Cidade Olímpica em Festa

13932231_1229364443761739_1493586478_oUma beleza o Rio de Janeiro olímpico. Fizeram tantos prognósticos catastróficos que a impressão era a de que nada iria dar certo. Tudo, no entanto, está funcionando bem (a linha nova do Metrô e o BRT em conexão perfeita) e tem sido uma verdadeira alegria circular pela cidade com o clima contagiante dos torcedores. Os ingressos podiam ser um pouco mais baratos, mas dizem que, pelos custos e gastos que um evento desta magnitude requer, mesmo contando com um grande número de voluntários, estamos tendo as entradas mais baratinhas da história recente dos jogos olímpicos. Batalhador incansável por estimular o gosto do público do Rio de Janeiro pelo esporte, Mario Filho estaria feliz da vida em ver uma festa como esta acontecendo.

Ruy Castro teve a visão profética e foi o primeiro a fazer a observação pertinente contra os olhares dos desconfiados: “Apesar dos espíritos de porco e dos profetas da derrota, vamos ter uma grande Olimpíada. E no cenário mais bonito que os Jogos já viram desde a Grécia”, declarou ao escritor português Nuno Costa dos Santos antes de começarem as contendas esportivas. Por sua plasticidade, o remo, especialmente nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, compôs um quadro de beleza inédita. Deixou aquela vontade de desafiar a salubridade da Lagoa e praticá-lo. O mesmo aconteceu com a maratona ciclística que correu toda a orla e as Paineiras.

Por convicções pessoais, procuro me manter afastado das lutas, em todas as suas modalidades. Tentativa de evitar ver por exemplo uma atleta quebrar o braço da Sarah Menezes no judô, imagem nada agradável que tivemos de testemunhar.  A aversão se estende a todas as modalidade envolvendo luta. Até mesmo a nobre arte dos boxers. Outros esportes que fogem à minha compreensão são as disputas de tiro com suas variantes no tiro com arco e no tiro esportivo com arma de fogo. O atletismo também não chega a entusiasmar, mas a diversidade é, como diria Shakespeare, o que dá gosto à vida. No inacreditável leque de sortimento de modalidades (badminton, tênis de mesa, rúgbi) o impensável hóquei na “grama azul” entra, como comentou Marcelo Madureira, para a categoria dos esportes com pretensões lisérgicas.

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Centro Olímpico da Barra com o “cubo da natação”, abaixo à esquerda; à direita, ao lado, a Arena do Futuro (handebol) e, na sequência, Carioca 1 (basquetebol), Carioca 2 (Lutas), Carioca 3 (Esgrima) e o  mais distante velódromo (ciclismo indoor); ao fundo, as quadras de tênis (o estádio maior e aberto ao centro e as quadras menores com piso rápido na cor verde); bem à direita, a Arena Olímpica do Rio (HSBC), espaço das ginásticas (artística e rítmica)

Quando as práticas esportivas ainda engatinhavam no Brasil na década de 1940, o criador de multidões Mario Filho identificou o encantamento adicional que a presença de atletas mulheres podia trazer para um mundo até então dominado pelos homens. Criou assim os “Jogos da Primavera” (só para elas), para enfatizar como a graça feminina nas competições era fundamental. A ginástica artística, com suas apresentações de solo, segue confirmando o que deve se estender às ginásticas de gala e rítmica.

Como os que frequentam este espaço sabem, comungo na cartilha e sigo os mandamentos de Peter Gabriel quando o assunto é esporte. Faço a opção portanto pelo “I go Swimming” do músico de Bath na hora de escolher o esporte predileto. Especialmente nas transmissões comandadas por Milton Leite, Alex Pussieldi, Mariana Brochado e Fabíola Molina. Competições na água são sempre as favoritas e depois de ter conferido o salto em trampolim pela TV, já penso em assistir ao polo aquático. Apesar desta adesão incondicional às modalidades aquáticas, achei muito estranho termos o anúncio do surfe como novo esporte competitivo para as olimpíadas que irão se realizar em Tóquio em 2020. Surfe em piscina de onda artificial não vai ter nenhum sentido. Melhor deixar que a Associação dos Surfistas Profissionais (ASP) cuide, com a classe habitual, deste assunto, bem longe dos jogos olímpicos.

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About Marcos Pedrosa de Souza

Marcos Pedrosa de Souza é professor da Fundação Cecierj. Tem formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e em letras pela Universidade Santa Úrsula. É mestre e doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi colaborador de O Globo e de outros jornais e revistas. Foi professor do IBEU, da Cultura Inglesa e da Universidade Estácio de Sá.
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