Nada como ter um artista em casa. Não sei se o leitor também está entre os felizardos que gozam deste privilégio. Pedro Pinto (Pedro Sá Freire de Almeida Pinto) é quem responde pela trilha sonora doméstica que consumo desde que ele tinha seus 15, 16 anos e começou a compor uma música atrás da outra. Criar se utilizando da mais abstratas das artes é algo da ordem do imponderável para mim. Como Manuel Bandeira “nunca a melodia mais precária ou mofina me passou pela cabeça”. Bandeira escrevia versos para compensar a falta de ideias musicais. Eu, nem isso.
O meu compositor caseiro já tem longa estrada. Iniciou-se no palco da Fundição Progresso na época da campanha contra a fome do Betinho (1997, pra ser preciso). Depois veio o Mistura Fina, uma casa de shows na Lagoa, queridinha das gerações que se criaram ouvindo Bossa Nova, e que abria espaço para os grupos da fornada pós-BRock-80 nas suas matinês das tardes de domingo. Seus parceiros eram Vitor Paiva, filho do cartunista Miguel Paiva, Bernardo Botkay, ou Botika, filho do maestro e compositor Caique Botkay, e Bruno Foca Grohl, que lembrava em jeito e estilo o batera do Nirvana. Se apresentaram em casas noturnas variadas (Bunker, Lugar Comum, Sesc-Copacabana) e fizeram o révellion do ano de 2001, abrindo a noite do palco que teve Arnaldo Brandão e Lulu Santos nos shows da virada.
Música do repertório do Aneura, banda da adolescência
Chegaram a gravar um disco na Rádio MEC que nunca foi comercializado. Onze músicas que permanecem na gaveta, uma delas (“Politicamente Correto”) migrou para o repertório da banda Os Outros, que incorporou uma outra composição inédita assinada pelo Pedro em parceria com o Botika (“O Trem”). O meu compositor-pra-consumo-caseiro fez também um duo muito bacana de violão e clarinete com a namorada, Clara, trabalhando um extenso repertório de clássicos da MPB (Chico Buarque, Tom Jobim, Baden Powell). O gosto pela levada bossanovística faria com que fosse se internar para uma temporada em Boston, estudando na Berklee College of Music, escola por onde passaram da indie Annie Clark (Saint Vincent) aos consagrados Diana Krall, Brandford Marsalis e Quincy Jones.
Se formou “cum laude”, depois de ter de convencer os professores a trabalharem com alguém que usa a guitarra de forma pouco convencional, alterando a afinação tradicional para que tenhamos um acorde maior ao atacarmos com cordas soltas o instrumento. Foi em Berklee que se avizinhou, por força do processo de estudos no qual esteve envolvido, do campo da música clássica. É o que se pode conferir em seu site nas composições “Tuning Up – Prelude for Strings” e “Obstinate Fanfare”.
http://www.pedropintomusic.com/
Há também composições de levada pop. Trabalhou com a argentina Onna Lou (nome artístico de Lou Moreno), com a inglesa Chloe Pandora (ou Chloe Tingey), com o americano Treymale Thurmon entre muitos músicos-colegas que conheceu em Boston. Foi de inspiradas composições pop originais (“I See You”, “So, So”) a uma versão “rearrenged” de conhecido hit de Miles Kane. Segue dando sequência a sua carreira, agora se especializando em produção na UCLA e trampando na City of Angels.
Gravações com Onna Lou e Chloe Pandora no soundcloud, sob o nome artístico de PuzzleAnime




Meu artista querido, agora na batalha em LA.
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