As olimpíadas sobreviveram aos piores vaticínios e para quem nunca esteve próximo de um evento desta magnitude, acompanhar tudo de perto foi deleite puro. Duas semanas de contendas esportivas non-stop. Ora pagando ingresso para ver as competições junto a entusiasmados torcedores (alguns, poucos felizmente, mais entusiasmados do que o necessário, é bem verdade) que apoiavam as delegações brasileira e estrangeiras no Parque Olímpico, ora simplesmente dando um pulo até a praia de Copacabana ou até a Lagoa Rodrigo de Freitas para assistir como mero curioso às maratonas no mar e às competições de remo. Ou ainda pela televisão com a excelente cobertura do Sportv, que fez o mais amplo televisionamento da Rio 2016 e que teve nos programas “Bom Dia Sportv” e “Extraordinários” duas de suas melhores atrações.

Tudo em uma edição especialmente feliz para a delegação brasileira que encerrou o evento com duas partidas que coroaram os jogos. No ex- Maracanã, quebramos o tabu do ouro olímpico no futebol e, no ex-Maracanãzinho, confirmamos o favoritismo que tem levado o Brasil a invariavelmente fazer as finais dos jogos olímpicos no voleibol desde a histórica participação na olimpíada de Barcelona de 1992.
No Estádio Mario Filho, e depois de um início titubeante e com um vergonhoso empate com o Iraque, Neymar Bolt, Renato Augusto, Gabigol, Weverton e uma jovem e promissora seleção resolveram mostrar serviço e apresentar um futebol que ajudou a apagar da memória o fiasco das equipes comandadas por Dunga. São ainda muito marrentos a meu ver para um time que é apenas uma promessa e receberam também um absurdo prêmio individual por atleta de 500 mil de uma entidade corrupta, o que não é bom sinal. Mas inegavelmente conseguirem um feito inédito e jogaram bem, particularmente nas partidas contra Honduras e Alemanha. Foi de se lamentar que um Müller, um Ozil, um Lahm, um Manuel Neuer, não tenham participado do time da Alemanha para que tivéssemos um jogo mais relevante para o público. A presença de craques da seleção campeã da Copa de 2014 do outro lado do campo no jogo final poderia ter tornado a partida ainda mais disputada e interessante.
No Gilberto Cardoso, ginásio que tem o nome de um destes dirigentes esportivos que merecem ser sempre lembrados, a estrela de Bernardinho seguiu brilhando no comando de uma equipe que misturou os veteranos Serginho e Bruninho com o estreante Lucarelli em uma time afiadíssimo que conseguiu fechar a semi-final e a final com o resultado surpreendente de 3 sets a zero sobre adversários fortes como os russos e os italianos.

Mas as olimpíadas colecionaram imagens de grande impacto nos cenários que privilegiaram os encantos naturais do Rio de Janeiro. Pela TV era possível ver logo cedo as tomadas belíssimas, ajudadas por amanheceres ensolarados na maioria dos dias. Práticas esportivas que têm a vocação do sublime, como as competições náuticas e aquáticas, fizeram a festa do espectador. Como aquelas, por exemplo, protagonizadas por Isaquias Queiroz, este índio-caboclo que dá a impressão de ser um personagem saído de um livro que José de Alencar nunca escreveu. Vimos Isaquias ser flagrado em imagens de evocação épica montado em sua canoa a singrar as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, sozinho e ao lado do parceiro medalhista Erlon de Souza Silva.







