Como todos os órfãos do Nirvana, passei a acompanhar os Foo Fighters desde que Dave Grohl empunhou uma guitarra e veio pra frente do palco tentar encontrar um caminho no pós-holocausto nirvânico. Tudo era perfeitamente compreensível. No Nirvana, Grohl só havia conseguido ganhar certo destaque como compositor com uma única música: “Marigold”, uma maravilha de composição que ficou esquecida para todo o sempre. Depois de viver na sombra do talento de Cobain, parecia natural a sessão de descarrego pela qual precisava passar e que veio embalada pela carta de intenções de sua “Monkey Wrench”. Gravou 8 ótimos discos de estúdio (de “Foo Fighters” ao recente “Sonic Highways”), alguns deles não de todo felizes, mas dos quais sempre se conseguia salvar muita coisa. Um único senão foram sempre as letras. A bem da verdade, me parece uma das coisas mais problemáticas na música feita em todas as latitudes. Do pagode ao rock´n´roll. Causa surpresa como temos carência de alguém que tenha e saiba o que dizer. Grohl engana com razoável desenvoltura. Para o consumidor de cultura pop, no entanto, as composições precisam comunicar em três minutos todas aquelas coisas que são fundamentais na vida. Cobain sabia fazer isso, Morrissey continua demonstrando como é possível realizar essa proeza.
Dos discos pro palco, Grohl fez a mágica de transformar a animosidade permanente que experimentava junto à fúria de Cobain em fúria de júbilo e festa. E isso mantendo sempre aquele espírito dos tempos do Nirvana de não ser subserviente jamais, em momento algum, a quem pagou para vê-lo. Acompanho os FFs ao vivo desde 1997 em uma apresentação que aconteceu no The Shepherd´s Bush Empire em Londres, em que Grohl fez duo de bateria com Roger Taylor. Os FFs estavam no segundo disco, “The colour and the shape”. É o meu favorito e também dos fãs, campeão de vendagem entre os discos de estúdio do grupo. Quanto à apresentação de ontem no Maracanã, vou repetir o que disse no Livro-de-Caras. Os shows dos FFs já foram ótimos. Desde o Lollapalooza em 2012 eles andam perdendo a noção de timing ao vivo (músicas longas demais, conversa fiada demais) e ontem ainda tiveram o som jogando contra eles. Na TV tava ruim e lá, muito pior. Iluminação também nota zero. Milhares de holofotes projetando focos de luz na cara do público que foi ver um show. Dois telões mínimos e que ficavam parcialmente encobertos por torres. Coisa da pré-história do rock de arena e diante de um número significativo de fãs que já havia visto um showzaço dos FFs no Rock in Rio de 2001. Grohl está precisando repensar o roteiro e os promotores do evento a estrutura de um concerto que custou caro ao bolso do freguês. Cheguei em cima da hora e perdi Kaiser Chiefs e os Raimundos, mas confesso que não me arrependi. Com aquela estrutura, duvido que tenham conseguido fazer shows minimamente interessantes. Ana Carolina foi ver o Queen cover e não gostou nada dos FFs terem esquecido de “Tie Your Mother Down”.






Eu vi na televisão e parecia bom, os comentários também eram na linha do timing…. Depois fui ver Miss Universo, mudança radical
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