Detonator com as Musas do Metal
Previamente à minha conversão em um diligente, perseverante, zeloso, devoto headbanger do Detonator, quem me iniciou no mundo do metal foi o meu amigo Paulinho Guimarães (aqueles que acompanham as postagens, já o conhecem). Naquele tempo, estas designações nem existiam ainda. Não se falava nem sequer em hard rock, outro rótulo que surgiria para designar mais uma vertente derivada do rhythm and blues. Descrever o Paulinho de então é bem simples. Basta fazer a busca por Rory Gallagher no banco de imagens do Google e você terá o retrato exato do garotão na pós adolescência. Até a jaqueta Lee era a mesma. Quem o conhecesse naquela época, jamais poderia imaginar que ele fosse se engajar na luta por causas indígenas e passar a vida toda empenhado em defendê-los em tribunais Brasil afora.

Antes de sua filiação a uma destas causas fudamentais e que realmente importam, Paulinho se escondia em um quarto de fundos no apartamento de seus pais, Estelinha e Francisco, na rua Joaquim Nabuco. A janela vivia fechada e ele só acordava tarde, por volta das 13 horas. Não se tratava de depressão, era coisa da natureza dele mesmo, pelo menos naquele momento. Como também sou capaz de dormir mais de 8 horas por noite na maior alegria, compreendo perfeitamente o júbilo daqueles que cultivam por opção própria este hábito.
Pois muito bem, na caverna do Pelinho (era o apelido do rapaz), equipada com uma vitrola da era pré-chegada dos pick-ups Technics, foram fruídas as primeiras horas de guitarras distorcidas, baixarias cheias de peso, viradas incessantes e vozes em falsete. Se ouvia de tudo, com preferência pelo rock de estirpe inglesa (Traffic, Blind Faith, The Faces, Cream). Bem como as três bandas que semearam o heavy metal: Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. São os três grupos mais fundamentais para o aparecimento e fixação do gênero, no momento pós-Yardbirds/Jeff Beck Group.
Paulinho conseguia arriscar alguma coisa no violão, mas o virtuose da família era o seu primo Antônio José (capaz de replicar as escalas estilosas de um Eric Clapton, por exemplo), que morava em Petrópolis. Portanto, não me surpreende nada que Bruno Sutter e o Massacration tenham surgido justamente na cidade imperial. O rock`n`roll sempre foi uma característica da cultura serrana. Depois de acompanhar o grupo de poesia de seu pai no Petropolitano Footbal Club, Sutter, já crescido, passou do disco “A Arca de Noé”, de Toquinho e Vinícius, para o som estridente do Iron Maiden, com um empurrãozinho de sua irmã. Começou a frequentar então a loja de discos Dead Zone, lugar em que se reuniam os metaleiros da cidade e onde ele conheceria o pessoal do Hermes e Renato. Com eles forjou o som galhofeiro do Massacration, dando início a sua trilha na cena heavy metal.

De volta com o Massacration em música recém-editada, “Metal Milf”, acompanhada de excursão, Sutter segue também com o programa “Bem que se Kiss”, na rádio paulistana KissFM com transmissão ao vivo toda sexta-feira ao meio-dia via Facebook e youtube (em uma das últimas edições, ele conversou sobre a luta para preservar a voz em um estilo musical que exige vocalizações extremas: https://goo.gl/SXeqAJ). Na sua loja on-line há merchandising variado (munhequeira, bonés, DVDs e CDs), do seu projeto solo, do Detonator e de sua mulher, a modelo Nyvi Estephan. Música e humor de qualidade que merecem ser prestigiados.


