Textos de Marx em domínio público (clique aqui)
Audiolivros de Marx no librivox (clique aqui)
Nova edição de “O Capital” pela Boitempo (clique aqui)
Nas redes sociais está na moda falar mal de Karl Marx. Na cabeça daqueles que não tem familiaridade com a mais elementar dialética, temos a proposição de que Lula e Dilma nos levariam obrigatoriamente a Karl Marx. Ah, as antinomias de uma razão impura. Como podemos ter uma tese e uma antítese idênticas e que, ainda por cima, se igualam a uma síntese que não guarda qualquer relação com elas. É um raciocínio de um primarismo assustador. Marx deve justificadamente estar tendo seus achaques em seu mausoléu em Highgate. Não existem pessoas mais antagônicas.
Lula é adepto da escola da ignorância, como todos sabem. Dilma é um avanço em relação a esta posição. Nunca conseguiu, de qualquer modo, completar sua formação acadêmica de maneira convincente. Marx, ao contrário, teve uma vida inteira dedicada plenamente aos livros. A gloriosa pança do pensador alemão, que vemos em sua muito conhecida e tradicional foto, não é resultado de uma ociosidade nula como podem supor as mentes ignaras, mas, ao contrário, fruto de horas, meses, anos, dedicados a leitura e a escrita de sua extensa obra (que, não devemos esquecer, lhe custou a sobrevivência em condições miseráveis).
Imagino que não exista no planeta terra economista de qualquer orientação ideológica (conservador, liberal, neo-liberal, partidário disto ou daquilo) que não tenha lido os escritos de Marx. Mesmo porque, a obra do sociólogo judeu é trespassada por todos os nomes dos maiores pensadores que o mundo já viu. Peguem, por exemplo, Hegel. Não sei se os leitores já tiveram a chance de ter algum contato com o pensamento hegeliano. Fiz uma cadeira dedicada a esse filósofo com a professora Kátia Muricy no departamento de filosofia da PUC-RJ e foi o suficiente para não querer nem chegar perto. A vasta obra de Marx é outra que exige a dedicação de muitas horas de nossas vidas para que com ela nos familiarizemos minimamente. Arthur Dapieve, quando da preparação de seu trabalho de mestrado, foi descobrir até mesmo um texto de Marx sobre o suicídio.
Se sobra erudição e profundidade em seus escritos, não faltam ainda a graça e a beleza do estilo. Umberto Eco chega a comparar a grandiloquente abertura do Manifesto Comunista à introdução da 5ª. Sinfonia de Beethoven. Na Folha de São Paulo do último domingo, Ferreira Gullar afirmou que Marx satanizou a iniciativa privada. É uma frase simplista. Karl Marx nada mais fez do que deixar às claras como toda fortuna é fruto da orquestração de um grande roubo. E olha que Marx não conheceu Zuckerberg, nem tampouco Larry Page e Sergey Brin, da Google. Bill Gates chegou ao ápice de ser acusado de ação monopolista nos Estados Unidos da América. Não sei de nenhum batedor de carteira que tenha conseguido essa proeza. Lembro finalmente que a editora Boitempo está lançando uma nova tradução de “O Capital”. Os escritos de Marx estão em domínio público e podem ser lidos e ouvidos nos links listados acima.



Kiko, na boa, mande esse texto para um jornal. Tá muito bom, tenho certeza que algum jornal vai querer publicar. Mesmo que seja para se divertir…..
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Marx não iria gostar de me ver compactuando com a imprensa burguesa.
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Excelente. Definiu, em poucas palavras, o que realmente importa nessa confusão facebookiana. A postagem do link para as obras de Marx são, ao meu ver, serviço de utilidade pública.
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Adorei! Até Katia Muricy saiu do ostracismo.Onde andará?Inveja de não ter sido aluna dela.
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