quarto Paralama, o então estudante de arquitetura José Fortes.
Os ensaios, com a participação esporádica de um segundo baixista, o fotógrafo Maurício Valladares, aconteciam em um quarto na lendária residência da vovó do Bi Ribeiro entre uma sessão e outra de clipes na sala de TV da família Vianna que ficava a poucos passos dali. A MTV ainda estava ligando seus transmissores nos Estados Unidos, seu foguete decolando para fixar a bandeira com o logo da emissora na lua, e nunca se imaginava que ela fosse chegar um dia ao Brasil. Mas já tínhamos o nosso VJ na pessoa do Hélder, o caçula entre os irmãos Vianna, que nos servia tudo aquilo que vinha gravando durante a semana: “Rock the Casbah”, do The Clash, “Save it for Later”, do The Beat, “Come on Eillen”, do Dexy´s Midnight Runners, “Rio”, do Duran Duran, “Never Say Never”, do Romeo Void (muitos entendidos achavam que essa era “a banda”; devaneios da juventude).
Tinha também os clips dos Sex Pistols, o grupo de Malcolm McLaren de acordo com um noviço antropólogo que, antes mesmo do funk, estava interessado no mundo punk carioca do Coquetel Molotov, da pista de skate de Campo Grande e do Dancy Méier. O futuro seguidor de Lévi-Strauss e Gilberto Velho, depois de revelar para a revista Pipoca Moderna de Ana Maria Baiana o “rock de Brasília”, vinha preparando um texto sobre os punks do subúrbio do Rio de Janeiro. Punks raiz, bem diferentes dos punks da Zona Sul encarnados por exemplo na figura do Pedro Ribeiro que frequentava a Feira Hippie de Ipanema para adquirir seus adereços punkófilos e rivalizar com o topete stray cats do irmão.
Num mini casiotone Herbert Vianna registrava suas primeiras melodias para trabalhar suas composições que um dia o consagrariam como compositor. Consagração que chega agora com o reconhecimento da própria classe no prêmio deste ano da União Brasileira de Compositores. Hermano Vianna prestou a justa homenagem ao irmão mais famoso na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo há algumas semanas. Não esqueceu também de lembrar da Maria Rolo, que esteve sempre presente junto à família e que faleceu há poucos meses. Ela achava uma graça danada nas coreografias do David Byrne para o clipe de “Once in a Lifetime” e, cotam, tietou muito durante uma visita do líder dos Talking Heads, em sua primeira passagem pelo Brasil. Hoje tem mais uma live dos Paralamas, às 19h estarão todos a postos por aqui.


