
Um admirador apareceu na sala de controle para desejar boa sorte na prova do Raia Rápida
Depois de passar as últimas semanas namorando a piscina do Parque Olímpico da Barra, não tive como perder a oportunidade de dar minhas braçadas em suas águas azulzíssimas no evento “Raia Rápida”. Uma competição que costuma acontecer na piscina da sede aquática do Botafogo (aquela que fica suspensa no começo do aterro e de cara pro Pão de Açúcar), mas que os organizadores aproveitaram para levar para o palco das disputas olímpicas na Barra este ano.
O evento reuniu nadadores profissionais, iniciantes (com provas nas categorias mirim, infantil e juvenil), ex-atletas e amadores. Primeiro tivemos as competições dos iniciantes, dos atletas amadores/veteranos e depois o show de quatro times profissionais com 4 atletas para cada um dos estilos por equipe. Para a edição de 2016, rivalizaram as equipes da Itália, da África do Sul, dos Estados Unidos e do Brasil. Bruno Fratus comentou apropriadamente que a dinâmica das provas, que acontecem em sequências eliminatórias sucessivas (de 4, de 3 e de 2 competidores, até chegar ao vencedor) para fechar com um revezamento (com pontuação a cada disputa e um peso maior para a vitória no revezamento), pode ser uma maneira de tornar a natação mais atraente como espetáculo para o público espectador. Dos atletas que participaram da Rio 2016, tivemos a presença do americano Anthony Ervin, ouro nos 50 metros aos 35 anos, do italiano Fabio Scozzoli, do sul-africano Douglas Erasmus e dos brasileiros Bruno Fratus, Henrique Rodrigues, Henrique Martins e João Gomes Jr..

Djan Madruga aos 58 anos e, neste link, em uma prova na Olimpíada de Montreal de 1976 (400m livres) em que bateu em 4o. lugar e por pouco não subiu ao pódio (clique aqui)
Além de conhecer a piscina de aquecimento, deu ainda para ter, na sala de controle das provas, aquele encontro de fã com os atletas profissionais que iam competir e que apareceram para prestigiar quem saiu da cama cedo para o evento. Teve também a presença dos veteranos Gustavo Borges e Djan Madruga. Foram 25 baterias amadoras. Gustavo Borges, medalhista em Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Sydney (2000), nadou na 22a., e Djan Madruga, primeiro medalhista da natação brasileira em Moscou em 1980 (competiu ainda em Montreal, em 1976, e em Los Angeles, em 1984), na 24a. e penúltima bateria, da qual também tomei parte.

O medalhista olímpico Gustavo Borges e seus companheiros de bateria
As provas infantis fizeram lembrar as primeiras tentativas de me aproximar das piscinas aos 10 anos nos treinos matinais do Tijuca Tênis Clube antes de escolher o tênis como prática esportiva predileta. Fez recordar também competições que não via há anos e que são fundamentais para a formação e o surgimento de novos atletas.
Só faltou mesmo a presença de Coelho Neto para tirar do bolso um discurso como aquele que proferiu por ocasião da abertura daquela que talvez tenha sido uma das primeiras piscinas construídas para competição no Rio de Janeiro, a do Fluminense Football Club, inaugurada em 1919. Um dia falo com mais calma sobre o pai de Preguinho (ou João Coelho Neto, multi-esportista, campeão como nadador, cestinha recordista de arremessos no basquete e o primeiro jogador a marcar um gol pela equipe brasileira em uma Copa do Mundo, em 1930), de Mano (ou Emmanuel Coelho Neto, jogador do Fluminense como Preguinho, falecido em um incidente durante uma partida contra o São Cristóvão) e de Violeta Coelho Neto de Freitas (exímia nadadora e soprano que encantaria o público fazendo a Cio-Cio-San de “Madame Butterfly”, de Puccini, na primeira temporada lírica com cantores nacionais no Municipal, em 1937).

“A solenidade que aqui nos reúne e para a qual foram convocados os poderes do Céu e da Terra, e o mar, é de tanta magnitude que a não podemos avaliar senão rastreando, através das sombras do Tempo, a sua projeção no Futuro.” (Coelho Neto. Discurso na inauguração da piscina do Fluminense F.C., em 1919)
Preguinho (ou João Coelho Neto) e sua irmã Violeta, dois dos 14 filhos de Coelho Neto com sua mulher Maria Gabriela Brandão
Voltemos desta viagem no tempo. Todas as provas do Raia Rápida foram disputadas em estilo livre em 50m apenas. Na categoria infantil, impressionou o garoto Leandro Odorici, que aos 13 anos nadou com o tempo de 25.43. O tempo de Fratus e de Erwin nas muitas provas que fizeram durante o evento, por exemplo, oscilou entre 22 e 23 segundos. O recorde para esta prova é de Cesar Cielo, conseguido em 2009 em Roma com a marca de 20.91, nunca batido desde então. O tempo do veterano Gustavo Borges, com 44 anos hoje, foi de 24.91 no Raia Rápida. Ao encontrar com ele no vestiário antes da entrada na sala de controle, perguntei qual a dica que daria para quem nunca tinha saltando de um bloco de competição na vida, meu caso. Aconselhou que saísse de dentro d´água. Ao que eu retruquei que ele estava sendo duplamente desleal.
A saída é muito importante e a tecnologia na altura e inclinação do bloco de partida é o que tem ajudado a baixar os tempos, especialmente em provas muito rápidas. É também o que traz mais problemas para os competidores neófitos. Cheguei em 5o. lugar com o tempo de 37.18, nadando tranquilo e aproveitando a beleza da piscina ao reparar pelos retardatários e companheiros de faixa otária que não faria tão feio assim. O vencedor da bateria, Roberto Carlos Carvalho, ganhou com o tempo de 27.60. Djan Madruga fez o tempo de 28.36.

Foi a segunda competição de natação da qual tomei parte, mas a primeira em piscina. Em 2012, participei da “Travessia dos Fortes”, cruzando a praia de Copacabana do Posto 6 ao Leme. Enjoei muito. Aliás, desde pequeno foi o enjoo dentro d´água que me afastou até mesmo das piscinas. Durante a travessia e na altura do hotel Rio Othon Palace, a ondulação me fez ficar completamente mariado e tive que fazer o restante da prova até o Leme nadando peito no tempo de 1h19. Para quem sofre de enjoo n´água, recomendo o aprendizado e prática da alternância de lado na respiração. O hábito afasta o mal.

Parceiros da Travessia dos Fortes. A professora Janaína (que também enjoou feio) e Bruno Florentino






Muito, deve ter sido uma delícia mesmo, espero que você comece a competir no Master. Chegou em 5o. Também gostei do discurso do Coelho Neto.
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O prazer de nadar é infinitamente maior que o de competir. E tem a chateação de ter de acordar cedo para as provas. Agora entendo por que o Luca, filho do Claudinho, que ia muito bem, desistiu.
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