Duas Semanas de Celebração Esportiva

Captura de tela inteira 14082016 150555As olimpíadas sobreviveram aos piores vaticínios e para quem nunca esteve próximo de um evento desta magnitude, acompanhar tudo de perto foi deleite puro. Duas semanas de contendas esportivas non-stop. Ora pagando ingresso para ver as competições junto a entusiasmados torcedores (alguns, poucos felizmente, mais entusiasmados do que o necessário, é bem verdade) que apoiavam as delegações brasileira e estrangeiras no Parque Olímpico, ora simplesmente dando um pulo até a praia de Copacabana ou até a Lagoa Rodrigo de Freitas para assistir como mero curioso às maratonas no mar e às competições de remo. Ou ainda pela televisão com a excelente cobertura do Sportv, que fez o mais amplo televisionamento da Rio 2016 e que teve nos programas “Bom Dia Sportv” e “Extraordinários” duas de suas melhores atrações.

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Tudo em uma edição especialmente feliz para a delegação brasileira que encerrou o evento com duas partidas que coroaram os jogos. No ex- Maracanã, quebramos o tabu do ouro olímpico no futebol e, no ex-Maracanãzinho, confirmamos o favoritismo que tem levado o Brasil a invariavelmente fazer as finais dos jogos olímpicos no voleibol desde a histórica participação na olimpíada de Barcelona de 1992.

No Estádio Mario Filho, e depois de um início titubeante e com um vergonhoso empate com o Iraque, Neymar Bolt, Renato Augusto, Gabigol, Weverton e uma jovem e promissora seleção resolveram mostrar serviço e apresentar um futebol que ajudou a apagar da memória o fiasco das equipes comandadas por Dunga. São ainda muito marrentos a meu ver para um time que é apenas uma promessa e receberam também um absurdo prêmio individual por atleta de 500 mil de uma entidade corrupta, o que não é bom sinal. Mas inegavelmente conseguirem um feito inédito e jogaram bem, particularmente nas partidas contra Honduras e Alemanha. Foi de se lamentar que um Müller, um Ozil, um Lahm, um Manuel Neuer, não tenham participado do time da Alemanha para que tivéssemos um jogo mais relevante para o público. A presença de craques da seleção campeã da Copa de 2014 do outro lado do campo no jogo final poderia ter tornado a partida ainda mais disputada e interessante.

No Gilberto Cardoso, ginásio que tem o nome de um destes dirigentes esportivos que merecem ser sempre lembrados, a estrela de Bernardinho seguiu brilhando no comando de uma equipe que misturou os veteranos Serginho e Bruninho com  o estreante Lucarelli em uma time afiadíssimo que conseguiu fechar a semi-final e a final com o resultado surpreendente de 3 sets a zero sobre adversários fortes como os russos e os italianos.

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Mas as olimpíadas colecionaram imagens de grande impacto nos cenários que privilegiaram os encantos naturais do Rio de Janeiro. Pela TV era possível ver logo cedo as tomadas belíssimas, ajudadas por amanheceres ensolarados na maioria dos dias. Práticas esportivas que têm a vocação do sublime, como as competições náuticas e aquáticas, fizeram a festa do espectador. Como aquelas, por exemplo, protagonizadas por Isaquias Queiroz, este índio-caboclo que dá a impressão de ser um personagem saído de um livro que José de Alencar nunca escreveu. Vimos Isaquias ser flagrado em imagens de evocação épica montado em sua canoa a singrar as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, sozinho e ao lado do parceiro medalhista Erlon de Souza Silva.

São cenas de impacto equivalente àquelas proporcionadas pela final das equipes dos barcos de oito das corridas de remo que aconteceram no primeiro sábado de competições e que puderam ser vistas nas muito bem organizadas raias da Lagoa. Repetíamos naquele dia, 60 anos depois, algo que aconteceu neste mesmo cenário em julho de 1956.
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Naquela ocasião, o Jornal dos Sports de Mario Filho trouxe uma guarnição de remo da Universidade de Cambridge para competir contra equipes brasileiras. Todos os jornais da época registraram aquela que, mais do que uma disputa, se transformou em uma belíssima apresentação dos renomados representantes da conhecida universidade inglesa. O público lotou as arquibancadas do Estádio de Remo para prestigiar o evento que deve ter sido um espetáculo tão bonito como o que aconteceu dentro das Olimpíadas do Rio. Assim como a equipe do oito da Grã-Bretanha dominou a prova olímpica final nesta categoria, os remadores do oito de Cambridge deixaram para trás as guarnições do Flamengo, de Aldo Luz (de Florianópolis), do Vasco e do Tietê paulista em 1956.
Na Marina da Glória a vitória de Martine Grael e Kahena Kunze na regata da classe 49er foi uma surpresa, mas não de todo inesperada se nos lembrarmos da tradição de velejadoras que vem de duas famílias ligadas a este esporte. Com uma baía de águas limpas, nenhum dos vitoriosos se privou do seu mergulho para comemorar a conquista. Havia toda a expectativa em relação a participação de Robert Scheidt que saiu muito mal em todo o evento. O comentarista João Bulhões esclareceu que Scheidt teve que voltar ao laser com o fim das competições da classe Star em que sempre faturava suas medalhas. Ainda que quando jovem tenha conseguido subir ao pódio na classe laser, Scheidt não tem mais condições físicas para competir nesta categoria.
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Já tinha assistido à natação e escolhi ainda ver ao vivo duas outras competições no Parque Olímpico da Barra. Os saltos ornamentais e uma partida de polo aquático. Os saltos já estavam sendo realizados em águas azuis e transparentes e o polo havia tomado o espaço da piscina onde se deram as provas de natação na primeira semana. No polo aquático a briga era pela medalha de bronze que ficou com a equipe feminina russa em jogo disputadíssimo contra as húngaras. O jogo de abertura foi uma lavada das jogadoras chinesas contra as brasileiras. De qualquer jeito, o polo aquático se pareceu mais com uma luta livre entre mulheres à beira de um ataque de nervos do que com qualquer outra coisa, com gritaria pra tudo quanto é lado. Bem diferente do ambiente contido dos saltos ornamentais. A febre esportiva segue agora com os jogos paralímpicos. Já nadei lado a lado com atletas deficientes durante a Travessia dos Fortes em 2012 e não quero perder as provas de natação em setembro.
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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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