
Belo Antônio em um de seus recantos de paz
Uns acharam de início que, “loirinho/ruivinho daquele jeito”, ele só poderia ser chamado de Ziggy, o que sugeriria que possivelmente estivéssemos assistindo a uma atualização da crença dos gregos na transmigração das almas. O felino acabou, no entanto, identificado com o personagem do filme de Mauro Bolognini. Isto porque para alguns outros, e apesar de sua pose, de seu ar de conquistador, ele na hora H não trepava na lambreta.
Talvez seja uma percepção errônea, um excesso, um exagero, uma blague inconsequente. Afinal de contas, da primeira ninhada de 5 pimpolhos da PeriCat, 4 pelo menos saíram iguaizinhos ao mineirinho come quieto. O seu acanhamento pode entretanto ter outra origem. É que desde sempre, o Maré Mansa, o Zé Moleza, o Macunaíma sofreu a rivalidade desagradável e insistente do Manda-Chuva da redondeza, do Dono do Pedaço, do temido, do temerário Temer. Com aquela sua pinta de Conde Drácula de filme B em busca de encrenca e de sangue, o gatuno além de fazer e acontecer pela vizinhança, vem a toda hora perturbar a santa preguicite do felino descansado. Quando ele aparece, é aquela gritaria em coro por parte de adultos e crianças: “Fora, Temer”, “Fora, Temer”.

O temido Temer a espreitar do telhado
Diante de uma pobre alma atemerizada, todos ficam de prontidão como o Guarda-Belo do desenho, de quepe e cassetete. Especialmente agora que a PeriCat está indo para o seu segundo cio. Como consequência, Belo Antônio tem se visto em alguns enfrentamentos sérios com o seu rival. Vira e mexe, é forçado a escapar aos ataques traiçoeiros do Temerildo. Quando isso começou, a solução foi sair pra balada todas as noites e só voltar na manhã seguinte. Uma outra opção mais recente é a de escalar janelas e grades e se aninhar no basculante do banheiro.
Nas noites em que a casa está cheia, passou também a usufruir do luxo de poder sub-repticiamente entrar sala adentro e fingir que foi sempre uma figura corriqueira naquele ambiente. Conta com a conivência de seus cultuadores para que o truque funcione. O senão é que ele também se defronta ali com os ataques da queridinha-mor da casa, a cadela Filó, que não gosta de concorrência. Mas curiosamente, e ainda que a Filomena seja bem mais fornida que o Manda-Chuva da vizinhança, o Maré-Mansa não fica tão amedrontado diante dos latidos e das investidas da cadelinha.

Lady Stardust, a PeriCat, e parte de sua prole
Durante o dia, entre um cochilo e outro, se comporta como um verdadeiro pai. Divide com Lady Stardust a tarefa de ensinar aos filhotes (Baby Blue, Serelepe, Pijaminha, Raposinha e Nameless Forever (o primeiro a ser adotado)) algo em que ele não se sai muito bem: se preparar com unhas e dentes para encarar um adversário. Em meio a tanta confusão, a ninhada vai se dispersando e os filhotes começam a ganhar o mundo. Uns, adotados por moradores do Rio, terão de abdicar das corridas ao ar livre em meio aos canteiros que se bifurcam por uma vida restrita, ainda que mais tranquila e protegida no universo de apartamentos fechados. Outros, talvez tenham o privilégio de viver em algum jardim petropolitano. Enquanto isso, ficamos em dúvida se teremos pela frente uma nova ninhada de Michelzinhos ou de Belo-Antônios, ou uma mistura de prole dos dois.



PAU EM TEMERILDO!!!!!! NADA DE VIR PEGAR A GATA DO OUTRO!
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Muito legal essa cronica do verão Petropolitano. Quem diria que os gatos iam fazer história.
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Demorei pra ver, mas achei o post SENSA! Posso share com o mundo?
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