Sempre tive simpatia por Marina Silva e na sabatina da GloboNews a empatia se intensificou, assim como o entusiasmo por sua candidatura. O modelo de entrevista da “Central das Eleições 2018”, com mais de duas horas de duração de conversa com os candidatos, permite que os postulantes à presidência tenham um tempo maior para discutirem e esmiuçarem suas plataformas políticas.
Fico conjecturando por que a GloboNews não aproveitou a oportunidade para investir em entrevistadores com o perfil da jovem Andréia Sadi. Sadi vem exibindo talento para fazer um trabalho que anda menosprezado: o de produzir “hard news” de qualidade em lugar do jornalismo opinativo e ralo que vemos com Merval, Roberto D´Ávila e Conti – três que poderiam ter ficado de fora sem prejuízo para o programa. Pouco desenvolta no papel de mediadora, Miriam Leitão também deveria ter cedido o posto ao filho Vladimir Neto, outro craque em levantar e apresentar informações pertinentes.
Marina Silva conseguiu se sair muito melhor desta vez do que em abril no “Roda Viva”. Apresentou de maneira mais detalhada suas ideias e posicionamentos. Espero que haja uma aproximação de sua candidatura com a de outros postulantes ao cargo que têm propostas semelhantes. Seria uma aliança grande que poderia reunir de Ciro Gomes a Álvaro Dias, passando por Manuela D´Ávila e outras tantas pessoas decentes. Uma corrente bem mais digna do que a costurada pelo Centrão de Geraldo Alckmin, repleta de figuras suspeitas de envolvimento na lava-jato, condenadas em processos anteriores, bem como conhecidas por serem adeptas de práticas nada republicanas. Sem esquecermos que a administração tucana em São Paulo está cheia de indícios de malversação de dinheiro público e o próprio postulante ao cargo máximo da república pelo PSDB escapou de ser investigado pelo braço paulista da lava-jato por uma manobra do STJ.
A lógica que as correntes progressistas seguem tem dificultado a presença de alternativas renovadoras no cenário político. E, pior do que isso, tem deixado espaço para a atuação da velha corrente fisiologista e corrupta. Ciro Gomes descreveu bem, em palestra em Oxford, como essa lógica vem funcionando há pelo menos 16 anos. Quando FHC chegou ao poder, os petistas viraram as costas e foram fazer oposição, deixando caminho livre para que o PSDB se associasse ao PMDB de Temer, Eduardo Cunha, Romero Jucá, e comandasse as casas do Congresso Nacional. Quando da eleição de Lula, tivemos o oposto. O PSDB foi para a oposição e o PT se aproximou dos 300 picaretas da ala podre do Congresso.
Essas divisões estiveram e continuam presentes mesmo entre partidos menores como PSB, PPS, PV e Rede. Todos são resultado da fragmentação de correntes progressistas representadas pelos melhores quadros do antigo MDB, PT, PDT e PSDB. Por conveniência ou às vezes por mero capricho pessoal, políticos como Roberto Freire, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, Marina Silva, Ciro Gomes e outros tantos nomes ficaram pulando de galho em galho em lugar de consolidar uma legenda única e forte. O resultado é o cenário que temos hoje. Depois de o PT em 2014 ter corrido para os braços do PMDB, agora chegou a vez de o PSDB celebrar mais uma aliança esquizofrênica com DEM, PP e outras siglas marcadas por escrachado fisiologismo e por aberrante espírito corrupto.


